terça-feira, 31 de julho de 2018

Ecos Tradutórios | 12º Barcamp de Tradutores e Intérpretes de SP


 Finalmente consegui participar, pela primeira vez, de um barcamp, aquele encontro entre profissionais locais, uma reunião horizontal, colaborativa e democrática, em um espaço aberto para discussões, opiniões, troca de experiências, aprendizado, inspiração, apoio e networking. Uma reunião compartilhada e organizada, mas não engessada. No nosso caso, um encontro de tradutores. Aliás, na nossa profissão, esse tipo de reunião é vital porque, no mais das vezes, a tradução é um serviço bem solitário. 

De alguma maneira, tais encontros poderiam, talvez, ser comparados às famosas jam sessions do universo musical, nas quais diferentes músicos tocavam juntos, interagiam uns com os outros e criavam. Só que, diferentemente das jam sessions, os barcamps têm hora para começar e para acabar. Mas nem por isso são menos abertos, agradáveis, colaborativos e enriquecedores. 

Embora já existam práticas de barcamps em todo o mundo e em várias cidades brasileiras (Curitiba, São Paulo, Recife, Campinas, São Bernardo, por exemplo), o conceito ainda é relativamente novo entre nós e tive que explicar seu significado a alguns conhecidos. Termo originado no universo das novas mídias, o barcamp é entendido como “desconferências”, ou seja, aquelas reuniões ou encontros profissionais horizontais, realizados de forma a desburocratizar grandes palestras, facilitar a troca de ideias, informações e conhecimentos, trazendo benefícios a todos os participantes, aos que “teoricamente” sabem mais e estão há mais tempo na lida, ou aos que “teoricamente” sabem menos e estão se preparando para o mercado de trabalho. 

A ideia dos barcamps de tradutores e intérpretes, portanto, é deliciosamente democrática, colaborativa e aberta. Cada evento tem gradações, características e regras próprias e o que vale é que todos podem divulgar, propor e discutir, promovendo troca de ideias e aperfeiçoamento profissional entre os participantes. Como se sabe, em qualquer área a união de muitos é bem mais poderosa e eficaz do que a força individual de cada um.

Como disse a colega tradutora curitibana, Sheila Gomes, organizadora do primeiro encontro de tradutores em Curitiba, em 2013, “o barcamp é, antes de tudo, uma ideia. Que contagiou várias pessoas, mas que não impõe regras, nem obrigações sociais, nem ônus de qualquer tipo” (*). A partir de outubro de 2014, os tais encontros foram oficialmente batizados na cidade com o nome de barcamps e, a capital paranaense, por exemplo, já realizou mais de 35 deles. 

O 12º Barcamp de Tradutores e Intérpretes de São Paulo, organizado pelas colegas tradutoras Andréia Manfrin, Cátia Santana, Claudia Muller e Édi Oliveira, foi realizado no dia 28 de julho de 2018, na Biblioteca Alceu Amoroso Lima, no bairro de Pinheiros, na capital paulista.

Quem me conhece sabe que não me contenho toda vez que vejo um nome próprio em uma instituição, ponte ou edifício. Pesquiso e gosto de saber quem foi o personagem que batizou a referida obra. Acabo descobrindo que alguns são merecedores da homenagem, outros nem tanto. O julgamento fica a critério de cada um, mas ao menos o leitor terá dados necessários para fazer sua própria análise. Pois bem, Alceu Amoroso Lima (1893, Rio de Janeiro-RJ—1983, Petrópolis-RJ) foi escritor, filósofo social, crítico literário e professor universitário. Como crítico literário, adotou o pseudônimo de Tristão de Ataíde. Católico ativo, foi membro da Academia Brasileira de Letras, membro fundador da PUC-RJ e, após o golpe militar de 1964, atuou com sua pena na defesa dos direitos humanos, publicando vários artigos contra a ditadura. Escreveu inúmeros livros e morreu aos 90 anos, dois anos depois da morte da esposa, com quem foi casado por sessenta anos. 
Bingo! Esse mereceu a homenagem de ter seu nome ligado a um edifício público.

Bom, depois de saber quem foi o personagem que emprestava seu nome à simpática biblioteca, no bairro de Pinheiros, iniciou-se o 12º Barcamp de São Paulo. Fato a destacar foi a presença de vários participantes de fora da cidade, que estavam em férias na capital paulista e resolveram comparecer, o que sempre enriquece cada evento.

No encontro, a tradutora Edi Oliveira, no mercado há mais de 40 anos,  falou sobre o tema “ Como achar “aquela” palavra”, focalizando diversas formas de pesquisa. Mencionou a importância de se começar a busca a partir dos preciosos arquivos pessoais e deu dicas de como fazer uma pesquisa mais detalhada tanto em arquivos Pdf ou do Word, através do próprio Windows. Citou dois programas especiais de busca: o Agent Ransack e o XBench, ambos grátis, destacando que só a versão 2.9 do XBench é gratuita.  

