sexta-feira, 1 de maio de 2026

Ecos Humanos | Omelete de amoras


W. Benjamin
Quando ouvi, pela primeira vez, a parábola da omelete de amoras, fiquei deslumbrada e reflexiva. Viajei no tempo e me lembrei de situações há muito vividas. A história é do ensaísta, crítico literário, tradutor, filósofo e sociólogo judeu alemão Walter Benjamin (1892-1940) que, dentre obras de peso como A Obra de Arte na Era da Sua Reprodutibilidade Técnica (1936) e A Tarefa do Tradutor, também escreveu uma singela parábola sobre a incapacidade de recriar sensações vivenciadas em determinados momentos especiais da infância ou do passado. 
Acredito que muitos leitores já devem ter ouvido a respeito, mas faço questão de contá-la, já que o tema é sempre pertinente. A versão aqui usada é uma tradução de Leandro Konder. Vamos a ela: 

 

O rei e a omelete | Walter Benjamin (trad.: Leandro Konder)

Era uma vez um rei que tinha todos os poderes e tesouros da Terra, mas apesar disso não se sentia feliz e a cada ano ficava mais melancólico. Um dia, ele chamou seu cozinheiro preferido e disse: – Você tem cozinhado muito bem para mim e tem trazido para a minha mesa as melhores iguarias, de modo que lhe sou agradecido. Agora, porém, quero que me dê uma última prova de sua arte. Você deve me preparar uma omelete de amoras igual àquela que comi há cinquenta anos, na infância. Naquele tempo, meu pai tinha perdido a guerra contra o reino vizinho e nós precisamos fugir; viajamos dia e noite através da floresta; chegamos a uma cabana, onde morava uma velhinha, que nos acolheu generosamente. Ela preparou para nós uma omelete de amoras. Quando a comi fiquei maravilhado: a omelete era deliciosa e me trouxe novas esperanças ao coração. Na época eu era criança, não dei importância à coisa. Mais tarde, já no trono, lembrei-me da velhinha, mandei procurá-la, vasculhei todo o reino, porém não foi possível localizá-la. Agora, quero que você me atenda a esse desejo: faça uma omelete de amoras igual à dela. Se conseguir, eu lhe darei ouro e o designarei meu herdeiro, meu sucessor no trono. Se não conseguir, entretanto, mandarei matá-lo.

Então o cozinheiro falou: – Senhor, pode chamar imediatamente o carrasco. É claro que conheço todos os segredos da preparação de uma omelete de amoras, sei empregar todos os temperos. Conheço as palavras mágicas que devem ser pronunciadas enquanto os ovos são batidos e a melhor técnica para batê-los. Mas isso não me impedirá de ser executado, porque a minha omelete jamais será igual à da velhinha. Ela não terá os condimentos que lhe deixaram, senhor, a impressão inesquecível; não terá o sabor picante do perigo, a emoção da fuga, não será comida com o sentido alerta do perseguido, não terá a doçura inesperada da hospitalidade calorosa e do ansiado repouso, enfim conseguido. Não terá o sabor do futuro estranho e do futuro incerto.

Assim falou o cozinheiro. O rei ficou calado, durante algum tempo. Não muito mais tarde, consta que lhe deu muitos presentes, tornou-o um homem rico e despediu-o do serviço real.

- - -

Em outras palavras, não se pode recriar emoções. A experiência é sempre única e está atrelada ao tempo, ao espaço e à uma dada situação. Não há bis, não há replays, não há reprises e uma lembrança é só uma lembrança. Apenas a emoção vivida num determinado momento e lugar é capaz de alterar o sabor, o olfato e as nossas sensações mais comezinhas. 

Referências 

https://educacao.sme.prefeitura.sp.gov.br/wp-content/uploads/Portals/1/Files/6014.pdf 

sexta-feira, 24 de abril de 2026

Ecos Urbanos | Gentrificação

Derivado do inglês gentrification (de gentry, “pequena nobreza”), o termo gentrificação surgiu,  na década de 1960, ao ser usado pela socióloga britânica Ruth Glass, para descrever as mudanças que ela observava nos bairros de Londres, quando grupos de maior poder aquisitivo, aos poucos, iam ocupando bairros então ocupados por classes trabalhadoras e como isso afetava as relações existentes nessas áreas, como a organização social, a espacial e a econômica. 

https://123ecos.com.br/docs/gentrificac

Essa mudança de ocupação, pode-se dizer, é um processo gradativo e comum nas nossas cidades. Pode ocorrer naturalmente ou a partir de uma proposta de “recuperação /transformação/ renovação” de uma área degradada. Regra geral, acontece aos poucos, de forma sutil, quando pela localização estratégica da área ou, às vezes, por indução artificial do mercado, o bairro começa a atrair investidores e indivíduos com maior renda. A partir daí, o local começa a mudar de padrão, com melhores serviços e todo o perfil da região se altera: o custo dos imóveis dispara, o uso se modifica, os moradores locais perdem o acesso à moradia e aos serviços então oferecidos e, após anos morando ali, acabam sendo literalmente expulsos para bairros mais distantes, onde o custo de vida é menor, mas sem toda a infraestrutura necessária à moradia. 

