sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Ecos Urbanos | Terminal de Cruzeiros


Terminal de Cruzeiro de Leixões. Foto: Anita Di Marco, out.2018.

Uma das coisas fantásticas de viajar é que que você conhece in loco algumas obras só vistas antes em livros e revistas. Numa dessas viagens, fiquei encantada com o Terminal de Cruzeiros de Leixões, em Matosinhos, na região da cidade do Porto em Portugal. O projeto do terminal, inaugurado em 2015, é de autoria do arquiteto e professor da Faculdade de Arquitetura do Porto (FAUP), Luís Pedro Silva. Executada a pedido da APDL - Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo, SA (+ Universidade do Porto), a obra de 17.500 m2 tinha dois objetivos principais: melhorar a eficácia comercial do porto, associada à atividade dos cruzeiros, e integrar a área portuária a Matosinhos.  
 

   Localizado a menos de um quilômetro do distrito de Matosinhos e a cerca de 10 km da Ribeira do Porto, o terminal é o ponto de união entre as três principais funções do complexo:  cais de navios de cruzeiro, porto para embarcações de recreio e o novo arruamento de acesso à cidade. Além das salas de embarque/ desembarque, serviços de apoio aos navegantes de recreio, restaurante e estacionamento, abriga o Polo de Mar e de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto, e a sede do CIIMAR – Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha da Universidade do Porto, bem como várias unidades de pesquisa na área marítima (da Biologia à Robótica).  
Terminal de Cruzeiros. Imagem: https://www.apdl.pt
Uma rampa helicoidal integra todas as funções internas em um espaço de pé-direito quádruplo. A fachada revestida por cerca de um milhão de azulejos brancos fabricados pela Vista Alegre, as linhas curvas e a estrutura em espiral atraem o olhar de quem chega de navio, ou de quem percorre a avenida beira-mar, em Matosinhos. O branco, as ondulações e as nuances da luz, ao longo do dia, reforçam a direção do olhar.
Mais informações e agenda de visitas:  cruise.porto@apdl.pt 

Referências:
https://www.apdl.pt/terminal-passageiros-sul

domingo, 9 de dezembro de 2018

Ecos Imateriais | A respeito do satsanga


Escultura: https://www.formascoloridas.com.br/
Satsang é um termo sânscrito que significa encontro de comunidades com SAT (a origem, o Ser, a Verdade), ou seja, um grupo que caminha junto em busca da Verdade (Sathya). É uma forma de se reconectar com a essência, de manter o objetivo, de voltar-se para a fonte (a consciência original), já que somos filhas e filhos desconectados da nossa origem. Ao longo da vida e cada um a seu tempo, todos podem chegar a compreender que nada está separado do Todo; que tudo que há é a Consciência Indivisível e Ilimitada e que nós somos essa consciência: SAT. Evoluir, portanto, é tomar consciência de que todos somos parte do Todo, do UNO indivisível, de que somos SAT.  

A meditação nos ajuda nesse mergulho em direção à essência, mas os satsangas, em especial, são momentos importantes porque confirmam nosso caminho, nossas escolhas e recarregam nossas baterias. Quanto estamos juntos, estimulamos uns aos outros para continuar na busca da ação correta, apesar das circunstâncias. Os satsangas podem conter cânticos, mantras, kirtans, diálogos, concentração e meditação e, por trás disso está a ideia de despertar Bhakti, a energia do coração, da devoção e do amor, no seu sentido mais puro e profundo. Isso ajuda a aguçar o discernimento (viveka em sânscrito), que é a capacidade de discernir o irreal do Real, o impermanente do Eterno, a mentira da Verdade) e nos ajuda nessa reconexão com a nossa melhor parte.
Satsanga 2017. Foto: Anita Di Marco

