Em
tempos de memória curta ou de pouca ou nenhuma leitura é importante lembrar da
origem da nossa língua, bem como do papel, da influência e da força da chamada língua
geral, língua franca ou língua "brasílica", como era chamada pelos
portugueses. O que é isso? Bem, na época do descobrimento, era essa a língua
falada por muitos grupos indígenas em quase todo o nosso litoral. Ou
melhor, na época, havia centenas de línguas indígenas no nosso país, mas perto
do litoral, onde as principais vilas foram fundadas, falava-se basicamente o
Tupi Antigo. Na
época, ao virem para cá para expandir o cristianismo e catequizar os nativos
indígenas, os jesuítas aprenderam e criaram um novo idioma, a “língua-geral” ou
“língua brasílica”, tendo como ponto de partida justamente o
tupi. Assim, jesuítas e colonizadores começaram a aprendê-la por
necessidade de sobrevivência, para comércio e para se relacionarem com os
grupos indígenas e, depois, com os escravizados. Aliás, os jesuítas José
de Anchieta e Luís Figueira criaram gramáticas do Tupi, publicando-as em Lisboa
em 1595 e 1621, respectivamente, além de muitos outros livros, dicionários e
tratados sobre a língua geral. O objetivo era facilitar o contato com os
povos indígenas. Por isso, durante mais da metade da história do nosso
país, o principal idioma falado no Brasil Colônia superava em muito o português.
Sem saber, usamos milhares de palavras daquela origem: tatu, cotia, paca, capivara, perereca, taquara, pipoca, pirão, pururuca, mandioca... Nomes de pessoas como Juçara, Moema, Iracema, Maíra... E de localidades como Jabaquara, Tatuapé, Itaquera, Piratininga, Bertioga, Itanhaém, Paraguaçu, Cuiabá, Curitiba, Sergipe, Paraíba etc. Por isso é importante conhecer a origem das palavras. Tudo tem uma explicação, muito mais lógica do que, a princípio, podemos imaginar. Agora, a bem da verdade, o uso prevalente da língua brasílica ocorreu até meados do século XVIII, até que ela foi proibida pelo Marquês de Pombal, em 1758, que impôs o uso do português após expulsar os jesuítas do Brasil. Sem uso, a extinção da língua geral foi inevitável. Será mesmo? Isso é assunto para outro post.
Referências
FERNANDES, Cláudio. "Língua-geral no contexto do Brasil Colonial"; Brasil Escola. Disponível em:< https://brasilescola.uol.com.br/historiab/lingua-geral-no-contexto-brasil-colonial.htm>. Acesso: 17 agosto 2026.
https://www.youtube.com/watch?v=nliZ6HFFQi4
https://super.abril.com.br/historia/conheca-a-lingua-geral-o-idioma-esquecido-que-fundou-o-brasil/
https://brasilescola.uol.com.br/historiab/lingua-geral-no-contexto-brasil-colonial.htm
https://brasilescola.uol.com.br/historiab/lingua-geral-no-contexto-brasil-colonial.htm
https://www.youtube.com/@tupinizando
https://anitadimarco.blogspot.com/2019/05/ecos-linguisticos-o-pequeno-principe-em.html
https://anitadimarco.blogspot.com/2024/08/ecos-tradutorios-traducao-da-cf-para-o.html
https://anitadimarco.blogspot.com/2020/01/ecos-culturais-sao-paulo-466-anos.html
