terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Memória, Arte & Cultura | Máquinas de voar

Imagem:sabercultural.com
O primeiro sonho do homem de voar se concretizou na Grécia antiga. A mitologia nos conta que Dédalo criou asas de cera para que ele e seu filho Ícaro fugissem do labirinto do Minotauro, em Creta, onde estavam presos. Mas, Ícaro se aproximou demais do sol, suas asas derreteram e ele caiu nas águas do mar Egeu. Desde então, o homem sonha com a possibilidade de voar. Depois vieram Leonardo da Vinci e um protótipo de um avião ainda no século XV; o planador, desenhado por John J. Montgomery em 1883. 
Protótipo de helicóptero de Da Vinci. Imagem: Wikipedia
Balões e dirigíveis baseados nos princípios de Arquimedes, mas sem autonomia e sem controle sobre o destino dos voos. O avião mesmo surgiu no início do século XX. 
Dirigível Hindenburgo, Recife. 1930. Imagem: https://pt.wikipedia.org/wiki/Zepelim
Com o avião, surgiu a polêmica sobre sua invenção: se os irmãos americanos Wilbur e Orville Wright ou o brasileiro Alberto Santos Dummont. Bom, fico com o segundo, claro. E não estou sozinha. Embora grande parte do mundo atribua a invenção do avião aos irmãos Wright, críticos afirmam que conquanto eles tenham conseguido fazer voar um avião em 1903 (antes, portanto, de Santos Dummont), eles só o fizeram com o auxílio de uma catapulta. Dizem que, portanto, não se pode considerar que se tratava de um avião, já que o que vale é o fato de a máquina alcançar e manter o voo próprio.
14-Bis. Imagem: https://global.britannica.com/topic/Santos-Dumont-No-14-bis
Já o nosso Alberto Santos Dummont, em outubro de 1906, apresentou seu avião a uma comissão julgadora o que, de fato, marca a origem da aviação sem catapultas. Em 1908, ele sobrevoou Paris, com seu 14-Bis, sem o auxílio de nenhum instrumento, fato oficializado e testemunhado pelos moradores e pela imprensa local.  Por isso, reafirmo: fico com o brilhante Santos Dummont, seu 14 Bis, sua casinha genial em Petrópolis, seu relógio de pulso e outras cositas más.  
Imagem: http://www.defesaaereanaval.com.br/alberto-santos-dumont-um-brasileiro-empreendedor/
Mas, muitos anos depois, e dentre os vários tipos de aviões, o Concorde captou meu coração. O imenso avião alcançava uma velocidade mais rápida que a de rotação da Terra, ou seja, o Concorde decolava de Londres depois do entardecer e chegava a Nova York antes do pôr do sol. Mencionava-se ainda que ao se olhar através da janela daquela incrível máquina podia-se ver claramente a curvatura do globo terrestre. Já pensou? No entanto, criticava-se a poluição que causava (poluição sonora e do ar).
Concorde (fabricado entre 1965 e 1978)
Lembro-me do dia em que esse supersônico (velocidade de 2200 km/h) sobrevoou São Paulo em 1971 em um voo experimental, vindo do Rio em direção ao aeroporto de Viracopos, em Campinas. Ali, perto do Campo de Marte, onde eu morava, entendi ao vivo e em cores o que queria dizer supersônico; o avião atingiu uma velocidade duas vezes maior que a velocidade do som. Vi, como todos os vizinhos, aquela incrível máquina rasgar os céus em silêncio e, alguns segundos depois, ouvimos um incrível e enorme som. Inesquecível aquela aula de física. Pena que, como milhões, não consegui voar em um deles, antes que a parceria franco-britânica fosse encerrada e o Concorde deixasse de se produzido.  Depois da produção de apenas 20 máquinas, seu último voo foi em outubro 2003. Fim de uma era.  

Vários vídeos na internet mostram o Concorde. Escolhi dois, um que mostra o pouso e outro, a decolagem. Aproveitem. 
 Pouso do Concorde:  https://www.youtube.com/watch?v=YoObbnugpTs   

De qualquer forma, aviões são máquinas incríveis. Em sã consciência, da primeira vez que vi um avião, ainda pequena, pensei: Como pode aquele veículo enorme, mais pesado que o ar, voar? E agora... o Tupolev, que de leve não tem nada... Durma-se com um barulho desses... Bom, depois fui entendendo, claro, mas até hoje fico maravilhada com a combinação de tecnologia, peso, asas e velocidade. 

