Em Vila Isabel, hoje está a escultura em fibra de vidro, do
escultor Rogério Bonan, réplica da escultura original em bronze e recolhida
pela prefeitura em 2019 depois de ser vandalizada inúmeras vezes. Foto Pedro Teixeira. Imagem: https://diariodorio.com/nova-estatua-de-noel-rosa-em-vila-isabel-e-feita-com-fibra-de-vidro/
Filosofia|Composição: André Filho / Noel Rosa.
Sua obra retratava as mudanças sociais e culturais da época, no início do século 20: as dificuldades econômicas, os dissabores, os amores, encontros e desencontros da vida. Tudo, devidamente filosofado e musicado nas mesas dos bares. Vale mencionar que, nessa época, havia dois tipos de samba na cidade – o primeiro era dos "intelectuais, boêmios, pequenos comerciantes e operários modestos, ex-escravos e músicos". O segundo se espalhava pelos morros e retratava os dramas e dificuldades econômicas do cotidiano. Era mais improvisado e sempre acompanhado de cavaquinho, cuícas, tamborins, pandeiros e batidas na mesa. Noel Rosa se aproximava da segunda categoria. Talvez por isso mesmo, suas canções mais ouvidas são Conversa de Botequim (1935), Com que roupa (1930) e Feitiço da Vila (1934), todas em parceria com o compositor e arranjador paulista Vadico.
Além de Fita amarela, uma das que minha mãe e eu cantávamos era Filosofia (1933). Aliás, canto até hoje, sobretudo depois que foi regravada por Chico Buarque no álbum Sinal Fechado de 1974. Uma de suas frases me marcou, pois era e é mais atual do que nunca... Há de viver eternamente sendo escrava dessa gente que cultiva hipocrisia. Abaixo a letra e a gravação original.
Filosofia (1933) (Noel Rosa e Vadico)
O
mundo me condena, e ninguém tem pena
Falando sempre mal do meu nome
Deixando de saber se eu vou morrer de sede
Ou se vou morrer de fome
Mas a filosofia hoje me auxilia
Aa
viver indiferente assim
Nesta prontidão sem fim, vou fingindo que sou rico
Pra ninguém zombar de mim ..
Não
me incomodo que você me diga
Que a sociedade é minha inimiga
Pois cantando neste mundo
Vivo escravo do meu samba, muito embora vagabundo
Quanto a você da aristocracia
Que tem dinheiro, mas não compra alegria
Há de viver eternamente sendo escrava dessa gente
Que cultiva hipocrisia.
Em 2010, ano em que o chamado Filósofo do Samba completaria 100 anos, foi homenageado pela Escola de Samba Unidos da Vila Isabel, com o samba-enredo: A presença do Poeta da Vila, de autoria de Martinho da Vila. Nove anos depois, em 2019, foi homenageado pelo Google Doodle, com ilustrações de Olívia Huynh. Em dezembro de 2020, completaria 110 anos. Saravá, Noel!
Referências
https://www.ebiografia.com/noel_rosa/
https://www.letras.mus.br/noel-rosa-musicas/125751/
Romanelli, Francisco A. Roda de Samba, Roda da Vida. Filosofia de Botequim em Noel, Paulinho e Chico. Edições Aba, Varginha- MG 2015.
http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa2917/noel-rosa





