sexta-feira, 23 de março de 2018

Ecos Imateriais | Não existe neutralidade

If you are neutral in situations of injustice, you have chosen the side of the oppressor. 

Se você se considera neutro em situações de injustiça, você escolheu o lado do opressor. 
- Arcebispo Desmond Tutu (1931, África do Sul)

 Imagem:http://richmondfreepress.com/news/2016/sep/02
 O sul-africano Desmond Tutu, arcebispo da Igreja Anglicana, é famoso pela sua luta contra o apartheid em seu país, política diabólica em suas próprias palavras, e  por defender direitos iguais para todos, brancos e negros.  Ganhou o Prêmio Nobel da Paz, em 1984. Recebeu o título de doutor honoris causa de importantes universidades dos Estados Unidos, Alemanha e Reino Unido. 

Impossível dissociá-lo da figura de Nelson Mandela e de sua alegria na abertura da Copa do Mundo na África do sul, em 2010, pontapé inicial deste blog. (Como nasceu o blog Anita Plural). Sua vida, desde sempre me inspira. É dele a frase acima, que encontrei em um texto da colega de tradução Mona Baker (1953), professora da cadeira Estudos da Tradução da Universidade de Manchester, na Inglaterra.


Referências:

quarta-feira, 14 de março de 2018

Ecos Imateriais | Analogia oriental

Imagem: http://umblogperdido.blogspot.com.br/2011/09/nao-se-assustem.html

Na tradição oriental, há uma representação que compara o nosso percurso na vida com o de uma carruagem.  Mestres de várias escolas e tradições lançaram mão desta analogia para ensinar a seus discípulos a importância do autocontrole, do discernimento e da intuição. Apesar dos tons e variações locais, a história é mais ou menos assim. 

A carruagem representa o corpo físico; os cavalos representam as emoções e os sentidos; os dois últimos são controlados pelo cocheiro, cujos talentos do discernimento (viveka) e da intuição (buddhi) é que deveriam dominar o uso do chicote (vontade) e dos arreios (mente/manas). Dentro da carruagem está o verdadeiro senhor, o EU Interior, o atma. O amo, o mestre interior, conhece não só a estrada e o destino final, mas também o cocheiro, os cavalos e a carruagem.
 No indivíduo comum, adormecido, desatento e mecanizado que vive de forma inconsciente, todas essas partes estão dissociadas. Uma ou várias dessas situações podem ocorrer, ao mesmo tempo:
- a carruagem pode estar precisando de manutenção;

- os cavalos podem não ser bem cuidados e acabam fazendo o que querem; 
- os arreios e o chicote podem estar soltos ou rígidos demais e não cumprem seu papel;
- o cocheiro não é hábil no manejo e direcionamento dos animais e estes acabam seguindo por uma estrada imprevista e desconhecida;
- o cocheiro está desatento e não ouve (ou não entende) a voz do amo que lhe indica a direção certa. 
Em qualquer uma dessas situações, a carruagem pode, então, seguir por caminhos mais ou menos espinhosos, tortuosos, ignorados e nada seguros. 

No entanto, quando a carruagem (corpo físico) tem manutenção adequada, quando os cavalos (emoções) são bem controlados pela vontade (chicote) e pela mente (arreios), quando o cocheiro atento e consciente (discernimento intuitivo) ouve e segue as orientações precisas do amo (eu interior), a carruagem, sem tantos tropeços, chega intacta ao seu destino final.  
Vale a reflexão. 

terça-feira, 6 de março de 2018

Ecos Linguísticos | Última flor do Lácio (2)



Neste post, continuo a falar um pouco sobe nossa bela língua e suas dificuldades e delícias. Como já disse, sempre gostei de ler e de escrever e, talvez por isso, sempre tenha tido interesse nas formas ditadas pela gramática, pelas diferentes regências e concordâncias e pela origem das palavras, para aplicar de modo adequado as melhores formas de traduzir ideias e pensamentos em palavras escritas. 

Logo que comecei a dar aulas de inglês, percebia a dificuldade dos alunos em compreender algumas estruturas da nossa própria língua. Falavam em inglês, mas não compreendiam a estrutura e a mecânica do português. No post anterior já falei um pouco sobre isso (ver aqui). Hoje, trago novas expressões e termos aplicados de modo incorreto. São errinhos que observei e ainda observo no dia a dia das escolas, em notícias (em jornais, noticiário e programas de rádios ou de TV), em trabalhos acadêmicos, em textos em geral. Se vocês se lembrarem de outros erros, fiquem à vontade para fazê-lo nos comentários.

A e HÁ: Um simples 'h' faz toda a diferença. Daqui A pouco, estaremos todos juntos. Faz um ano que não nos vemos ou não nos vemos um ano. Aliás, o verbo fazer é impessoal quando se refere a tempo, lembram-se? Havia também é usado, quando a situação assim o requer: Havia décadas que não ouvíamos falar dele. 

A FIM DE fazer algo (tudo separado) e não afim de: A fim de é conjunção subordinativa final. Para que você quer ler aquele artigo? A fim de entender melhor o assunto, ou para entender melhor o assunto. Entendeu? 

AFIM ou AFINS. Afim significa similar, do mesmo tipo, da mesma espécie. Gosto de ler sobre arquitetura e assuntos afins.

A PARTIR (sem crase). Não existe crase antes de verbo (nem antes de termo masculino).

CRASE. A regrinha básica é: crase é a junção da preposição a com o artigo definido a, ou seja, não existe antes de palavras masculinas. Vou ao clube  MAS vou à escola. Veja que escola é um termo feminino e, segundo a regência verbal, o verbo IR exige a preposição 'a', ou seja, quem vai vai a algum lugar.  Ou seja, preposição mais artigo definido a = crase. A exceção fica por conta dos pronomes demonstrativos “aquele” e “aquilo”. Refiro-me àquele filme que você citou ontem.

HAJA VISTA (a forma correta é com A, haja vista, ou seja, como algo que se oferece à visão, à vista) e não haja visto.

POR ISSO e não porisso. Sempre separado, por este, esse ou aquele motivo...

PORVENTURA e não por ventura: porventura é um advérbio e significa por acaso, por hipótese, mas se escreve junto, diferentemente dos sinônimos que dei. Exemplo: Se porventura vocês chegarem mais cedo, preparem o café, por favor.

PROBLEMA e não poblema ou pobrema, por favor... Questão de treino, ou de procurar uma fonoaudióloga. 

TRÁS E TRAZ.  Eis aí outro errinho danado que surge de quem menos se espera. Bom, como exemplo pode-se dizer que eu estava na fila do cinema bem ATRÁS de vocês.  TRAZ é a terceira pessoa do singular do verbo trazer, no Presente do Indicativo (ela traz): Ele é tão atencioso... sempre TRAZ flores para mim no meu aniversário.  
OBRIGADA a vocês e lembrem-se: se fosse homem, eu deveria dizer ‘Obrigado’.