Ocorre que, no Nordeste brasileiro, xilogravura e literatura de cordel são, praticamente, artes irmãs. Como se deu esse
parentesco? Bem, a
xilogravura chegou ao Brasil com a Corte Portuguesa e foi usada por artistas
estrangeiros para ilustrar seus livros e anúncios. Por meio de jornais da época, no século XX, as ilustrações em xilogravura ganharam destaque
na literatura de cordel, expressão artística que é sinônimo da identidade e da
cultura nordestinas. Por isso, desde 2018, a literatura de cordel faz parte do nosso Patrimônio Cultural Imaterial. Desde
então, xilogravura e cordel convivem amigavelmente. Dentre vários artistas que misturam essas duas artes, citamos o cearense Abraão Batista (de Juazeiro), o carioca Ciro
Fernandes (do Rio de Janeiro), o paulista Marcelo Alves Soares (de São Paulo), o
baiano Minervino Francisco Silva (de Itabuna) e os pernambucanos Dila ou José
Ferreira da Silva (de Bom Jardim), José Costa Leite (de Condado), Severino Gonçalves
de Oliveira (de Recife) e Paulo (Pablo) Borges, filho do renomado gravurista J. Borges
(de Bezerros), num conhecimento que vem de geração em geração. ![]() |
| J. Borges. Divulgação |
Sua última exposição, intitulada "J. Borges - O sol do sertão”, foi montada em junho
de 2024 no Museu do Pontal, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Foi a maior retrospectiva de seus trabalhos em mais de 60 anos de produção, reunindo cerca
de 200 obras, como xilogravuras, folhetos da literatura de cordel, documentos e
inúmeras matrizes em madeira. No mesmo museu, também foi exposto o painel “Asa Branca”, de 24 metros quadrados, pintado em 2025 por Pablo Borges, gravurista filho de J. Borges, que segue o legado do
pai.
A exposição teve a consultoria de Maria Alice Amorim, autora do livro “J. Borges: entre fábulas e astúcia” (2019, Editora Cepe). Para ela, o sucesso do artista vem de abordar “temas universais sem deixar de ser um cronista de sua aldeia”, como também fazia certo escritor mineiro de Cordisburgo, um gigante da literatura mundial que, por sorte, nasceu aqui no nosso país.
Nunca é tarde para conhecermos e darmos o devido valor às muitas dimensões da nossa rica e diversa cultura. Um viva às nossas manifestações culturais, um viva às nossas raízes, um viva à literatura de cordel e um viva enorme ao Nordeste brasileiro!
Referências
https://www.sescsp.org.br/editorial/j-borges-mestre-da-madeira/
https://crab.sebrae.com.br/a-arte-de-j-borges/
https://avisala.org.br/index.php/assunto/sustanca/a-arte-da-gravura-na-madeira/


Conheci o museu de xilogravura de Campos do Jordão! Fiquei encantada com todo acerco que ali encontrei! Agradeço Annita a oportunidade de relembrar esse momento e direcionar nosso olhar para esse patrimônio material de nosso país
ResponderExcluirOi, Manu, ainda não fui lá, mas já me falaram que e muito legal... Um dia ainda vou... Beijos, querida.
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