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| Paris |
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| Paris |
Luminárias públicas antigas sempre me encantaram. Se são eficientes? Hoje em dia não mais, mas, com certeza, trazem um toque de charme à paisagem urbana. O que se sabe é que, ao longo da história, a noite sempre foi vista com temor e reservas. Aliás, não é difícil imaginar como seriam as cidades na Idade Média, com ruas estreitas, escuras, desertas, enquanto as vigílias noturnas, quando existiam, patrulhavam as ruas. Quem quisesse sair à noite, deveria usar tochas, rezar ou esperar as noites de lua cheia. Nada de bom poderia advir daquele mundo de trevas, certo? A literatura é rica, em detalhes, sobre os cantos sombrios, assustadores e perigosos dos núcleos urbanos. Os livros são tão incríveis e detalhados que, mesmo apenas lendo, acabamos nos lembrando daquelas músicas dos filmes de suspense que nos fazem arregalar os olhos e tremer aguardando o pior...
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| Paris. |
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| Londres |
Nesse quesito, a Grã-Bretanha também foi pioneira: o The Mall, em Londres, em 1807, foi a primeira área urbana a ser iluminada por gás. Entre as décadas de 1870 e 1880, outras capitais europeias instalaram lâmpadas de arco, o primeiro tipo de luz elétrica prático, ao longo de algumas das suas principais ruas comerciais.
| Sevilha |
No Brasil, o Rio de Janeiro, então Capital Federal, instalou os primeiros lampiões a óleo (de mamona, de peixe ou de baleia), no final do século XVIII. Depois dos tempos do óleo, gás de hulha e querosene alimentaram os lampiões. Na segunda metade do século XIX, em 1869, a The San Paulo Gas Company Ltd, fundada em Londres, passou a ser responsável pela exploração dos serviços de iluminação pública a gás em São Paulo. Em 1870, a Várzea do Carmo, no Brás, foi escolhida como o local ideal para a construção da fábrica de gás de carvão, o Gasômetro. O edifício que se tornaria a Casa das Retortas, típico exemplo da arquitetura fabril inglesa, é hoje tombada pelos órgãos de patrimônio. Em tempo, retorta é o nome dos grandes recipientes que recebiam o carvão para a produção de gás.
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| Casa das Retortas. Imagem: Pentágono Eng. |
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| Varginha-MG |
| Lisboa |
Depois dos lampiões, após a famosa invenção (lâmpada) de Thomas Alva Edison (1847-1931), é que veio a iluminação elétrica. Nova York foi a primeira cidade a ter iluminação pública elétrica, em 1882. No Brasil, Campos dos Goytacazes (RJ), em 1883, e depois o Rio de Janeiro. Mesmo assim, o sistema a gás e o elétrico coexistiram por décadas. Aqui, as primeiras experiências foram feitas no Rio de Janeiro (1879), mas foi só a partir de 1906 que essa tecnologia se expandiu pelas nossas cidades. Os últimos lampiões a gás ainda conviveram com os elétricos até o final da década de 1920, mas foram, definitivamente, apagados no Rio de Janeiro, em 1933, e em São Paulo, em 1938.
Data dessa época a instalação de diversos modelos de postes na capital paulista, sendo que inúmeros resistem até hoje. A maioria era de ferro fundido, tornando-se uma marca dos novos tempos, como resquícios concretos da transição entre a cidade provinciana e a modernidade. Esses postes marcaram época e até foram tema para vários poetas, como Oswald de Andrade, com o seu “Postes da Light”.
| Sevilha |
Aos poucos, a eletricidade substituiu de vez o sistema a gás e, com o tempo, a tecnologia foi mudando na busca por cidades mais claras, mais seguras e com equipamentos de menor impacto ambiental. Depois das incandescentes, surgiram as lâmpadas fluorescentes, as de vapor de mercúrio (brancas), as de sódio (amarelas) e, finalmente, as de LED.
Hoje, como antigamente, o design das luminárias é um elemento essencial no planejamento urbano, muitas vezes mal dimensionado e mal resolvido. Mas, convenhamos, o charme dos antigos postes é imbatível.
OBS. Fotos de Anita Di Marco. Proibida a reprodução.
Texto publicado originalmente no Le Monde Diplomatique Brasil (25/fev/2026 - aqui)
Referências
https://novvalight.com.br/blog/iluminacao-urbana/iluminacao-urbana/
https://www.archdaily.com.br/br/998529/a-iluminacao-como-ferramenta-de-seguraca-nos-espacos-publicos
https://drive.prefeitura.sp.gov.br/cidade/upload/43768_Lei_N_8.252-75_Cria_o_IDART.pdf
https://www.cedem.unesp.br/#!/noticias/v/id::385/casa-das-retortas-completa-130-anos/
https://prefeitura.sp.gov.br/web/comunicacao/w/noticias/130117
https://diplomatique.org.br/vaga-lumes-e-iluminacao-publica/






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