terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Arte, Cultura & Música | Meu Guri.


Chico Buarque (1944) ganhou, neste mês de dezembro, o prêmio Roger Caillois 2016, pelo conjunto de sua obra,na categoria Literatura Latino-Americana. Palmas para esse grande escritor, autor e compositor.  Ver a notícia original aqui.

Mas Chico me encanta, sobretudo e há muito mais tempo, pelas suas composições musicais. Claro, gosto muito da nossa MPB - Música Popular Brasileira. Do som, das rimas, das letras, da melodia, das vozes. Mas gosto de Chico, sempre Chico, desde que me concebo como ser pensante: Olê olá, Roda Viva, Pedro Pedreiro, Valsinha, Construção, João e Maria, Vai passar, Mulheres de Atenas, Meu guri, Gota d’água, Geni e o Zepelin, Brejo da Cruz, Trocando em miúdos, Tanto mar, e tantas, tantas, tantas outras...  

Chico também fez FAU (mas não terminou) e também morou na Itália, em época diferente da minha, claro (o que foi uma pena, convenhamos!). Por pouco não nos cruzamos. Mas suas músicas me acompanhavam e me acompanham o tempo todo, aqui e lá. Foi difícil escolher, mas uma das minhas preferidas é "Meu Guri". A música segue abaixo em duas versões. A primeira é uma versão histórica de Chico cantando pela RAI. A segunda é na voz inconfundível da incrível Beth Carvalho. Vale a pena conferir as duas. 

1-Chico Buarque - Meu Guri – 2:28. Enviado em 9 de jul de 2008. Chico Buarque canta "Meu Guri" no programa "Te lo do io il Brasile", do apresentador italiano Beppe Grillo. (1984) 2:47. https://www.youtube.com/watch?v=xAKolC3PqR4

2-Beth Carvalho - O meu guri – 4:35. Publicado em 15 de dez de 2012.  https://www.youtube.com/watch?v=gMTt1dYDk38 


O Meu Guri 
Quando, seu moço, nasceu meu rebento | Não era o momento dele rebentar
Já foi nascendo com cara de fome | E eu não tinha nem nome pra lhe dar
Como fui levando não sei lhe explicar | Fui assim levando ele a me levar
 E na sua meninice, ele um dia me disse | Que chegava lá
Olha aí! Olha aí! Olha aí! Ai, o meu guri, olha aí!
Olha aí! É o meu guri e ele chega 

Chega suado e veloz do batente |Traz sempre um presente pra me encabular
Tanta corrente de ouro, seu moço |Que haja pescoço pra enfiar
Me trouxe uma bolsa já com tudo dentro |Chave, caderneta, terço e patuá
Um lenço e uma penca de documentos | Pra finalmente eu me identificar
Olha aí! Olha aí! Ai, o meu guri, olha aí!
 Olha aí! É o meu guri e ele chega!

Chega no morro com carregamento |Pulseira, cimento, relógio, pneu, gravador
Rezo até ele chegar cá no alto |Essa onda de assaltos está um horror
Eu consolo ele, ele me consola |Boto ele no colo pra ele me ninar 
De repente acordo, olho pro lado |E o danado já foi trabalhar
Olha aí! Olha aí! Ai o meu guri, olha aí!
Olha aí! É o meu guri e ele chega!


Chega estampado, manchete, retrato |Com venda nos olhos, legenda e as iniciais
Eu não entendo essa gente, seu moço |Fazendo alvoroço demais
O guri no mato, acho que tá rindo |Acho que tá lindo de papo pro ar
Desde o começo eu não disse, seu moço! | Ele disse que chegava lá
Olha aí! Olha aí! Olha aí! Ai, o meu guri, olha aí.....Olha aí! É o meu guri!
Olha aí! Ai, o meu guri, olha aí...Olha aí! É o meu guri! 

Referências: 
Foto: http://www.discosdobrasil.com.br/discosdobrasil/consulta/detalhe.php?Id_Disco=DI00786 
Letra: http://letras.mus.br/chico-buarque/66513/  
http://www.livreshebdo.fr/article/quatre-laureats-pour-le-prix-roger-caillois-2016

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