terça-feira, 31 de outubro de 2017

Ecos Literários | Viagem ao Mundo Invisível



 Carmem Vieira Brandão é mineira, natural de Timóteo, mas reside em Varginha, Sul de Minas, há mais de 30 anos.  Colega da Academia Varginhense de Letras, Artes e Ciências – AVLAC, há tempos, ela se aventura pelo mundo das artes, das letras, dos poemas e dos livros. 

Professora de Literatura, poeta nas horas vagas e autora de vários títulos,  em seu mais recente trabalho – Viagem ao Mundo Invisível –, a autora explora exatamente o que diz o título, em uma deliciosa aventura do menino Diogo a São Thomé das Letras, também no Sul das Gerais. Uma viagem à cidade das pedras e a um mundo oculto aos olhos materiais... um mundo real, mas em outra dimensão. Evidente, podemos estender o conceito a tudo o que vemos - às pessoas, às paisagens, ao mundo natural, às nossas cidades. 

De forma leve, graciosa e que atrai nossa atenção, a autora faz, em última instância, um alerta para o cuidado que todos devem ter no viver, no agir, no caminhar pelo mundo e nas marcas que cada um deixa ao longo de sua caminhada pela vida. Com Diogo e Pablo, outro personagem do livrinho, as crianças, sem dúvida, aprenderão mais facilmente e desde cedo, a cuidar do nosso planeta. Os adultos já sabem ou deveriam saber, mas nunca é tarde para relembrar... Ótima leitura para crianças, jovens e adultos... 

Viagem ao Mundo Invisível
Carmem Brandão
São Paulo: Madras, 2017.   96 p. 
https://madras.com.br/viagem-ao-mundo-invisivel

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Ecos Imateriais | Quietude




O reino da quietude, que os sábios conquistam pela meditação, é também conquistado pelos que praticam ações; sábio é aquele que compreende que as duas coisas, a intuição mística e a ação prática, são uma só em sua essência.
- Bhagavad Gita
 

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Ecos Humanos | Homenagem da Arquitetura

Edição especial da Revista Projeto, n. 102.
Gratidão, reconhecimento, consideração e dimensão histórica são atributos que parecem estar em falta no mundo de hoje. O individualismo parece ser a tônica. Então é essencial reconhecer e  aplaudir iniciativas que tragam de volta ao cotidiano tais sentimentos, ainda que em escalas diferentes para os vários tipos de observadores. Tive a oportunidade de vivenciar um desses emocionantes momentos, durante a realização do V Docomomo - SP, na terça-feira, 17 de outubro. Explico.

Docomomo é uma organização internacional sem fins lucrativos que, desde 1988, se ocupa com a documentação e conservação dos bens arquitetônicos, sítios e bairros criados sob a égide do Movimento Moderno (MoMo). Aqui, além do Docomomo Brasil, há ainda vários grupos regionais que atuam na mesma linha, através de pesquisas, ações, seminários, publicações entre outras atividades. 

Este ano de 2017, o Docomomo-SP, sob a coordenação da arquiteta Ruth Verde Zein com o título ARQUITETURAS DO PATRIMÔNIO MODERNO PAULISTA | RECONHECIMENTO, INTERVENÇÃO, GESTÃO (ver aqui)  realizou um evento impecável com apresentações, palestras, mesas e discussões de alta qualidade, com uma enorme riqueza de conteúdo, reflexões e sugestões. 
Montagem a partir dos desenhos da arquiteta Leda Brandão de Oliveira.
 A própria definição e o recorte temporal da arquitetura moderna mudam de local para local. No caso da cidade de São Paulo, o recorte vai dos anos 1920 até a década de 70 e, na capital paulista, desde 1972, uma publicação sempre esteve envolvida com a arquitetura, primeiro paulista, depois brasileira e internacional. De início, era um jornal, Jornal Arquiteto, mais local com discussões da categoria dos arquitetos; depois passou à revista, denominada Projeto, cuja primeira edição é de 1979. 

Sempre pioneira na divulgação da nossa arquitetura, não há um arquiteto que não a conheça ou não a tenha usado como fonte de pesquisa. Até hoje. Minha coleção que o diga.... A edição da foto acima, edição n.102 é prova disso, como muitas outras. A Projeto mostrou a arquitetura brasileira para o próprio Brasil, numa época em que as redes sociais não existiam, que os artigos na grande mídia sobre arquitetura e urbanismo eram pouquíssimos e a reflexão e as discussões sobre arquitetura e urbanismo eram abafadas. Havia silêncio e vazio, ainda que houvesse discussões pontuais e pesquisas isoladas no país. Os tempos também eram abafados...
Arq.Ruth Verde Zein, coordenadora do V Docomomo SP e idealizadora da homenagem. Foto: Anita Di Marco
À frente da revista, desde sua origem, o jornalista Vicente Wissenbach, já condecorado, em 2010 com a Medalha Edgar Graeff, pelo Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB), durante o 19º Congresso Brasileiro de Arquitetos, e um dos responsáveis pela criação da Bienal de Arquitetura de Buenos Aires, que completou 30 anos em 2015. Mais que um editor, Vicente era aquele sujeito generoso, de mente aberta que acolhia os projetos, as novidades, dava chance a novatos e enriquecia suas páginas com as propostas de seus colaboradores, propostas ousadas, muitas vezes: seminários, encontros, discussões, exposições, ensaios, pesquisas. 
Da esq. para a direita: Vicente Wissenbach, Cecília Rodrigues dos Santos (SP), Carlos Eduardo Comas (RS) e Margareth Pereira (RJ). Foto: Anita Di Marco
 Tive a chance e o privilégio de ser uma das colaboradoras e participar de tempos heroicos da revista. Em uma época em que falar e pensar era algo perigoso, reunir-se na Projeto para sonhar, criar,  discutir, divulgar e questionar, através da arquitetura, era algo inestimável. Sonhávamos junto com tantos outros entusiasmados colegas que viraram amigos queridos na arquitetura, na tradução ou na vida, espalhados pelo Brasil, pela América Latina, pelo mundo.  Por isso, a homenagem tem valor, porque não nos deixa esquecer. O passado, a origem das coisas, os caminhos e as referências históricas não podem se perder sob pena de triturar tudo em um mar de superficialidades.

