quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Ecos Culturais | Caçadoras de ostras e pérolas

O Oriente sempre apresentou ao mundo ideias, costumes, tradições e técnicas que passamos a admirar. O Japão, por exemplo, encantou e encanta a todos com um hábito simples que deveria ser uma regra básica geral: o da limpeza, retirando o próprio lixo de espaços utilizados, como estádios, teatros, quadras etc. Tão óbvio, tão simples, não? No entanto... 
 

Buscadoras de ostras- Wikipedia
Enfim, uma atividade tradicional que ainda se mantém ativa, embora bem menos do que antes, é a das consideradas guardiãs da cultura e da tradição marítima japonesa: as "amas"
, “mulheres ou donas do mar”. A tradição remonta às origens da caça e da coleta no Japão.  Com poucas opções para ganhar a vida, as mulheres de então aprendiam a mergulhar para caçar pepinos, abalone, frutos do mar, conchas, ostras, pérolas e outras iguarias para vender nos mercados. 

A técnica era realizada majoritariamente por mulheres, sobretudo as mais velhas, pois eram consideradas mais aptas para esse trabalho (do que os homens), em função da distribuição de gordura no corpo e porque podiam reter a respiração por mais tempo. Experientes, as amas mergulhavam até 18 metros de profundidade em águas geladas, sem tanques de oxigênio ou quaisquer equipamentos respiratórios. Usavam apenas as técnicas de apneia aprendidas e passadas de geração a geração. Após o mergulho, elas prendiam o ar por até dois minutos enquanto faziam sua colheita. Profissionais bem pagas por seus serviços, elas, tradicionalmente, vestiam apenas uma tanga (fundoshi), nadadeiras e uma faixa branca na cabeça, como sinal de pureza e de proteção contra os tubarões.  

Amas - Wikipédia

Hoje, em função do cultivo profissional de pérolas e também do desinteresse das novas gerações, o número de praticantes tem diminuído muito. Por outro lado, a atividade virou atração turística, como na Ilha das Pérolas de Mikimoto, onde acontecem mergulhos performáticos e demonstrações da tradição. Em Osatsu, cidade portuária na região de Toba, existe um Museu da Cultura das Amas, onde é possível aprender mais sobre essa prática.   

Há filmes que retratam a vida delas e essa tradição, dentre eles, "Ama-San", da diretora portuguesa Cláudia Varejão (aqui, trailer legendado) e “Japan’s last ama

Referências

https://www.japaoemfoco.com/ama-as-lendarias-mergulhadoras-japonesas-com-tradicoes-milenares/

https://marsemfim.com.br/ama-ultimas-sereias-do-mar-japonesas/

https://www.messynessychic.com/2013/11/01/the-last-japanese-mermaids/

http://www.bbc.com/travel/story/20160829-the-last-mermaids-of-japan

https://www.theguardian.com/film/2019/may/17/ama-san-review

 https://www.youtube.com/watch?v=GDsslEE8S7E    

3 comentários:

  1. Que história incrível!

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  2. Que linda essas caçadoras de ostras. Fica claro a nossa força e capacidade de superação frente as necessidades da vida. Muito bom sua observação Maria Inez Carvalho

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  3. As tradições são muito interessante. Japão é
    diferenciado. Bebel

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