Palavras importam. Em cada área do saber humano, em cada campo do conhecimento existem jargões próprios, um vocabulário adequado e uma terminologia específica. Nem sempre a população leiga usa esses termos e conceitos de forma correta ou apropriada. Até aí, tudo bem. É natural e admissível que alguém, distante daquele campo, desconheça o linguajar apropriado de um termo usado, basicamente, dentro de um campo específico do saber. Agora é inaceitável que um técnico, alguém que trabalha naquela área específica, que lida no dia a dia com temas ligados à arquitetura e ao urbanismo, não consiga diferenciar quando usar cada termo, simplesmente alegando que “não sabia”. Ora, por isso, a formação de profissionais, em qualquer campo, dever ser profunda, constante e contínua.
Hoje, quando se fala de questões urbanas e arquitetônicas, mais do que nunca, há um uso exagerado (e nem sempre correto) de termos como recuperação, revitalização, requalificação, reabilitação e restauração, entre outros. No entanto, embora compreendam um tipo de "reforma", cada um deles tem significados e usos específicos. Não adianta usar um termo sem saber o que é de fato, só para parecer “bonito” e “ficar bem na fita”. Mas mais importante é saber que todos esses termos têm a ver com o projeto, um projeto arquitetônico que pesquise, pense, analise e descubra a melhor forma de atuar, integrando o bem ao seu entorno, garantindo um bom uso e uma permanência de qualidade no tempo.
No que se refere ao termo restauro, por exemplo, os muitos livros referentes ao tema do patrimônio histórico, e ainda a Carta de Veneza (1964), são pródigos em esclarecer essa nomenclatura. Portanto, dada a variedade de definições, vou apenas citar que restauro é um campo de saber específico dentro da arquitetura: restauro histórico, restauro moderno, restauro científico e rearquitetura, por exemplo, são bem específicos e seu significado ficará por conta de quem quiser se dedicar de fato ao tema.
Ah, sim, e não poderiam faltar os neologismos. O Dicionário Houaiss, por exemplo, já registra o termo rearquitetar (verbo transitivo direto: tornar a arquitetar). Todavia, o termo rearquitetura ainda não foi registrado nem mesmo no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP). Pode-se esperar que este novo termo frutifique entre nós, arquitetos das obras, das cidades e das palavras? Com certeza, já que a língua é dinâmica e viva.
Continua no próximo post.
Referências
Di Marco, Anita Regina. Velhos Usos – novos edifícios: restaurando a cidade. Revista Projeto. Disponível em: <https://revistaprojeto.com.br/acervo/velhos-edificios-novos-usos-restaurando-a-cidade-por-anita-regina-di-marco/>
Di Marco, Anita Regina. Nosso Usos para velhos edifícios: a experiência internacional. Revista Projeto 16/03/2022. Disponível em <https://revistaprojeto.com.br/acervo/velhos-edificios-novos-usos-a-experiencia-internacional-por-anita-regina-di-marco/>
Di Marco, Anita Regina e Zein, Ruth Verde. Reciclagem, requalificação, rearquitetura. VII Seminário DOCOMOMO Brasil. Porto Alegre, out.2007.
Di Marco, Anita R. Reciclagem & Patrimônio. Revista Projeto, nº 160. Di Marco, Anita R.

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