quinta-feira, 8 de maio de 2025

Ecos Humanos | O arquétipo da mãe

Segundo o psicólogo e psiquiatra suíço Carl Gustav Jung (1875–1961), arquétipos são modelos universais de pensamentos e comportamentos, herdados de nossos ancestrais. Representam padrões desenvolvidos ao longo do tempo e da evolução humana, constituindo uma espécie de inconsciente coletivo. Foram desenvolvidos por Jung como um modo de explicar a estrutura da psique humana e como ela se manifesta em nossas vidas.  
 
Esses arquétipos podem aparecer em mitos, religiões, sonhos e histórias ao redor do mundo. Quando ativados, influenciam, às vezes de forma inconsciente, pensamentos, emoções e comportamentos das pessoas. Conhecê-los e tomar consciência deles, portanto, pode ser uma forma que o indivíduo tem de se entender melhor, entender melhor seus tipos de relacionamento, os outros e o mundo em geral.  
 
Alguns dos mais conhecidos são: o mago, que fala da busca pelo conhecimento e transformação da realidade; o governador, que caracteriza a busca pelo poder, domínio e imposição de sua visão de mundo; o herói inspirador, que fala de coragem e força de vontade para superar obstáculos em prol de uma causa maior; o da mãe, arquétipo crucial para todos, porque representa a figura materna universal, fonte de vida, símbolo de fertilidade, criatividade, cuidados e sacrifícios, trazendo a ideia da nutrição, cuidado e segurança.  

Na cultura, na arte, na história das civilizações e de cada povo, vemos essas representações femininas da mãe, como as figuras de Gaia; de Ísis, na mitologia egípcia; de Deméter e Perséfone, na grega; da Virgem Maria no cristianismo, entre outras. Como uma grande deusa, a mãe nos dá a vida, ama, cuida, nutre, acolhe, orienta e protege seu filho dos  perigos do mundo, deixando que cada um busque seu caminho de transformação. Esse caminho vai desde o bebê indefeso a um adulto consciente e maduro, pronto para enfrentar os desafios da vida e trilhar sua própria jornada de crescimento.  Ademais, como a imagem da mãe é muito forte, além de ser uma das primeiras para o bebê, essa figura pode ter consequências permanentes na formação da psique desse indivíduo. E como cada arquétipo também pode ter seu lado negativo, no da mãe, isso pode se traduzir, por exemplo, por ciúme, apego, controle excessivo, superproteção. Nesse caso, a mãe abafa o filho e o impede de crescer.

Como tudo na vida, conhecimento e consciência são fundamentais. Daí a importância de cada mulher, que também é filha de alguém, desenvolver a consciência e ter noção da responsabilidade do que significa ser mãe: gerar, proteger, nutrir e preparar, de forma equilibrada, o filho para o mundo. 

Feliz Dia das Mães!

Referências

https://arquetiposnapratica.com.br/os-12-arquetipos-de-jung/

https://thebrain.blog/pt/o-arquetipo-da-mae/

http://www.portaldapsique.com.br/Artigos/Arquetipo_da_Grande_mae.htm

https://www.institutoesfera.org/blog/psicologia-analitica/os-arquetipos-junguianos/ 

https://arquetiposnapratica.com.br/os-12-arquetipos-de-jung/ 

sexta-feira, 2 de maio de 2025

Ecos Imateriais | Yoga como filosofia de vida

institutoagf.com.br/combate-ao-sedentarismo

O convite contemporâneo para “mover-se e exercitar-se” veio para ficar. Isso é bom, porque o sedentarismo não ajuda ninguém, ao contrário. A vida precisa de saúde, atividade física e mental, alegria e movimento, mas, como dizia minha avó, usando e abusando de cautela e bom senso!  

