quinta-feira, 31 de maio de 2018

Ecos Musicais | Águas de Março

 Antônio Carlos Jobim e Elis Regina: dois nomes que dispensam apresentações e que sempre me trouxeram e trazem boas lembranças. No vídeo abaixo, Águas de Março em duas versões: lindamente cantada por Elis Regina e na versão em inglês, pelo compositor. 

Elis Regina - "Águas de Março" - Ensaio - MPB Especial - 3:55. Publicado por: Trama TV- Enviado em 17 de out de 2007.  
Águas de Março

É pau é pedra / É o fim do caminho / É um resto de toco / É um pouco sozinho...
 É um caco de vidro / É a vida é o sol/É a noite é a morte / É um laço é o anzol...  
É peroba do campo / É o nó da madeira Caingá, Candeia / É o matita-pereira...
É madeira de vento/Tombo da ribanceira/É um mistério profundo/É o queira ou não queira
É o vento ventando / É o fim da ladeira /É a viga é o vão / Festa da Cumeeira...
É a chuva chovendo / É conversa ribeira/Das águas de março / É o fim da canseira...
É o pé é o chão / É a marcha estradeira /Passarinho na mão / Pedra de atiradeira...
É uma ave no céu / É uma ave no chão /É um regato é uma fonte / É um pedaço de pão...
É o fundo do poço / É o fim do caminho/No rosto um desgosto / É um pouco sozinho...
É um estrepe é um prego/É uma ponta é um ponto/É um pingo pingando/É uma conta é um conto...
É um peixe é um gesto/ É uma prata brilhando/É a luz da manhã / É o tijolo chegando...
É a lenha é o dia / É o fim da picada/É a garrafa de cana / Estilhaço na estrada...
É o projeto da casa / É o corpo na cama/É o carro enguiçado / É a lama é a lama...
É um passo é uma ponte / É um sapo é uma rã /É um resto de mato / Na luz da manhã...
São as águas de março / Fechando o verão/E a promessa de vida / No teu coração...
É uma cobra é um pau / É João é José/É um espinho na mão / É um corte no pé...
São as águas de março / Fechando o verão/É a promessa de vida / No teu coração...
É pau é pedra / É o fim do caminho /É um resto de toco / É um pouco sozinho...
É um passo é uma ponte / É um sapo é uma rã /É um belo horizonte / É uma febre terçã...
São as águas de março / Fechando o verão/É a promessa de vida / No teu coração...
-Pau, -Edra, -Im, -Inho / -Aco, -Idro, -Ida, -Ol
São as águas de março / Fechando o verão/É a promessa de vida / No teu coração...
 Em inglês: Tom Jobim Águas de março - 3:52. Enviado por Celsobe em 1 nov 2009   


Waters of March 
A stick, a stone, it's the end of the road/It's the rest of a stump, it's a little alone
It's a sliver of glass, it is life, it's the sun/It is night, it is death, it's a trap, it's a gun 
The oak when it blooms, a fox in the brush/A knot in the wood, the song of a thrush
The wood of the wind, a cliff, a fall/A scratch, a lump, it is nothing at all
It's the wind blowing free, it's the end of the slope/It's a beam it's a void, it's a hunch, it's a hope
And the river bank talks of the waters of March/It's the end of the strain/The joy in your heart
The foot, the ground, the flesh and the bone/The beat of the road, a slingshot's stone
A fish, a flash, a silvery glow/A fight, a bet the fange of a bow
The bed of the well, the end of the line/The dismay in the face, it's a loss, it's a find
A spear, a spike, a point, a nail /A drip, a drop, the end of the tale
A truckload of bricks in the soft morning light
The sound of a shot in the dead of the night
A mile, a must, a thrust, a bump, /It's a girl, it's a rhyme, it's a cold, it's the mumps
The plan of the house, the body in bed/And the car that got stuck, it's the mud, it's the mud
A float, a drift, a flight, a wing/A hawk, a quail, the promise of spring
And the river bank talks of the waters of March/It's the promise of life, it's the joy in your heart
A stick, a stone, it's the end of the road/It's the rest of a stump, it's a little alone
A snake, a stick, it is John, it is Joe/It's a thorn in your hand and a cut in your toe
A point, a grain, a bee, a bite/A blink, a buzzard, a sudden stroke of night
A pin, a needle, a sting a pain/A snail, a riddle, a wasp, a stain
A pass in the mountains, a horse and a mule/In the distance the shelves rode three shadows of blue
And the river talks of the waters of March/It's the promise of life in your heart
A stick, a stone, the end of the road/The rest of a stump, a lonesome road
A sliver of glass, a life, the sun /A knife, a death, the end of the run
And the river bank talks of the waters of March/It's the end of all strain, it's the joy in your heart... 