Com relação a pesquisas na internet, mencionou endereços já conhecidos como Wikipedia, Manypedia, os glossários do Proz, IATE, Linguee, Portal da Microsoft e o canadense Termiuns, trazendo exemplos de cada um deles. Destacou a necessidade de sempre verificar as informações encontradas e lembrou ainda da existência do Mycroft Project, repositório de milhares de glossários cujos links, porém, nem sempre estão atualizados.

Falou dos principais buscadores, dentre eles o Google (normal e o acadêmico), o Bing (da Microsoft), o Yahoo (talvez já meio antigo) e o Duck-duck-go, destacando que a vantagem deste último é que o site afirma não rastrear o usuário em suas pesquisas. A ver... Destacou as melhores formas de pesquisar por etapas, como no Google, por exemplo, acrescentando o termo buscado com ou sem aspas, com a inserção de símbolos como +, -, *, ou acrescentando palavras como léxico, glossário, base de dados, ou ainda notações seguidas de outros termos, como por exemplo, o termo a pesquisar + glossário + intext/allintext... restringindo o campo pesquisado e, de certa maneira, facilitando a vida do tradutor.  

A tradutora terminou sua apresentação enfatizando que busca é diferente de validação e falou da necessidade de confirmar, em sites confiáveis, os resultados obtidos na busca. Concluiu lembrando que “nada é 100% confiável, nem mesmo a sua própria tradução, e que tudo precisa ser duplamente pesquisado, pensado e validado”. 

Depois das apresentações dos presentes (cerca de 40 tradutores e/ou estudantes), como sempre, o lanche compartilhado e oferecido pelos próprios participantes foi o momento de maior entrosamento, troca de experiências e cartões. Vários colegas que trabalhavam com o idioma chinês acabaram fazendo contato durante o cafezinho comunitário. O mesmo ocorreu com profissionais especialistas em outros assuntos: a área médica ganhando de lavada, seguida por colegas da tradução jurídica e finanças. Vários tradutores juramentados estiveram presentes, profissionais mais generalistas e outros bem especializados, como nas áreas de arquitetura, urbanismo e afins (meu caso) ou religiões, astrologia, ocultismo, as macumbarias em geral, como jocosamente colocou a colega tradutora. 

Finalizando o 12º Barcamp de Tradutores e Intérpretes de SP, seguiu-se um bate-papo com representantes da Abrates, a Cristiane Tribst, e do Sintra, Daniel Erlich, a respeito das duas instituições. 

Parabéns aos organizadores de todos os barcamps! Foi uma experiência agradável e leve de troca e aprendizado. Ficamos aguardando o próximo! Sugestões?

Relato de Anita Di Marco e fotos de Cátia Santana.

segunda-feira, 9 de julho de 2018

Ecos humanos | Três décadas


  Há 30 anos, minha vida mudou. Vim para Varginha, no Sul de Minas e, além dos afazeres pessoais (familiares) e profissionais (aliando urbanismo e patrimônio cultural à tradução e às letras), logo comecei a dar aulas de yoga, como já fazia em São Paulo.  Desde então, não parei mais e só deixei de dar aulas em duas ocasiões: quando meu pai faleceu e quando tive um probleminha de saúde, mesmo assim, uma querida amiga e aluna me substituiu...
Hoje, 30 anos depois, quero dizer da minha gratidão a cada um que, em algum momento, fez parte dessa caminhada. Sou imensamente grata:
- À ciência transformadora do yoga, às suas tradições e a seus mestres; 
- A todos os meus professores, nos diversos cursos, práticas, oficinas, retiros, escolas, encontros e momentos da vida; 
- A Valéria N., artista plástica que me encontrou, por intermédio da psicóloga Wanda F., e solicitou as primeiras aulas, oferecendo-me o primeiro espaço para a prática do yoga, ao lado de seu restaurante vegetariano, no Jardim Andere;
- A Marlene P., uma das primeiras alunas na nova cidade e que me ofereceu, após o fechamento do restaurante, uma sala em sua academia de dança, na qual fiquei por quase 15 anos;
- Aos profissionais e amigos que me incentivaram a mudar para novos espaços, como o de Raquel A., nos quais trabalhei por outros tantos anos e, finalmente,
- A Ana Clara, minha querida e doce Kaká, professora de yoga e de vida, que generosamente me acolheu e me acolhe todos os dias...
Sou grata ainda:
- Ao professor Phanuel Rabello, por sua presença tranquila e suave entre nós, pelo incentivo e pelas lições cotidianas de paciência e convivência amorosa;
- Aos alunos do Projeto Social Bem-te-vi, que me ensinaram muito mais do que eu a eles e, finalmente,
- A todos os queridos alunos e amigos que encontrei pelo caminho, por me estimularem a prosseguir sempre; alunos e amigos que aqui me acompanharam e/ou acompanham por tanto tempo, alguns ainda desde aquela primeira salinha...há exatos 30 anos.
Sem cada um de vocês, eu não estaria aqui e não seria o que sou hoje. Todos me auxiliaram e enriqueceram bem mais do que podem imaginar.... 
Espero também ter deixado boas pegadas, ao longo desses 30 anos...
Namastê!