quarta-feira, 22 de julho de 2026

Ecos Imateriais | Yogananda em nova edição

O que vou narrar aqui talvez seja conhecido por meus alunos e amigos mais próximos. Falo da trajetória que me levou ao final dessa história: a publicação, pelo grupo editorial Pensamento, da nova tradução que fizemos, eu e o tradutor Marcelo Cipolla, do conhecido livro Autobiografia de um Yogue Contemporâneo de Paramahansa Yogananda, lançado originalmente em 1946. Vamos lá...
No final dos anos 1970, já formada em Arquitetura e Urbanismo pela FAU-USP, eu trabalhava no Departamento do Patrimônio Histórico da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo. Lá conheci amigos preciosos, em particular minha querida e sempre presente Fernanda Freire, mas também muitos outros colegas, cujos nomes não vou citar, mas que se tornaram fonte valiosa de trocas, conhecimento e admiração. Dentre eles estava a então historiadora Marua Roseny Pacce, que também era professora de yoga em uma das primeiras escolas de São Paulo, o Centro de Estudos de Yoga Narayana, na rua Ceará.   



Bem, eu vinha de uma prática de anos de ginástica rítmica e de ballet. Além disso, sempre que necessário, ou seja, quando faltavam alunos para completar o time da faculdade, nas poucas oportunidades surgidas, eu jogava basquete. Ou seja, era beeeem ativa. Certo dia, Márua me convidou para uma aula de yoga e me indicou o livro Autobiografia de um Yogue Contemporâneo. Antes de aceitar o convite, imaginei que seria uma prática muito parada para uma pessoa ativa como eu, mas fui mesmo assim... Bem, com relação à aula, comecei a praticar e não parei mais. Quanto ao livro, desde que o li, ele se tornou meu livro de cabeceira. Fui aluna de Márua por alguns anos, fiz dois anos do curso de formação no Narayana e dei aulas até ir para Roma para uma especialização em Patrimônio Histórico. Fiquei lá por um ano estudando, mas também praticando, lendo e comprando livros sobre yoga. 

Quando voltei, depois de um ano, Márua havia saído do Narayana e fundado seu instituto, o Núcleo de Yoga Ganesha. Saí do DPH, fui para a Secretaria de Planejamento - Sempla e encontrei pessoas, como Isaré e Durval, que também se identificavam com o livro e seu autor. Batíamos longos papos sobre o yoga e sobre a vida. Quando me mudei para o Sul de Minas, retomei as aulas de yoga e continuei lecionando por 35 anos ininterruptos, sempre relendo e indicando, aos alunos, o livro de Yogananda.   

Em 2023, qual  não foi minha alegria ao ser convidada pelo colega Marcelo Cipolla a dividir a nova tradução daquele mesmo livro de Yogananda. Claro, não pensei duas vezes e mergulhei de cabeça no novo trabalho que só foi lançado agora: um belo livro de capa dura, comemorando os 80 anos de lançamento da primeira edição. Em agosto de 2026 estará nas livrarias. 

Transcrevo aqui o que escrevi aos alunos e amigos ao anunciar a publicação do livro: 
"Amo dar aulas e amo traduzir. Dei aulas de yoga por 35 anos e já traduzi muitos livros, sobretudo dentro da minha primeira área de formação, Arquitetura e Urbanismo, inclusive com direito a uma indicação ao Prêmio Jabuti. Privilégio!  
Agora, outro privilégio e um sonho realizado: traduzir Autobiografia de um Yogue, livro que me acompanha há décadas. Eu traduzia e chorava, chorava e agradecia a Yogananda e ao caminho que me levou até ele: o curso de formação no @Narayana.cey, a especialização em yoga na FMU, meus colegas e  professores, as conversas sobre a prática efetiva dos yamas e niyamas no dia a dia,  os alunos de tantos anos... Sou grata ainda ao tradutor Marcelo Cipolla, da @editorabismillah, parceiro de tantas traduções, e ao @grupoeditorialpensamento, pela primorosa edição comemorativa." 

Para quem se interessar, recomendo muito a leitura desse livro, a biografia de um menino indiano, Mukunda Lal Gosh, que virou um mestre do yoga (Paramahansa Yogananda), levou o yoga para o Ocidente no início do século 20 e que, desde tenra idade, tinha um só desejo: encontrar o Absoluto.  

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