quarta-feira, 1 de julho de 2026

Ecos Geográficos | O espigão da Paulista

Hoje, primeiro dia de julho de 2026, os ecos serão geográficos, campo importantíssimo no estudo da dinâmica dos territórios, das populações, cidades e nações. Vou falar um pouco do relevo de São Paulo (calma, será breve), cidade localizada dentro do bioma da Mata Atlântica, mas apenas para ter uma deixa e falar de um certo espigão. 

Bem desde a época colonial, ouvimos falar das dificuldades encontradas no caminho daqueles que, em tropas de burros, subiam, desde São Vicente no litoral paulista até o planalto paulistano, a muralha representada pela Serra do Mar. Para se ter uma ideia, a altitude na cidade de São Paulo varia entre 700 e 900 metros acima do nível do mar (1.135m no Pico do Jaraguá); 760 metros (Praça da Sé, marco zero da cidade) e ~800 m (Av. Paulista), em meio a serras (Serra da Cantareira, por exemplo), morros, espigões, vales e planícies (várzeas) que acompanham o curso dos rios.

Mundialmente reconhecida como a principal via de São Paulo, a Avenida Paulista é um marco histórico, social e turístico, mas também, um marco geográfico importantíssimo da Pauliceia. Faz parte de um espigão, o ponto mais alto do centro expandido da cidade, que separa os dois lados da colina, ou seja, é parte de um divisor de águas de duas bacias hidrográficas. São treze quilômetros que concentram alguns corredores viários da cidade (Av. Cerro Corá, Rua Heitor Penteado e as avenidas Dr. Arnaldo, Paulista, Bernardino de Campos, Domingos de Morais e Vergueiro), desde a região do Pico do Jaraguá (Zona Oeste), até o Jabaquara (Zona Sul).

Ou, como dizia o saudoso geógrafo Aziz Ab’Saber (foto ao lado), professor do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo, com quem tive o privilégio de ter aulas (sim, além das que tive com o professor Milton Santos!), a região da Paulista é uma “plataforma interfluvial, cujos flancos (lados) descem até atingir bacias fluviais de dois rios: o Tietê (ao Norte) e o Pinheiros (ao Sul)". Assim, de um lado, as ruas descem a colina para o Centro da Cidade e, de outro, para a várzea do rio Pinheiros.

Mas por que falo de espigões, serras, morros, várzeas, rios e bacias hidrográficas aqui no blog? Ora, é simples: para que o leitor desenvolva o que se chama de noção espacial, saiba a origem de seus caminhos, oriente-se por referências geográficas presentes no dia a dia, percebendo ladeiras e baixadas, topos de morro e vales para onde correm as águas, tomando consciência da importância e do papel da geografia no espaço territorial, nas questões climáticas, ambientais, de sustentabilidade e de desenvolvimento urbano... Aliás, perder-se numa cidade enquanto se caminha (prazer dos arquitetos) já teria outro sentido, mais metafórico, para aqueles que sabem ler a geografia do lugar, os pontos de referências, baixadas, topos de morro e torres, concordam? Alguém que lê a geografia do lugar não precisa de bússola e não se perde. E essa lição vale para todos, inclusive para crianças, as quais devem ser ensinadas, desde cedo, a se orientar e entender seu espaço geográfico. Não é verdade Eneida, Milene e Sara? 

Conhecendo e observando a geografia do lugar, o cidadão, seja ele leigo ou profissional de qualquer área, passa a ler e entender o território, a se localizar no espaço e a tomar decisões mais informadas, com a responsabilidade sobre onde aplicar seus conhecimentos na produção do espaço urbano.  

Referências

https://brasilescola.uol.com.br/geografia/geografia-urbana.htm  

https://brasilescola.uol.com.br/geografia/espaco-geografico.htm

https://pt.wikipedia.org/wiki/Geografia_da_cidade_de_S%C3%A3o_Paulo

https://pdfs.semanticscholar.org/9539/8b54f164880361404e68fc4c39d53010fa9c.pdf

https://drive.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/arquivos/secretarias/meio_ambiente/projetos_acoes/0004/capitulo2.pdf

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