Aqui no Blog Anita Plural já abordei esse tema em várias ocasiões. Menciono apenas dois desses posts, cuja leitura vale a pena: A história e as mesmas histórias  e Os mitos da colonização.

Em tradução, essa estratégia tem o nome 'enobrecimento' (do inglês enoblement), como definida pelos teóricos do campo de estudos da tradução. Ocorre quando o tradutor, por algum motivo a ser justificado, “modifica” o original e acaba usando termos mais nobres do que os utilizados pelo autor. Sem entrar no mérito das estratégias tradutórias, pode-se dizer que o mesmo ocorre nas cidades. Um bom exemplo, fora do Brasil, é a região leste de Londres, onde foi criado o Parque Olímpico para os Jogos de 2012. Quem viu Londres antes de 2012 e vê hoje nota claramente a diferença de padrão e de usos. Aqui também temos bons exemplos em áreas centrais, históricas ou no entorno de projetos de infraestrutura das grandes cidades: Vila Madalena, Jardim Paulista e o próprio Centro em São Paulo; Lapa, Vidigal e o Porto Maravilha, no Rio de Janeiro; a área portuária do Recife e de Porto Alegre, só para citar algumas.

Ainda que essas intervenções possam trazer benefícios – ruas mais limpas, edifícios mais bem cuidados, maior segurança e serviços de melhor qualidade –, elas também têm um forte impacto social na área atingida com a quebra dos laços, relações sociais e rede de apoio da comunidade local. Ou seja, não só mudanças demográficas e econômicas, mas também transformações culturais e estruturais dos espaços urbanos, sem levar em conta o trauma causado aos usuários originais pelo seu deslocamento forçado. Toda uma rede de trabalhadores do cotidiano é obrigada a se deslocar para locais mais acessíveis financeiramente, cada vez mais distantes. Isto implica outra série de problemas e desajustes, como a necessidade de criação de uma rede mais ampla de transporte público de massa e de serviços      

 

Ocorre que as cidades, desde os tempos da colonização, sempre tiveram uma ocupação heterogênea, sobretudo nas áreas mais centrais, por isso, em geral, o centro é tão vivo. Quem ganha com essa mudança? Com certeza, não é a população local, mas o mercado imobiliário e os investidores de plantão. Tudo agravado pela falta de fiscalização do poder público e ausência de propostas concretas e efetivas de políticas públicas, inclusive habitacionais. Infelizmente, porém, essas intervenções, cada vez mais recorrentes, acabam se normalizando e moldando nossas cidades.

Pedregulho. RJ Affonso Eduardo Reidy. Habitação social de qualidade, década de 1940. (https://revistahaus.com.br/haus/reacao-urbana/investir-em-projetos-de-habitacao-social-e-preciso/)

 
O poder público tem a obrigação de atuar, com firmeza, tendo a cidade como alvo de ação constante, no sentido de investir, aprimorar sua infraestrutura, seus equipamentos e serviços, em prol de uma melhor qualidade de vida para todos. A cidade é coletiva. Por isso, seja nas áreas mais centrais ou nas periféricas, é preciso também dar a opção à população original de permanecer no local. Um dos principais procedimentos para conter esse processo de gentrificação é implementar políticas de habitação popular criando habitação de interesse social, regulando o valor dos aluguéis, implantando o aluguel social, implementando ações de retrofit de edifícios e casarões antigos, garantindo o uso misto e diferentes tipologias de habitação, mesmo em um único edifício ou conjunto, criando áreas verdes, bons equipamentos e serviços para todos.

Muitas vezes, porém, e temos visto isso acontecer cada vez mais, o poder público deixa a decisão final aos empreendedores imobiliários que desconsideram essa população, porque seu objetivo principal é o lucro. Então, impulsionados pelo mercado, muitos processos de gentrificação se disfarçam sob o rótulo de revitalização. Dessa forma, os antigos bairros “remodelados” ficam mais elitizados, as disparidades socioeconômicas da cidade são acentuadas, os empregos criados podem não mais ser acessíveis aos moradores originais devido à distância do local de moradia e, em resumo, a população é esquecida e a cidade é vendida ao setor imobiliário. É isso que você quer para sua cidade?