Referências:
http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/fisica/como-surgiu-aviao.htm
http://www.historiadetudo.com/aviao  
http://www.defesaaereanaval.com.br/alberto-santos-dumont-um-brasileiro-empreendedor/

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Arte & Cultura | Fotos perdidas no tempo

Two dancers in costume stand between the columns of Poseidon’s Temple, Greece, 1930. Photograph by Maynard Owen Williams, National Geographic Creative.
 Existem fotografias que nos deixam mudos, incapazes de articular uma palavra, tal a sua força expressiva. Enquanto algumas tornam desnecessárias legendas e datas, outras carecem de muitos outros detalhes; algumas dispensam qualquer explicação, tal sua singularidade e impacto. Há ainda aquelas que são, simplesmente, atemporais e únicas.  
Men climb the mast of a fishing boat to furl the sail in Port Said, Egypt, 1924. Photograph by Maynard Owen Williams, National Geographic Creative.
Através do projeto Found (NatGeo Found), a National Geographic oferece ao interessado um mergulho em seus arquivos de fotografias não publicadas ou esquecidas. 
 Women sit for a portrait in Salzburg, Austria, 1929. Photograph by Hans Hildenbrand, National Geographic Creative.
 Criado em 2013 para celebrar o 125º aniversário da revista NatGeo, o Projeto Found tem como missão trazer de volta à vida fotos que, durante anos, ficaram nos arquivos da editora ou que, raramente, foram vistas pelo grande público. Com certeza, vale muito o mergulho. 
 A view of the ornate art and architecture of a building in Chennai, India, 1948. Photograph by Volkmar Wentzel, National Geographic Creative.
Referências e imagens:
http://natgeofound.tumblr.com/          

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Paisagem Construída | Lego fora da Legoland



Acredite se quiser... Roma foi invadida por veículos feitos de... bloquinhos de Lego. Autor do projeto Lego outside Legoland, o fotógrafo italiano Domenico Franco queria transformar cenários comuns em contextos extraordinários, misturando o mundo idílico e perfeito dos brinquedos com os típicos erros, virtudes e desejos do homem em uma cidade real.

Assim, na paisagem clássica de Roma, o fotógrafo introduziu, digitalmente, uma série de veículos feitos com as famosas pecinhas: helicópteros, vans, trens, tratores e até um carro de Fórmula 1. O resultado ficou bem interessante.

Um dos leitores da revista DesignBoom, de onde tirei estas imagens e a notícia, chega a dizer que da forma como os preços dos famosos bloquinhos têm aumentado, talvez fosse melhor comprar um Lamborghini mesmo...   
Como diz minha sábia mãe,  "nem tanto ao mar, nem tanto à terra"... Mas que a ideia é super divertida, lá isso é. É sim. Claro que é...   
Referências: 
Imagens: Domenico Franco, como publicadas na revista eletrônica Design Boom.  
http://www.domenicofranco.it/

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Vida & Yoga | Consumismo x Desapego


Na busca do autoconhecimento e da autorrealização, um dos grandes ganhos da prática continuada de yoga é o treino do desapego (aparigraha, em sânscrito), a não acumulação de bens materiais; o não apego a cargos, posições e, até mesmo, a pessoas. Em qualquer situação, nós apenas estamos, temporariamente; não somos.Tudo que temos é empréstimo do qual deveremos prestar contas. Pessoas estão conosco para compartilhar momentos, amparar, incentivar e crescer junto. Esse é o conceito de família, da célula individual à família humana: apoiar-se mutuamente e se desenvolver. Não somos proprietários de nada, muito menos de alguém. Nem mesmo de nossos filhos...  Como disse o sábio profeta, na obra de Khalil Gibran, em tradução de Mansour Challita: Vossos filhos não são vossos filhos. São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma. Vêm através de vós, mas não de vós...  Difícil, sem dúvida, mas verdadeiro.    
 Alcançar tal nível de desapego é tarefa árdua, sobretudo nos nossos dias, com o estímulo comercial a tantas datas comemorativas. Comemora-se tudo na teoria e na ânsia de comprar e ter. Esquece-se de comemorar o Ser. Crianças têm acesso a celulares, tablets, computadores, brinquedos caríssimos, carrinhos de controle remoto, desde que nascem...  Jovens e adultos atualizam seus equipamentos eletrônicos a cada nova versão.  Adultos querem a última moda em acessórios, roupas, carros.... Para quê? Não é a última. É só a mais recente. Virão outras e outras e mais outras... 
Imagem: infobarrel.com
O importante é não se deixar influenciar pela propaganda ostensiva e excessiva de novos produtos; é buscar viver de forma simples e confortável, mas sem apego às novidades e, sobretudo, sem deixar-se possuir pelo objeto em questão. Se for importante para o trabalho, para o conforto e bem-estar, vale. Mas nunca se esqueça de que é você que deve possuir o equipamento, a ferramenta, a roupa. Jamais o contrário. 

Nessas datas comemorativas ou aniversários, por exemplo, o objetivo maior parece ser apenas aquecer o comércio, vender, comprar, trocar e comprar novamente. Esquece-se de celebrar aquelas datas, de fato, de celebrar o aniversariante, de festejar a vida daquele ser e suas possibilidades futuras; mais ainda, esquece-se de celebrar a própria Vida, nosso maior presente. No período natalino, a azáfama das compras toma o lugar da preparação e da celebração profunda do aniversariante do dia, daquele ser iluminado, manso, acolhedor, compassivo, guia espiritual e modelo para tantos de nós. 

Nunca é demais repetir, mas sobretudo nesses tempos em que o Planeta se ressente do nosso consumo exagerado e incontrolável, e da situação precária de tantos, é essencial contribuir para uma efetiva cultura da paz, já que o consumo consciente é uma de suas principais bandeiras. 
Consciência, consumo consciente, desapego e solidariedade.  Feliz Natal. 
Imagem: Imagem: portfolioblog.com