No Brasil são reconhecidas as pesquisas do Setor de Arqueologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, as do Museu Paulista e as do Museu Nacional no Rio, por exemplo. Dentre os achados arqueológicos mais conhecidos, citamos os depósitos de conchas (ou sambaquis) de populações ribeirinhas pré-coloniais; as pinturas rupestres, como o Parque Nacional da Serra da Capivara, no Piauí, um dos sítios mais importantes do mundo; o Sítio do Cais do Valongo no Rio de Janeiro; os chamados Sete Povos das Missões, no Rio Grande do Sul; o sítio do Parque Nacional das Cavernas do Peruaçu, em Minas; o Parque Arqueológico do Solstício, no Amapá, chamado de "Stonehenge Brasileiro", observatório astronômico megalítico indígena, além de muitos outros, dentro os quase 30.000 sítios arqueológicos do nosso país.
A depender da cidade, são feitas pesquisas antes de grandes obras de infraestrutura, como metrôs, linhas férreas, fundações etc. É o caso do centro
de Roma, Londres, Paris ou Lisboa, por exemplo, que mudaram ou interromperam algumas obras em função de descobertas feitas nas escavações. Ou seja, há uma grande probabilidade de
novos achados em lugares onde antigas civilizações floresceram.
Recentemente, o Jornal da USP divulgou que foram encontrados restos de fogueira, cachimbos e contas de colar no piso original da antiga senzala da Fazenda do Pinhal, em São Carlos, no interior de São Paulo. A fazenda é tombada pelos órgãos estadual e federal de preservação, respectivamente Condephaat e Iphan, e data dos anos 1830, época da escravidão e da expansão cafeeira no estado de São Paulo. Os artefatos encontrados ajudam a imaginar formas de ocupação da senzala pelos escravizados do lugar. O levantamento arqueológico foi elaborado pelo professor Paulo César Marins, atual diretor do Museu Paulista da USP e as escavações, realizadas entre 2022 e 2015.
Joana
D’Arc de Oliveira, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e de
Design (FAU-USP) e autora do livro Da
senzala para onde? Negros e negras no pós-abolição em São Carlos–SP (1880/1910), é uma das coordenadoras do projeto que
pesquisa a presença negra na Fazenda Pinhal no pós-abolição. Destaca que, se o
sobrenome dos antigos proprietários nunca foi esquecido, os achados recentes ajudam a recuperar parte da memória dos negros que ali viveram, ou seja, além do aspecto
cultural, os artefatos encontrados revelam formas de repressão e apagamento da
população negra no pós-abolição. Aponta a professora e pesquisadora que muitas arquiteturas negras, sobretudo
do período escravista, foram destruídas não só com o discurso “é preciso
destruir esses símbolos de violência”, mas também porque esses artefatos e edificações
“não faziam parte do repertório selecionado pelos órgãos de preservação como
representativos do patrimônio edificado nacional”.
As escavações revelaram diferentes camadas de piso: o original de terra batida, e, em níveis mais recentes, cimento queimado e lajota, em época de outros moradores. Foram encontrados objetos como moedas de 1827 e de 1926, bicos de pena, ampolas de vidro, fragmentos de louça, vestígios de práticas religiosas de origem africana (cachimbos e contas de colares) e de fogueira. Fogueiras sempre representaram espaços de socialização – rituais, reuniões, histórias, conversas, práticas culturais, transmissão de saberes. Representavam o “focolare” italiano, o fogo do lar, da lareira, ao redor do qual toda uma vida comunitária existia.
Hoje, além de receber visitas, a Fazenda do Pinhal sedia um Centro de Estudos, Pesquisa e Educação (Cepe), cujo intuito é entender e reinterpretar o passado do local. A implementação foi coordenada pela professora Lucília Siqueira, docente da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Referências
https://fazendadopinhal.com.br/
https://acervo.fazendadopinhal.com.br/
https://anitadimarco.blogspot.com/2016/06/memoria-vida-como-cusco-me-levou-roma.html
https://anitadimarco.blogspot.com/2023/02/ecos-arqueologicos-de-lobato-ao.html
https://anitadimarco.blogspot.com/2023/03/ecos-culturais-niede-guidon-arqueologa.html
https://anitadimarco.blogspot.com/2023/03/ecos-arqueologicos-sitios-brasileiros.html





