sexta-feira, 10 de abril de 2026

Ecos Imateriais | Cultos Exteriores 2/2

Yin e Yang - Equilíbrio 
Como abordado no último post do Blog Anita Plural, cada religião tem seus conceitos, sistema de crenças, ritos, rituais, cultos, livros sagrados, formas de pompa, devoção e hierarquia. Na verdade, em todas há cultos exteriores belíssimos e tocantes, que elevam o pensamento e o coração do devoto ou do observador. Nada contra essa prática, desde que o culto exterior de cada um seja reflexo do interior do indivíduo, ou seja, do que essa pessoa traz no coração. Se isso não acontece, se as ações cotidianas não são congruentes com o que lhe vai na alma, com os conceitos baseados na religião que professa, tudo isso é teatro, pantomima, fingimento, encenação, farsa, hipocrisia ou o nome que quiserem. 
 
Em outras palavras, não importa a religião exterior que cada um professa. Este é um país laico e livre. Respeito e tolerância são ingredientes fundamentais da vida em sociedade, mas o que conta mesmo é o culto interior de cada um, a ação nossa de cada dia que, por coerência, deve ser expressa com base nos conceitos e princípios da religião professada. De nada vale (absolutamente nada) carregar o livro sagrado, seja ele qual for, debaixo do braço, usar o nome de Deus a cada cinco minutos (excesso desnecessário), repetir mecanicamente frases bonitas sem entender e vivenciar seu real sentido, elevar as mãos para o céu, colocar adesivo no carro, usar correntinha com os símbolos, ajoelhar-se para louvar, atender a todos os ritos solenes e rituais difundidos pela religião escolhida, pregar, citar de cor frases e trechos inteiros dos livros, jejuar, peregrinar, fazer romarias, mas na hora H, na hora da prova, em que se vê em dificuldade, seja qual for essa dificuldade, só sabe blasfemar; na hora de ajudar alguém em necessidade (milhões), na hora de ter força, empatia e de acolher a quem precisa e sofre, de não ser maledicente nem cruel, de usar da generosidade, da verdade e do bom senso, de se colocar no lugar do outro e de aplicar o que "diz sua religião", o indivíduo expressa apenas seu mundinho pequeno repleto de blasfêmias, preconceitos, intolerância, orgulho, egoísmo e interesse pessoal. Aliás, ao que parece hipocrisia, intolerância e incoerência estão cada vez mais "na moda"....  

Símbolo da Paz
O indivíduo que age dessa maneira pode até ser um ótimo profissional na sua área, sela ela qual for, pode ser um orador incrível que tem o poder de convencer os incautos, pode ser alguém "aparentemente" manso e humilde, pode se achar religioso, mas é só da boca para fora, porque não tem religiosidade, não tem coerência, não tem humildade. Pode até achar que segue mesmo sua religião, mas ele se engana redondamente. Religiosidade é algo muito, mas muito mais profundo; é a forma através da qual esse indivíduo se manifesta e expressa o que se aloja no íntimo do coração, aquilo que vai ao encontro daquilo em que ele acredita e diz professar, ao encontro da ética, da justiça, da solidariedade, do bem comum, da não violência e do amor, virtudes mencionadas em qualquer escritura. Coerência é alinhar o pensar, o falar e o agir. Jamais na direção contrária, porque (e aqui repete-se o que foi dito no post anterior), ainda que diferentes, os livros e textos sagrados de cada religião sempre buscam levar o indivíduo a essa instância interior essencial, profunda e divina em cada um, por meio da prática do bem, de boas ações, da caridade e da não violência.  
 
Nesse nosso mundo onde tudo parece ser tão visual e fugaz, onde tantos valores estão invertidos, é preciso ficar cada vez mais atento a tudo isso e prestar muita atenção para não se deixar enganar: mentiras, desonestidade, orgulho, egoísmo, falta de caráter e de disciplina, maledicência, interesse próprio e preconceitos obscurecem e apagam toda palavra recitada de qualquer texto sagrado. Apenas mostram a total incoerência e falta de consciência do indivíduo que assim age. É preciso cuidado! Somos o que fazemos e não o que falamos. Termino com uma fala popular bem conhecida e absolutamente verdadeira: “Aquilo que você faz e a forma como você age falam tão alto que não consigo ouvir o que você diz!" 
 
Referências
Tudo o que já lemos, vivenciamos, aprendemos e vemos a cada dia. 
 

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