Arte e natureza
estão muito mais interligadas do que conseguimos imaginar. Aliás, há momentos em que não
sabemos onde termina uma e onde começa a outra, e vice-versa. Paraty,
cidade histórica, que parece uma miniatura e uma exposição a céu aberto, não só por sua natureza, seu patrimônio, seu casario, mas também pelos muitos ateliers e estúdios de arte da cidade, há tempos, acolheu uma artista que uniu e une lindamente os dois termos.
Patricia Sada, artista plástica e cenógrafa mexicana nascida em Monterrey, mora há décadas no Brasil. Depois de inúmeras
exposições coletivas e individuais, no início dos anos 1980 na Espanha e no México, a artista apaixonou-se por Paraty e fixou residência
na cidade. Em 1982 fundou o Traço Atelier, estúdio onde trabalha
e expõe suas obras, basicamente pintura e escultura, usando tinta acrílica e colagens sobre variados suportes: tela, papel,
madeira, cerâmica.
Em contato com nossa natureza, nossos cenários naturais e cores, Patrícia fez uma linda parceria, seja como inspiração
visual, táctil, de cor ou de efeitos. Vivenciando
diariamente a riqueza da Mata Atlântica, a artista descobriu a arte presente no
próprio jardim e na natureza. A cada novo dia, ela observa, admira e recolhe sementes,
troncos, cascas de árvores, gravetos e folhas, materiais
que lhe abriram um mundo de possibilidades. Com eles, pesquisa, separa, junta,
corta, cola, amarra, pinta, tece, experimenta, cria e encanta, dando
textura, cor e volume às obras. Seu
trabalho com a natureza é tão reconhecido que os próprios
moradores, caiçaras, pescadores e barqueiros, levam até a artista os materiais
e troncos que o mar traz até o cais. Em geral, ela utiliza elementos de árvores como guapuruvu e
embaúba, em variadas criações.
A
primeira vez que visitei seu atelier, há quase dez anos, de imediato
identifiquei os gravetos do guapuruvu, uma árvore alta, com belo tronco ereto,
liso e cinza, e copa com galhos que parecem mãos abertas erguendo-se aos céus. Fiquei
encantada com a forma com que a artista os utilizava. Esses gravetos sempre fizeram parte da minha
vida, ou melhor da vida das minhas crianças – saíamos a procurar esses gravetos e vínhamos carregados. Brincávamos com eles como se
fossem espadas, cortávamos os maiores em pedaços menores para fazermos jogos,
cercas e figuras, fazíamos feixes dos maiores, os maiores serviam para
acender a lareira nos meses de frio e separávamos as sementes, similares a favas, como
fichas para jogos. Tudo isso além das lindas flores amarelas, que enfeitam
sua copa, as calçadas e as ruas.
A natureza é inequivocamente admirável, rica, bela e sempre presente. A arte, visível em toda parte, também é cotidiana... Basta saber ver! A artista conseguiu juntar ambas em suas criativas composições.
Além disso, ela é também autora dos livros “Paraty, traçados de um centro histórico”, com 155 páginas ilustradas com lindas aquarelas, e "Aquarelas de Paraty", edição bilíngue, ambos com texto de Maria Fernanda Freire Luiz e minha tradução. Os livros foram publicados pela Alter Market.
Referências
Blog: http://patriciasada.blogspot.com
Site: http://www.patriciasada.com.br
E-mail: atelierpatriciasada@gmail.com
https://www.facebook.com/patriciasadaarte/photos/detalhe/986457256857045/
https://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoas/527-patricia-sada
https://culturaalternativa.com.br/atelies-de-arte-em-paraty/
https://www.guiaculturalcostaverde.com.br/?locais=traco-atelier-patricia-sada&lang=en
https://anitadimarco.blogspot.com/2016/07/paisagem-destruida.html
https://anitadimarco.blogspot.com/2021/09/ecos-urbanos-pandemia-e-sustentabilidade.html




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