“Los años que me faltan” (Milka Magtorre)
Nunca lo había pensado así, hasta que una mañana, con el
café humeando y el gato mirándome con flojera, entendí que los años que tengo…
ya no los tengo.
Sí, suena raro, pero es la verdad. Esos años que digo
tener ya se fueron, se quedaron en fotografías, en carcajadas viejas, en amores
que ya no duelen, en ropa que ya no me queda y en sueños que mudaron de forma.
Los verdaderos años que tengo son los que me faltan por
vivir, los que aún no me han visto reír a carcajadas, los que todavía me
guardan un abrazo, una charla bajo la luna o un brindis inesperado.
A esta edad una entiende que el tiempo ya no se mide en
velitas ni en arrugas nuevas, sino en momentos que valen la pena, en risas que
se quedan y silencios que no pesan.
Los años que me faltan quiero gastarlos lento, sin prisas,
con la calma de quien ya no necesita demostrar nada.
Ya no me preocupa si el reloj corre o si la vida cambia de
planes. Que corra, que cambie, que me sorprenda. Lo único que quiero es que los años que me quedan sean
míos, realmente míos… vividos con el alma abierta, el corazón en paz y la
certeza de que todo lo que fui, con errores y aciertos, me trajo hasta aquí.
Y aquí estoy: tomando café, viendo pasar la vida por la
ventana, agradeciendo los años que ya no tengo… y abrazando con amor los que me
faltan por vivir.
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A tradução desse mesmo texto, agora atribuído a Pablo Neruda
Nunca tinha pensado nisso desta forma, até que uma manhã, com o café fumegando, compreendi que os anos que tenho… já não os tenho.
Sim, soa estranho, mas é a verdade. Aqueles anos que digo ter já se foram, permanecem em fotografias, em risos antigos, em amores que já não doem, em roupas que já não me servem e em sonhos que mudaram de forma.
Os verdadeiros anos que tenho são os que me restam para viver, os que ainda não me viram rir às gargalhadas, os que ainda guardam um abraço, uma conversa sob a lua ou um brinde inesperado.
Nesta idade, compreende-se que o tempo já não se mede em velas ou novas rugas, mas em momentos valiosos, em risos que se prolongam e em silêncios que não nos pesam.
Quero passar os anos que me restam devagar, sem pressa, com a calma de quem já não precisa de provar nada. Já não me preocupo se o relógio está a correr. Ou se a vida mudar de planos, que ela siga seu curso, que mude, que me surpreenda.
Tudo o que eu quero é que os anos que me restam sejam meus, verdadeiramente meus… vividos com a alma aberta, o coração em paz e a certeza de que tudo o que fui, com meus erros e acertos, me trouxe até aqui.
E aqui estou eu: tomando café, observando a vida passar pela janela, grato pelos anos que já não tenho… e abraçando com carinho aqueles que ainda viverei."
Referências
https://anitadimarco.blogspot.com/2020/05/ecos-literarios-autoria-de-chapeu.html
https://anitadimarco.blogspot.com/2015/09/paisagem-construida-fernao-dias.html
https://www.boatos.org/redes-sociais
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