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| Moradias Precárias |
| Brasília-superquadras |
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| https://fotografia.folha.uol.com.br/galerias/1854518930316722-casaroes-em-ruinas |
Com o tempo, nas grandes cidades, grandes conjuntos habitacionais foram sendo construídos em locais sem essa infraestrutura mínima, o que dificultou o acesso dessa população aos serviços e, em consequência, seu deslocamento pela cidade. Como as mães poderiam trabalhar sem creches perto de casa? Como se deslocar para bairros distantes, para trabalhar, com o tempo gasto no transporte público de massa? Bem, planos é que não faltaram, muitos nem saíram do papel, outros propunham demolição de grandes áreas, construção de novos conjuntos, autoconstrução, mutirões, retrofit de edifícios antigos etc. Uma proposta bastante viável e humana surgiu há pouco, em São Paulo, das mãos de pesquisadores, arquitetos e professores da Faculdade de Arquitetura da Universidade Mackenzie, dentre eles Lizete Maria Rubano e Antonio Aparecido Fabiano Jr.
Divulgada pela imprensa, a proposta era totalmente contrária à apresentada pelo governo do estado que prevê demolir muitos antigos casarões degradados, fazer remoções e construir um polo administrativo nos Campos Elíseos. Esse projeto seria executado no sistema de Parceria Público-Privada (PPP), a um custo alto gerando altos lucros aos empreendedores. Já a proposta apresentada pelos pesquisadores, em contraposição à ideia do governo paulista, trouxe o projeto “Reconstruir sem Destruir”, desenvolvido por uma rede multidisciplinar, um grande grupo de profissionais que, num primeiro momento, caracterizou o Fórum Mundaréu da Luz, uma iniciativa voltada à busca por habitação, urbanismo e justiça social. Em vez de remover a população e demolir os casarões antigos e abandonados do bairro, o projeto propôs requalificá-los, reformá-los e, assim, evitar a expulsão dos atuais moradores.
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| Palácio dos Campos Eliseos- https://creativecommons.org/licenses/by-sa/4.0/ |
Infelizmente, pelo andar da carruagem, nada vai acontecer no que se refere à reforma dos casarões e moradia social, pois parece não haver interesse em garantir moradia a quem menos tem, já que habitação social não dá lucro. Os empreendimentos imobiliários e o ‘deus’ mercado parecem ter sempre mais poder de decisão do que as mais antigas demandas da população mais carente. Vez por outra, até surgem novos empreendimentos com a "vestimenta" de habitação de interesse social, mas na prática, de social não têm nada. Daí a importância de se ter políticas públicas fortes e objetivas.
Triste e desanimador, porque a cidade é local de moradia de seus cidadãos e, retomando a Constituição, todos merecem morar com dignidade. Reforço aqui que o verbo “morar” deve ser acompanhado do qualificativo “bem”, porque morar bem implica ter uma moradia digna, serviços de saúde, educação e comércio numa distância razoável para os moradores. Sem o essencial, que é o direito a uma moradia digna, um salário justo e educação de qualidade, país nenhum se sustenta. Leva tempo, mas para isso, todos têm de lutar por isso e fazer a sua parte já.
Referências
https://mundareudaluz.wordpress.com/sobre-o-forum/
https://habitatbrasil.org.br/deficit-habitacional-brasil/
https://www.gov.br/cidades/pt-br/assuntos/noticias-1/noticia-mcid-n-1583
https://www.instagram.com/p/DL8dxRKR1pv/
https://jornal.usp.br/artigos/sao-paulo-472-anos-o-aniversario-de-uma-cidade-em-crise/



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