Cada língua é um sistema organizado, dinâmico e vivo que reúne sons,
palavras e regras de determinada comunidade. Os falantes e membros daquele
grupo se comunicam e se entendem por meio dessa língua. Mas como todo sistema dinâmico,
as línguas também se renovam e se modificam, conforme o uso da sociedade. Algumas palavras surgem em determinadas épocas e situações, os
chamados neologismos; passada aquela fase, podem sumir, deixar de ser tão utilizadas (os chamados
arcaísmos); em outros casos permanecem e passam a integrar o léxico daquela língua. Hoje
em dia, em tempos de internet, redes sociais e jogos virtuais, muitas palavras
derivadas do inglês surgiram, se mantiveram e acabaram assimiladas no dia a dia
da nossa língua. São termos como deletar, printar, escanear, hater, flopar,
stalker, meme, entre outras.
Porém, por mais que sejamos “antenados”, nem sempre conseguimos
absorver no dia a dia essas novas palavras. O fato é que quanto mais lemos,
maior a nossa capacidade de perceber e entender os novos termos, Mas, confesso
que tenho saudade de algumas palavras, daquelas que usávamos nas aulas de
Português na escola primária, quando tínhamos que escrever redações, então chamadas
de Composições.
Algumas palavras ou regras, mesmo não sendo mais usadas, não me
saem da cabeça – mesóclise, por exemplo. Próclise e ênclise, a colocação dos
pronomes no início e depois do verbo, ainda existem e são usadas, mas
mesóclise? Por favor... Aliás, será que os mais jovens sabem o que é? Duvido, podem até ter
ouvido falar, mas, há décadas, a tal mesóclise não é mais usada. Só mesmo
ao nos lembrarmos de certas frases como “vê-lo-ei sem falta”. Outras colocações
pronominais estranhíssimas grudam na nossa memória, como frases de certos
políticos (JQ), como o famoso “Fi-lo porque qui-lo”.
Mas, saindo dos pronomes e falando de substantivos e adjetivos, gosto
de me lembrar de alguns deles e ver como caberiam em uma frase. Vejamos:
Balela – Rima com bala
amarela, mas não é; é sinônimo de conversa fiada, boato, lorota, mentira ou, em
termos tristemente atuais, “fake news”.
Cacareco – Coisa que
todos têm, em maior ou menor grau, não é verdade? Tralhas, trastes, bugigangas
ou cacarecos são aqueles objetos desnecessários, de pouco valor que vamos
juntando ao longo da vida...
Cafuné e chamego – Duas
palavras doces, gostosas de pronunciar. Quem não gosta de um cafuné, um afago, um
mimo? Ou de um chamego, um carinho?
Carraspana – Bronca,
repreensão da pesada. Levar uma bronca vá lá... mas uma carraspana... dá até
medo!
Furdunço – Adoro! É muito bom, sonoro, simpático e bem icônica.
Significa confusão, algazarra, balbúrdia. Aliás balbúrdia é fenomenal!
Faniquito – Outro termo totalmente
icônico. Visualizem alguém tendo um faniquito, um chilique, um troço. Impagável!
Lambisgoia – Aquela
pessoa chata, antipática, metida, fofoqueira... E como tem lambisgoia nesse
nosso mundo!
Pindaíba – Só de falar já sinto pena da
pessoa. Penúria, quebradeira; estar muito duro, em situação financeira
lastimável... Que dó!
Quiproquó – Bem, esse termo meio complicado traduz confusão, equívoco,
engano, uma coisa pela outra, resultado de um mal-entendido.
Serelepe – Aquela criança inquieta, esperta,
agitada, que não sossega, que não se cansa, mas que é divertida e muito gracinha!
Supimpa – Algo ou alguém ótimo,
excelente, perfeito. Meu pai usava muito. Você conhece muita gente supimpa?
Tabefe – Tapa, bofete, bofetada ou sopapo... Machado de Assis usou o
termo em Quincas Borba... tadinho do cachorro!
Traquinas – Nem sei se
alguém usa hoje, mas é um termo antigo para a criança danada, levada da breca, arteira, travessa!
Xodó – Palavra gostosa de pronunciar e
de lembrar; algo ou alguém muito estimado, afeto, estima ou uma preferência. Todo
mundo tem um xodó, não?
Enfim, a recomendação é sempre a mesma: vale ler, ler, ler, reler,
lembrar e usar as nossas lindas palavras... Tenho outras tantas, mas vou deixar
para uma próxima vez. E você? Quais são as suas preferidas?
Referências
https://www.aulete.com.br/
https://ohoje.com/2024/10/11/palavras-do-portugues-que-nao-existem-em-outros-idiomas/
https://observalinguaportuguesa.org/50-palavras-antigas-que-desapareceram-da-lingua-portuguesa/