Referências

ALCÂNTARA, Maurício Fernandes de. “Gentrificação”. In: Enciclopédia de Antropologia. São Paulo: Univ. de São Paulo, Departamento de Antropologia, 2018. Disponível em: http://ea.fflch.usp.br/conceito/gentrificacao. ISSN: 2676-038X (online)

BRAGA, Emanuel Oliveira. Gentrificação. In: GRIECO, Bettina; TEIXEIRA, Luciano; THOMPSON, Analucia (Orgs.). Dicionário IPHAN de Patrimônio Cultural. 2. ed. rev. e ampl. Rio de Janeiro, Brasília: IPHAN/DAF/Copedoc, 2016. (verbete). ISBN 978-85-7334-299-4.

https://anitadimarco.blogspot.com/2020/07/ecos-culturais-historia-e-as-mesmas.html

https://anitadimarco.blogspot.com/2025/08/ecos-urbanos-os-mitos-da-colonizacao.html

 

https://habitatbrasil.org.br/gentrificacao/

https://ea.fflch.usp.br/conceito/gentrificacao

http://portal.iphan.gov.br/dicionarioPatrimonioCultural/detalhes/78/gentrificacao 

https://123ecos.com.br/docs/gentrificacao/

https://123ecos.com.br/docs/gentrificacao/

https://revistahaus.com.br/haus/reacao-urbana/investir-em-projetos-de-habitacao-social-e-preciso/

segunda-feira, 20 de abril de 2026

Ecos Imateriais | Cultos Exteriores 1/2

Religião é um termo de origem latina (religio) que significa religar, reconectar. Daí, a noção de religião ser algo que nos liga ou reconecta à nossa parte mais nobre, nossa essência divina, ao sagrado em nós. Hoje, as três maiores religiões praticadas no mundo são o Cristianismo (incluindo o Protestantismo), predominante nas Américas e na Europa; o Islamismo, mais no Sudeste Asiático e na Europa; e o Budismo e o Hinduísmo, juntas, mais difundidas na Ásia. Segundo o censo de 2022, no Brasil há o predomínio do Cristianismo, com 87% da população, sendo 57% católicos, 27% evangélicos, 3% espíritas. As religiões de matriz africana, como o candomblé e a umbanda, embora muito comuns, aparecem com menos de 2%. Declararam-se sem religião 9% dos entrevistados. 
 
 A História nos mostra que, como componente da cultura humana, as religiões têm diferentes sistemas, crenças, ritos, rituais, templos, livros sagrados e cultos exteriores, e sempre foram motivo de disputas, dissensões e inúmeras guerras. Mas será que são assim tão diferentes? Judaísmo, Islamismo e Cristianismo, surgidas nessa ordem, foram as primeiras religiões monoteístas, ou seja, acreditavam na existência de um único Deus, diferentemente das antigas religiões politeístas. Embora uma das mais antigas, o judaísmo hoje tem poucos seguidores, na comparação com as demais. O monoteísmo foi, portanto, primeiro praticado no Oriente Médio e só depois se espalhou pela Europa.


O Cristianismo tem como livro sagrado a Bíblia, dividida em duas partes – o Antigo e o Novo Testamento. Aquele trata da criação, o Pentateuco (os livros de Moisés), das profecias, histórias e narrativas antes do nascimento de Jesus, cujo surgimento mudou o calendário, enquanto o Novo Testamento trata de passagens e fatos ocorridos após o nascimento dele, na Palestina. Traz, em especial os quatro Evangelhos (Matheus, Lucas, Marcos e João) que apontam para o comportamento ideal do cristão e as diversos textos e epístolas, ou cartas, escritas pelos apóstolos às primeiras comunidades cristãs. O objetivo maior do cristão, tendo como modelo a ação amorosa exemplificada por Jesus, é crescer em amor e caridade e, para isso, seguir duas regras: amar a Deus antes de qualquer coisa e ao próximo como a si mesmo. Transformada em religião oficial do Império Romano em 392, o Cristianismo se espalhou pela Europa, gerou guerras e conflitos sem fim. Aos poucos, a doutrina cristã foi entrando em várias sociedades e culturas. No Brasil, chegou pelas mãos dos franciscanos e jesuítas. Algumas vertentes são a Igreja Ortodoxa, com mais adeptos na Europa, o Protestantismo, a partir da Reforma promovida por Martinho Lutero (séc. 16) e a Igreja Católica Apostólica Romana. Esta se baseia nos ensinamentos de Jesus e na autoridade do papa, sucessor de Pedro. A salvação viria da prática de boas obras e da fé em Jesus.  
 