 O teólogo Leonardo Boff (1938), em sua sempre atual trilogia, Virtudes para um outro mundo possível (Petrópolis: Vozes, 2006), salienta três virtudes como base de um convívio humano saudável e enriquecedor para criar uma cultura de paz, não violência e devoção ativa. São elas: hospitalidade, convivência e o comer e beber juntosCada uma tem efeitos profundos que se ramificam:
- A hospitalidade leva à acolhida, à cordialidade, à amorosidade; 
- A convivência leva à tolerância, ao respeito ao outro e ao diferente;
- O comer e beber juntos leva à solidariedade por meio da sacralidade da partilha e da comunhão.
Nossos satsangas visam celebrar a Vida, lembrar e alcançar tudo isso. Para tanto, os preparativos também recebem cuidado, atenção e afeto: na escolha do tema, da mensagem e dos mantras, na organização do espaço, das frutas e flores, sempre buscando sacralizar nossas ações, celebrar e agradecer à Vida. 
Esperamos que cada participante traga o mesmo empenho e atitude. Afinal, tudo flui melhor quando o indivíduo toma consciência da necessidade de fazer sempre o seu melhor e de se colocar por inteiro em cada ação, em qualquer lugar e em qualquer momento.  
Namastê!  
Espaço DHARMA de Yoga | Recanto da Serenidade
Satsanga de encerramento 2018
Quando: Quinta-feira, 19 dez. 2018, às 18h15
Onde: Lá na Kaká. Varginha- MG.
Recomendações: se puder, use branco e traga flores e frutas secas ou frescas.
 

sábado, 1 de dezembro de 2018

Ecos Culturais | A arte diz Presente!


As figuras de Rob Heard. https://www.bbc.com/news/uk-england-london-46125068
 A Arte sempre se colocou a serviço da sociedade: como representação, como denúncia, como protesto, como ato de solidariedade. Aqui no Anita Plural já publiquei vários posts de obras de artistas ativistas, entre elas a do chinês Weiwei, denunciando as formas desumanas de tratar imigrantes (aqui).
Na semana de 08 a 18 de novembro de 2018, em Londres, ainda dentro das comemorações para celebrar o centenário do final da Primeira guerra Mundial, a arte se fez novamente presente e atuante.Trata-se da instalação Shrouds of the Somme (Mortalhas de Somme) do artista Rob Heard, que passou os últimos cinco anos criando manualmente cada uma das mais de 72.000 figuras, com cerca de 30 centímetros cada, dispostas no Parque Olímpico de Londres, para que as as famílias de soldados mortos na Batalha de Somme, uma das mais sangrentas da primeira guerra, pudessem, de alguma forma, “recuperar” os corpos de seus queridos. As famílias dos soldados foram convidadas a comparecer e adquirir as figuras, que cobriram uma área de 1200 metros quadrados de 8 a 18 de novembro de 2018.
Rob Heard e a Torre Orbital. Imagem: https://www.bbc.com/news/uk-england-london.
Outra obra de arte foi pano de fundo para a tocante instalação. Trata-se de um dos mais conhecidos trabalhos de outro inovador artista, o escultor Anish Kapoor (Bombaim, 1954), cujas obras estreitam os limites entre arte e arquitetura e exploram elementos opostos (vida-morte, luz-escuridão, terra-céu, matéria-espírito, vísivel-invísivel, masculino-feminino, corpo-mente). A instalação de Heard foi feita aos pés da obra mais conhecida de Kapoor: a Orbital, torre circular, inclinada e torcida (ou The ArcelorMittal Orbit Tower), instalada e construída para marcar a realização dos jogos olímpicos de 2012, em Londres. Selecionada em concurso público em 2009, a peça de aço pesa 1.400 toneladas, tem 115 metros de altura (22 metros mais alta que a Estátua da Liberdade) e carrega o título de obra pública mais alta da Grã-Bretanha.
É admirável e um privilégio perceber como a arte surge, se transforma e atua no nosso mundo.
  
References:
https://www.bbc.com/news/uk-england-london-46125068
https://www.shroudsofthesomme.com/