sexta-feira, 20 de março de 2026

Ecos Literários | O alcance da escrita (Blog Anita Plural) 2/2

Verba volant, scripta manent. Ou, apenas, Scripta manent.

Continuando o post anterior a respeito da correspondência recebida de um professor da UFRJ, a respeito de uma postagem do blog Anita Plural focalizando Anitta Dubugras.

Respondi ao professor Leonardo Navarro da Escola Politécnica da UFRJ e o coloquei em contato com a arquiteta Isaura Regina, possuidora dos documentos originais sobre a senhora Dubugras, e a troca continuou. Brevemente, o professor explicou que chegou ao blog pesquisando na internet: “Na verdade, é o primeiro retorno que aparece quando pesquisamos pelo nome dela, o que é um sinal da relevância da sua postagem!”

Falou-nos de sua pesquisa sobre as origens da engenharia industrial no Brasil, destacando que o termo “engenharia industrial” da Escola Politécnica vem de 1874, quando foi criado um “curso de artes e manufaturas” que conferia ao formando um diploma de “engenheiro industrial”. Explicou que o curso foi inspirado, principalmente, na École Centrale des Arts et Manufactures de Paris. Cita inclusive o decreto de 1874 que criou a Escola Politécnica e seu curso de artes e manufaturas. 

Durante a pesquisa, na relação de engenheiros industriais formados no antigo curso, o professor “viu o nome da Anitta Dubugras, como a primeira mulher a se formar engenheira industrial no Brasil e a segunda engenheira em geral, só depois de Edwiges Maria Becker, engenheira geógrafa e civil.” 

Nesse ponto, ele fez uma pequena correção na minha postagem (já agradeço e aviso que o errinho foi devidamente corrigido). Diz ele que Anitta Dubugras, que entrou na Escola Politécnica em 1913, “colou grau como engenheira geógrafa (em 1919) e como engenheira industrial (em 1920), e não como engenheira civil (Industrial e civil eram modalidades distintas de engenharia)”.

Segundo ele, um detalhe legal a impediu de ser a primeira mulher engenheira do Brasil: uma lei de 1918 determinava que os alunos de engenharia civil que concluíssem o terceiro, dos cinco anos totais de curso, seriam diplomados engenheiros geógrafos. Em síntese:  

- 18/abril/1918: Edwiges Maria Becker colou grau como engenheira geógrafa.

- 23/abril/1919: Annita Dubugras colou grau como engenheira geógrafa.

- 24/abril/1920: Edwiges colou grau como engenheira civil e Annita, como engenheira industrial.  

Conclui o professor Leonardo, em sua correspondência:

Por isso, Edwiges, geralmente, é lembrada como a primeira engenheira do Brasil, embora o pioneirismo da Annita também seja notável! O fato é que achei bastante interessante sua postagem sobre a Annita no blog Anita Plural, uma vez que, naturalmente, a Escola Politécnica não mantém informações sobre o destino dos nossos egressos após a colação de grau. 

Leonardo Navarro

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Tudo isso para dizer que fiquei muito feliz e gratificada ao perceber como as postagens podem chegar longe, esclarecer, despertar a curiosidade e instigar a busca por novos conhecimentos e pesquisas. Reforço aqui, mais uma vez, meu compromisso com a seriedade, a pesquisa em fontes certificadas e a veracidade de meus artigos. 

Agradeço ao professor Leonardo e à Isaré, minha querida amiga, que continuou a conversa. Tomara que esse encontro dê frutos e que, em pouco tempo, tenhamos mais uma pesquisa que dignifique e valorize o nome das nossas brilhantes profissionais mulheres.   

Referências            

https://www2.camara.leg.br/legin/fed/decret/1824-1899/decreto-5600-25-abril- 1874-550207-publicacaooriginal-65869-pe.html 

https://www2.camara.leg.br/legin/fed/decret/1910-1919/decreto-8663-5-abril-1911-520210-publicacaooriginal-1-pe.html https://www2.camara.leg.br/legin/fed/decret/1910-1919/decreto-11530-18-marco-1915-522019-republicacao-97760-pe.html

(https://www2.camara.leg.br/legin/fed/decret/1824-1899/decreto-5600-25-abril- 1874-550207-publicacaooriginal-65869-pe.html   

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