O Islamismo, religião monoteísta fundada pelo Profeta Maomé, em 622, segue Allah, Deus na língua árabe, e se submete a ele. Daí o termo islamismo, já que "Islã" significa “submissão”. Aqueles que obedecem a "Alá" e aceitam Maomé como seu profeta, são chamados de muçulmanos. O livro sagrado do Islamismo é o "Alcorão" ou "Corão", onde estão reunidas as palavras que Deus revelou a Maomé, entre 610 e 632, para guiar a humanidade. Embora se refira à comunidade islâmica antiga, o Corão oferece orientação moral para povos de todos os períodos e raças. Nele são reconhecidas passagens do Antigo Testamento judaico e cristão, no qual Jesus é considerado um grande profeta. A Lei Sagrada do Islamismo é a Sharia, ou “estrada”, que regula todos os aspectos da vida humana. Suas regras abrangem deveres religiosos essenciais, ou os “cinco pilares”: oração, fé, caridade, jejum (exceto idosos e crianças) e peregrinação a Meca. Reconhecido como profeta, líder religioso e fundador do Islamismo, Maomé faleceu em 632, após ter espalhado a mensagem de Alá em grande área da Península Arábica.

Considerado uma filosofia de vida e um sistema ético, o Budismo nos lembra que tudo é impermanente. O foco central é a busca individual pela iluminação, seguindo os preceitos de Buda (Iluminado, Desperto), qualificativo atribuído a Siddharta Gautama, no século VI a.C. O Budismo nasceu na Índia, numa região onde hoje é o Nepal, e de lá se expandiu para a Ásia e para o mundo. Para atingir a iluminação, o devoto deve focar no que é permanente e acatar quatro nobres verdades, a saber: a existência do sofrimento, o desejo como causa do sofrimento, a necessidade de eliminar o desejo e, portanto, o sofrimento e, por fim, o modo de superá-lo. Este modo é o chamado Nobre Caminho Óctuplo: compreensão correta, intenção correta, fala correta, ação correta, energia correta, esforço correto, consciência correta e concentração correta. Como ensinamentos básicos, o budismo pede ao praticante para fazer o bem, evitar ações não virtuosas e dominar a própria mente, por meio da meditação e do estudo dos sutras contidos no livro sagrado Tripitaka, sobretudo no Dhammapada, antologia mais acessível com os ensinamentos de Buda relativos à ética, à meditação e à sabedoria.

Terceira maior religião do mundo e uma das mais antigas, o Hinduísmo atinge cerca de 1 bilhão de fiéis. Mais que uma religião, é uma forma de vida e um tratado filosófico que influencia os modos de pensar, alimentar-se e de se relacionar dos hindus. Origina-se na 
pré-história e remonta à Índia antiga. Porém, os Vedas (conhecimento) foram escritos no período pré-clássico (1500-500 a.C.), pelos invasores arianos, trazendo um conjunto mais uniforme de crenças e sistemas. A depender de sua vertente, o hinduísmo pode ser considerado politeísta, com centenas de divindades, ou monoteísta, se os deuses forem considerados como manifestação do próprio Brahma (o criador). Como no Catolicismo, o Hinduísmo têm uma trindade: Brahma (criador), Shiva (destruidor/transformador) e Vishnu (preservador), além de deuses menores. Não há um fundador, como em outras religiões e as muitas divindades fazem parte do cotidiano das pessoas. Em geral, o culto diário é realizado nos altares de cada lar e a visita aos templos, embora não seja obrigatória, é bastante praticada. Respeita-se e recita-se os textos sagrados, a maioria em sânscrito, que trazem tratados religiosos, filosóficos, cânticos, sabedoria e narrativas míticas e épicas sobre os deuses da Índia antiga, como a descida dos deuses à Terra em encarnações divinas, os chamadas "avatares". Os textos sagrados incluem os Vedas, as Upanishads, o Bhagavad Gita dentro do Mahabhárata e o RamayanaDado marcante no hinduísmo é a crença na reencarnação, a partir da noção do carma, lei moral de causa e efeito. O objetivo do devoto é a libertação do ciclo de reencarnações e, para isso, suas práticas incluem rituais de adoração, orações, recitação de textos religiosos, prática de mantras, meditações, estudos, jejum e práticas físicas, como o ioga. Basicamente, acredita-se e pratica-se o princípio da não violência, em todos os níveis. Vale destacar que o ioga, como praticado no Ocidente, é muito mais um sistema de autoconhecimento para criar um corpo saudável e uma mente tranquila e presente.

Continua na próxima postagem 

Referências

https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/43593-censo-2022-catolicos-seguem-em-queda-evangelicos-e-sem-religiao-crescem-no-pais  

https://ihu.unisinos.br/categorias/653070-a-nova-fotografia-da-religiao-no-brasil-segundo-o-censo-de-2022-artigo-de-jeferson-batista  

https://cebb.org.br/o-que-e-o-budismo/ 

https://en.wikipedia.org/wiki/Buddhism  

https://www.todamateria.com.br/budismo/  

https://www.todamateria.com.br/hinduismo/ 

https://brasilescola.uol.com.br/religiao/hinduismo.htm  

https://www.todamateria.com.br/cristianismo/   

https://www.significados.com.br/cristianismo/