Da mesma forma, de uns anos para cá, a prática de yoga parece ter entrado na moda. Antes disso, comecei a praticar yoga, no final dos anos 1970, no Centro de Estudos de Yoga Narayana, em Higienópolis, em São Paulo, numa época em que não havia tanta procura. Uma querida colega de trabalho do Departamento do Patrimônio Histórico (DPH-SMC/SP), Márua Roseni Pacce, hoje no Núcleo de Yoga Ganesha, me convidou para fazer uma aula sua. No início, duvidei que fosse continuar, porque, havia praticado ginástica rítmica e balé durante anos e, na faculdade, jogava basquete, vôlei e até corrida, quando necessário. Teoricamente, eu não era uma praticante nata ou tradicional de yoga, mas, para minha surpresa, fui, fiz a aula, continuei e estou na área até hoje.

À época, não havia tantos professores, cursos, escolas, reportagens, textos ou livros. Tínhamos que garimpar juntos, mas íamos praticando, estudando, lendo, discutindo e aprendendo em grupo. As reuniões semanais de professores, às quartas-feiras às 13 horas, deixaram saudades. Foi uma época muito rica, de troca, convivência e aprendizado. Tudo era novo para mim e, como boa aquariana, eu bebia as novidades aos borbotões e ia atrás de muitos outros conteúdos. Assim, o tempo foi passando. Fiz o curso básico de formação de professores no próprio Narayana, tornei-me instrutora de yoga e comecei a dar aulas lá mesmo, com o ambicionado uniforme roxo que caracterizava seus professores. Havia uma aura de não-sei-quê em quem usava aquele uniforme.

Depois, no início dos anos 80, ganhei uma bolsa de estudos e fui fazer uma pós em Roma, na área de Patrimônio Histórico, mas continuei praticando yoga e estudando. Na volta, além do trabalho como arquiteta, continuei minha prática e, no final dos anos 1980, eu me mudei para Varginha, Sul de Minas. Lá criei o Espaço Dharma de Yoga, em 1990.

FMU - Prof. Deveza, Shimada e Filla.

Senti necessidade de me aperfeiçoar e fiz uma pós-graduação em yoga na Uni-FMU (Faculdades Metropolitanas Unidas) em São Paulo, em curso coordenado pelo professor Marcos Rojo e vinculado ao Instituto de Yoga de Kayvalyadhama, em Lonavla, na Índia. Além da presença de um ou outro indiano, o nível dos professores brasileiros era altíssimo: J.Hermógenes, Lia Diskin, S.Shimada, Cesar Deveza, Manoel Collaço, Daisy Rodrigues, Liliam Gulmini, José Antônio Filla, Monja Cohen, João Vieira  e  muitos outros.

Em Varginha, apesar da conhecida cisma mineira, no início consegui manter três turmas semanais de yoga, depois duas e, religiosamente, mantive as duas turmas por 34 anos. Durante as aulas, sempre aliei estudos teóricos à prática, tendo por alicerce o conhecido compêndio Yoga Sutras de Patanjali, base do Raja Yoga, que une ética à técnica. Além disso, sempre fizeram parte do meu dia a dia no yoga, como voluntária, oficinas, estudos teóricos, palestras e atividades ao ar livre, para várias entidades, inclusive religiosas, o que prova que o yoga vai além de qualquer doutrina religiosa. Ao contrário, permite que cada um pratique melhor e com mais consciência sua própria religião.

O que quero dizer com isso é que o yoga foi chegando devagarinho, como um convite distante e discreto, e hoje faz parte de mim; deixou de ser algo externo para se tornar uma filosofia de vida e um convite permanente ao autoconhecimento, como se estivesse lá no fundo me chamando, desde sempre. Só posso agradecer, namastê!  

Referências:

https://anitadimarco.blogspot.com/2018/05/ecos-imateriais-grandes-do-yoga-shimada.html

https://anitadimarco.blogspot.com/2017/05/ecos-imateriais-grandes-do-yoga-celeste.html

https://anitadimarco.blogspot.com/2016/03/vida-yoga-ao-mestre-hermogenes-com.html

https://institutoagf.com.br/combate-ao-sedentarismo