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Mercado. Augusto de Campos.
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O mundo da poesia concreta conhece os irmãos Campos. O
mundo da crítica literária conhece os irmãos Campos. O mundo da tradução
conhece, respeita e admira os dois irmãos
Campos: Haroldo Eurico Browne de Campos e Augusto
Luís Browne de Campos, ambos paulistanos, ambos formados em Direito, ambos
brilhantes e seguindo rumos paralelos: da crítica literária, da modernidade, da
poesia concreta e da tradução. Após cursarem Direito na Universidade de São Paulo, seguiram outros caminhos. Fundaram, junto com Décio Pignatari,
a revista literária Noigandres (palavra extraída de uma canção do trovador provençal
Arnaut Daniel e que significa "o olor que afasta o tédio), na qual publicaram “O Manifesto da Poesia Concreta” (1956) e o “Plano
Piloto da Poesia Concreta” (1958).
Parente do modernismo, o Concretismo quebrou paradigmas, rompeu com a forma tradicional das poesias e,
por isso, a poesia concreta é chamada de poema-objeto. Tudo muda na poesia concreta: a forma visual do poema e dos versos, o efeito sonoro das
palavras, as rimas internas, a relação entre os termos, os neologismos, a metalinguagem,
a ocupação do espaço da página, a tipografia, as formas resultantes.
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| Haroldo de Campos. Divulgação |
Haroldo de Campos
(1929-2003), o premiadíssimo paulistano e leonino (29 de agosto), era poeta, tradutor,
crítico literário, ensaísta e autor. Trabalhou na transcriação de poemas japoneses e chineses, transitou entre os campos da literatura e da arte visual,
e ainda inovou na tradução, com seu famoso ensaio“Da tradução como criação e como crítica” —, no qual
traz o revolucionário conceito de transcriação (1962). Hoje, sua biblioteca pessoal foi organizada como Espaço Haroldo
de Campos de Poesia e Literatura, na Casa das Rosas, na
Avenida Paulista, São Paulo. Valorizava a leitura em voz alta, ao dizer que
as “palavras
oralizadas podem ganhar força talismânica, aliciar e seduzir como mantras”. Alguns de seus poemas: “Âmago do ômega”, de 1955; nascemorre”
(1958).
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| Nascemorre. Haroldo de Campos. |
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Augusto de Campos. Wiki.
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Augusto
de Campos (1931), também premiado poeta, ensaísta, tradutor e crítico literário, foi homenageado, em 2021, pelos 90 anos de intensa atividade. Os poemas deste ativíssimo aquariano (14 de fevereiro) podem ser vistos na sua conta do
Instagram @Poetamenos, onde ele se manifesta como cidadão a cada momento marcante
da nossa sociedade e dos nossos tempos. Alguns de seus poemas: Greve (1962); Luxo/Lixo (1965); Colidouescapo(1971); O Pulsar
(1975). Seus poemas sonoros podem ser ouvidos aqui.
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Luxo/Lixo. Augusto de Campos
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Ambos fazem parte daquele rol de mestres cuja
obra extrapola o papel, a arte, o texto, porque mostram uma forma de participar, de
agir, de criticar e se expressar. Do alto de seus 91 anos, Augusto de Campos, por exemplo, dá exemplo de cidadania e de visão humanista, pensando no coletivo. São daqueles mestres que marcam gerações, que
apontam caminhos pela sua obra e, sobretudo, pela sua ação coerente. Minha imensa gratidão aos dois!