Com o tempo, planos econômicos e dificuldades, a revista Projeto mudou de dono, mas o nome de Vicente Wissenbach continua firme como grande representante da luta pela valorização do papel do arquiteto e do urbanista, entre outras lutas... Continua sua jornada, de quase meio século difundindo nossa arquitetura, em feiras, palestras, bienais, outras publicações físicas e virtuais, questionando as políticas habitacionais, as políticas públicas, perguntando-se a razão de a cidade e o urbano não serem considerados assuntos cotidianos da grande mídia.

Alguns dos colaboradores de anos da Revista Projeto: Guilherme Mazza Dourado, Hugo Segawa, Mariza, Hosana Pedroso, Marisa Barda, Cecília R. dos Santos, Anita Di Marco, Sílvia Penteado, Ruth Verde Zein, Denise Yamashiro. Sentado: o homenageado e pai da Projeto.Foto: Noemi Z.Teles
O V Docomomo, além de sua rica programação, prestou uma bela e merecida homenagem a Vicente Wissenbach, cuja generosidade, inteligência e perspicácia deu oportunidade para que jovens arquitetos pudessem, com o tempo, transformar-se em excelentes profissionais, professores e críticos de arquitetura e design.  Nada melhor do que juntar a homenagem à comemoração pelos 30 anos de lançamento da edição número 102 da Projeto, número especial que comemorava os 50 anos do Ministério da Educação e Saúde no Rio de Janeiro, edifício que lançou nossa arquitetura no panorama mundial, e os 100 anos de Le Corbusier, grande nome do Movimento Moderno.  

Além do homenageado, o jornalista e editor Vicente Wissenbach, a mesa intitulada PROJETO 102+30: MEMÓRIAS teve a participação dos professores Margareth Pereira, do Rio de Janeiro, Carlos Eduardo Comas, de Porto Alegre, e a coordenação de Cecília Rodrigues dos Santos, de São Paulo.
Vicente Wissenbach. Foto: Ruth Verde Zein
 Parabéns aos que idealizaram essa homenagem. Emoção à flor da pele, ao rever tantos amigos daqueles tempos e, principalmente, por perceber o maravilhoso efeito em cascata de ações tão simples como gratidão e reconhecimento. Momento único, inesquecível e tocante.
Obrigada a todos vocês pelos tempos de desafio, convivência, estímulo e aprendizado: Vicente, Ruth, Hugo, Cecília, Denise, Guilherme, Serginho, Sílvia, Hosana, Cida, Ceça, Leda, Ethel, Adélia, Júlio, Mariza, Alex, Mauro, Marcos, João Pedro, Marisa e tantos outros...     

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Ecos Imateriais | Verbos de Aprender*


Lindíssima foto, mas não sei a autoria! Se alguém souber, por favor, me avise.
 Fazer de todo dia um dia novo. Um novo amanhecer.
Ouvir mais, falar menos. Pensar antes de falar e não entrar em discussões estéreis que não levam a nada, só machucam e magoam.
Acordar, a cada manhã, sabendo que, em cada momento, temos uma chance de aprender algo novo e diferente.  
Estar ciente de que estamos aqui com um propósito e tudo que nos acontece tem uma razão que nem sempre entendemos.
Olhar para o próximo como quem olha para um irmão, algo que faz parte de uma unidade maior, como as plantas, os animais e todos os seres. Todos têm a mesma importância e são, incondicionalmente, amados pelo Divino.
Ser otimista, sem falsidades. 
Valorizar as relações com os mais próximos e saber que se alguém está na sua vida, é porque existe um motivo. 
Ser mais paciente com os idosos.
Priorizar as suas metas e incluir nelas um espaço para relaxamento e meditação.   
Obter sucesso com alegria, nem que seja em pequenas coisas. 
Realizar algo com satisfação.
Dar uma volta e observar o céu e as pessoas durante a caminhada.  
Brincar com as crianças e ter clareza que, com elas, também se pode aprender, e muito.
Procure começar e insista; coloque em sua mente que, com um pouco de esforço, conseguiremos trilhar o caminho.
Esforço sem pressão, nem cansaço.

* Texto enviado pelo amigo Carlos Sá e, originalmente, publicado em julho de 2015 no Jornal O Nosso, da Fraternidade Eclética Espiritualista Universal, Brasília.