sexta-feira, 18 de maio de 2018

Ecos Imateriais | Bom Humor e Saúde

 Em geral, a maioria das pessoas não percebe como age quando fica irritada, estressada, ansiosa e como isso é desagradável para os que lhe são próximos. Não percebe sequer o quanto tempo passa nessa situação de mau-humor, de ansiedade, de estresse. 

Imagine um chefe ranzinza, grosseiro, sem paciência e sem nenhuma delicadeza no trato com os funcionários; imagine um funcionário rude, mal-humorado ou um amigo, um professor, um aluno, qualquer pessoa que reclama de tudo – da chuva, do frio, do calor, do sol, da neve, do vento, das folhas das árvores no chão, da falta de sombra, do excesso de sombra, da falta de sinalização, das leis, do não cumprimento das leis, do que os "outros" fazem, do que não fazem etc... 

Conhece alguém assim? Alguém que reclama do tempo, da cidade, do espaço, da vida, do país, dos colegas e até de si mesmo.... Difícil, não é? Imagine aquela pessoa que parece um trator, ou melhor, uma metralhadora giratória: você fala algo que a desagrade e ela vem com 50 pedras, 34 facões, 46 palavrões e otras cositas más. Ora, convenhamos, é muito difícil e nada prazeroso conviver com uma pessoa assim, certo? 
 Imagem: http://reneschubert.blogspot.com.br/2016/05/
Só que essas pessoas não percebem que criam em torno de si, um tipo de aura negativa que se conecta com outras negatividades similares. Isso não é nada esotérico. É física pura, lei da atração e da sintonia. A mente sofre, o emocional sofre e o corpo, também. Aliás, o corpo é o primeiro que recebe essa carga de negatividade. O corpo tudo registra e a tudo reage, tanto a emoções positivas como a emoções negativas. Há milênios, as medicinas chinesa e indiana nos alertam sobre como emoções e estados de espírito afetam nossos órgãos internos e nossa imunidade.
Então, é preciso atenção constante ao tipo de pensamentos, sentimentos e palavras que usamos no nosso dia a dia, ao tipo de vibração que emitimos, porque tudo isso acabará conformando aquele microambiente com poder de elevar nossos pensamentos e nosso estado de espírito e, portanto, trazer-nos as cores da saúde, ou não. São nossas escolhas. Mas, atenção, isso não significa conformismo. Significa uma atitude positiva e ativa, não reativa.


No livro Cartas e Crônicas, Chico Xavier traz uma passagem
que guardo sempre comigo, como lembrete e alerta  às 
nossas atitudes, muitas vezes, tão mecânicas e impensadas.

  “[...] Conte meu caso para quem ainda carrega a bobagem do azedume! Fale do perigo das zangas sistemáticas, insista na necessidade da tolerância, paciência, da serenidade e do perdão! Rogue aos companheiros para que não percam a riqueza das horas com suscetibilidades e amuos, explique ao pessoal na Terra que mau humor também mata!
 (Crônica de Belarmino Bicas, no livro Cartas e Crônicas, Irmão X, psicografia de Francisco Cândido Xavier. Federação Espírita Brasileira).

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Ecos Imateriais | Grandes do Yoga - Shimada

Shotaro Shimada (1929 - 2009) 

Quem subia  a Consolação esquina com a Caio Prado, em São Paulo, no início dos anos 1970, podia ver a placa branca com dizeres na cor preta do “Instituto de Yoga Shimada”.  Um dos grandes precursores (talvez o primeiro) e responsáveis pela divulgação do yoga no Brasil, o professor Shimada tinha muito a ensinar. 

Além dele, devo destacar os nomes do professor Hermógenes (ver aqui),incansável aprendiz e mestre que popularizou a ciência do yoga como ninguém, da professora Celeste Castilho (ver aqui),   do professor Caio Miranda, primeiro tradutor de dois textos clássicos do hatha yoga, o Hatha Yoga Pradipika e o Gheranda Samhita, e a professora Maria Helena de Bastos Freire, estudiosa, séria e comprometida com a pureza do yoga e com a tradição, e meu primeiro contato e norte na ciência maravilhosa do yoga, no Centro de Estudos Narayana, em São Paulo. Foi lá, na tranquila rua Ceará do bairro de Higienópolis que comecei meus primeiros estudos, práticas e onde fiz meu primeiro curso de formação em yoga.   

O professor Shotaro Shimada, quando jovem, foi um dos pioneiros da prática e ensino do judô no país, além de praticante premiado e professor. Descobriu o yoga, estudava e praticava com outros alunos como Celeste Castilho e sempre ressaltava a importância da ligação dessa prática com a saúde e a medicina, daí seu interesse no aspecto científico do yoga. Atento e metódico, participava das aulas de anatomia fisiologia e patologia da Escola Paulista de Medicina, na Vila Mariana, para entender e sedimentar seu aprendizado vinculando yoga à saúde. De suas incursões nessa área vem o vínculo com o Instituto de Ioga de Kayvalyadhama em Lonavla, na Índia, ainda na década de 1960.  

Dr. Cesar Deveza, Shimada e J.A. Filla foram três admiráveis professores de yoga e de vida. Além deles, faltaram na foto e na legenda Collaço, Marcos Rojo, Monja Cohen, Lia Diskin, Daisy Rodrigues, João Vieira, Gerson Daddio...  A eles, minha eterna gratidão. 

 Pioneiro, divulgava o yoga na TV e despertava a curiosidade dos espectadores em relação àquela prática estranha. Sempre estudioso, programava vindas de mestres indianos, como Swami Vyjoyananda da Ordem Ramakrishna do Brasil, de quem se tornaria discípulo e amigo.  Shimada aprendia e transmitia o que aprendia. Mais do que isso, praticava o que aprendia e o que ensinava. Era coerente, humilde, um eterno e curioso estudante, como todos deveriam ser. Aprendiz, pioneiro, interessado, humilde e comprometido, cotidianamente humilde e comprometido. 

Durante o primeiro curso de pós-graduação em yoga, realizado em São Paulo pela FMU, curso coordenado pelo muito querido professor Marcos Rojo, Shimada nos dizia que a respiração era o maior dom que havíamos recebido da Vida e que, por isso, respirar bem era fundamental para manter a saúde. Aos 90 anos, como um jovem praticante, ele fazia três séries longas (quase 100 expirações cada série) de uma técnica conhecida como kapalabhati, e fazia questão de dizer que praticava todas as manhãs. Era admirável.

Foi um privilégio tê-lo conhecido, ter tido aulas com ele e ter aprendido, ao menos um pouco, com sua postura diante da Vida, sua atitude prática e diária de aprender e agir com base no poder transformador do yoga. E aprender significa transformar-se, mudar comportamentos!  


Lançado em 2008, pela Editora Phorte, seu livro escrito com Wagner Carelli, “Shotaro Shimada, A ioga do mestre e do aprendiz. Lições de uma vida simples para a plenitude”, relata sua experiência de vida e aponta caminhos de ação, não de reação. O livro mostra um pouco da grandeza do professor Shimada.
Só encontro uma palavra para terminar este texto: gratidão!
Namastê, professor Shimada, onde quer que esteja.