sexta-feira, 6 de junho de 2025

Ecos Humanos | Conselhos e voltas que o mundo dá

A vida é circular e nos traz situações inusitadas, por vezes, antes do que esperávamos. Quando crianças, ou nem tanto, ouvíamos (e/ou questionávamos) os conselhos recebidos de pais, avós, tios, professores. Ai de nós se não ouvíssemos os conselhos – era machucado na certa, gripe, dor de dente, dor de ouvido, tombo, castigo, nota baixa e por aí vai... E palavra de mãe é como praga, pega mesmo... Depois crescemos e, então, chegou nossa vez de dar conselhos aos filhos. Hoje, diferentemente daquele tempo distante, nossos pequenos deixaram de ser pequenos e são eles que nos dão conselhos...  Mas sempre digo que mãe que é mãe nunca vai parar de “aconselhar” seus rebentos, tenham eles a idade que tiverem.   

Esse é o tema do livro “Conselhos para filhos de todas as idades” (São Paulo: Fontenele, 2025), dirigido a filhos, filhas, pais e mães jovens ou mais velhos. É o primeiro livro de uma querida aluna e amiga, a promotora Marina Dehon de Lima. Além dos vários adjetivos que a identificam (sorridente, atenciosa, alegre, entusiasmada, ética e propositiva), Marina acrescentou outra qualificação ao seu nome: escritora. 
 

Mãe presente e participativa, profissional atuante e empenhada, ela sempre priorizou os filhos, mas, como poucas, conseguiu, equilibrar a família e a carreira profissional, sobretudo por contar com uma boa rede de apoio. Agora, ela concretizou algo que, há tempos, já estava pronto em seus sonhos e no coração: dar conselhos! Como ela mesma diz, “conselhos são uma forma de abraçar”. Gentil ao me pedir para fazer a preparação/revisão do livro, suas palavras muito me comoveram, mas alguns alunos tendem a ser exagerados e generosos com seus professores! Foi esse o caso, tenho certeza, mas mesmo assim, fiquei lisonjeada e agradecida. 

O lançamento foi ontem, 05 de junho de 2025, às 19 horas, na Biblioteca Pública Municipal de Varginha, evento que teve a firme condução da produtiva bibliotecária Eliana Costa. Independentemente de qualquer viés religioso, o livro será útil para todos nós, porque, embora nem todos sejam pais, todos são filhos de alguém.  
Então, vida longa à nova escritora e ainda aos filhos, pais e todos que dão, pedem e seguem bons conselhos.  

 

Referências 

Instagram da autora: @maridehonautora 

https://www.instagram.com/maridehon.autora/profilecard/?igsh=MWRkMjZ3dTZudDcyYQ==

https://www.amazon.com.br/dp/6558717379

quinta-feira, 29 de maio de 2025

Ecos Imateriais | O não-reagir

Ao abraçar uma religião ou filosofia de vida, vivenciar o caminho escolhido não se restringe à prática diária ou semanal de frequentar um templo, uma igreja ou local de prática. Yoga, por exemplo, é um sistema completo, uma filosofia de vida, um caminho, uma escolha de como ser e agir no dia a dia. Não adianta executar uma postura (asana) com perfeição absoluta, mas ser violento, preconceituoso, desonesto, individualista, mentiroso e ignorar a dor do outro no dia a dia. A cada aula, o praticante é lembrado que a pessoa que está praticando naquele momento é a mesma que age no mundo, ou seja, o que se aprende nas aulas, na experiência e nos livros sagrados deve ser aplicado no cotidiano, já que yoga é uma filosofia prática, não livresca. Como vivemos em sociedade, o convívio social exige atitudes civilizadas, cordatas, respeitosas e solidárias em qualquer ambiente – em casa, no trabalho, na escola, no trânsito, nas ruas. Além disso, mesmo que ninguém mais veja suas atitudes, sua consciência é onipresente, vê e sabe como você age.

Hoje muitos fatos, situações e notícias desafiam nosso equilíbrio emocional, mas é exatamente nesses momentos que é necessário aplicar o que o yoga nos ensina há milhares de anos. Não se trata de viver numa bolha, mas de identificar o que nos perturba, tomar uma atitude e agir, se for o caso, mas também buscar formas de relaxar corpo e mente, evitando as consequências físicas e emocionais impulsivas derivadas de reações descontroladas, como raiva, por exemplo. Nossas reações não podem controlar nossas ações.

O praticante consciente, idealmente, não permite que o ambiente o desequilibre. Para atingir a paz interior, ele dispensa incenso, música suave, iluminação sutil e a voz de um professor. O fato de se perceber, de tomar consciência de seu estado já é um resultado da prática de yoga, é verdade, mas o saber lidar com situações adversas e aplicar o que aprendeu é mais importante. Então, sempre que algo o(a) afligir, realinhe-se antes de agir: respire com consciência, ore, entoe um mantra ou repita mentalmente ao inspirar “estou” e, ao expirar, “tranquilo” - estou tranquilo, estou tranquilo - e volte ao seu centro. Se preferir, faça uma meditação caminhando, observando o toque dos pés no chão, o ritmo respiratório, as cores e sons da natureza. Logo você consegue retomar seu equilíbrio e aí pode agir, sem correr o risco de apenas reagir irrefletidamente, no calor das emoções. E isso deve ser buscado o tempo todo, em todas as situações. A prática facilita a obtenção desse estado. 

Um último e importante detalhe: embora às vezes pareça impossível perceber, a luz que brilha em você é a mesma que brilha no outro. O que nos diferencia é a intensidade do brilho de cada um, como um diamante, cujas arestas estão mais ou menos lapidadas. Mas, não se engane, fazer brilhar essa luz é trabalho e esforço individual e intransferível de cada um. Namastê! 

sexta-feira, 23 de maio de 2025

Ecos Humanos | O deplorável efeito “manada”


Em meio às minhas leituras, encontrei um artigo bem interessante de Pedro Valadares, professor de português, revisor de texto e autor do site Clube do Português, dedicado à língua portuguesa e à literatura. O artigo, A camisa vermelha da seleção e a lógica do clique, falava sobre a febre dos cliques e a consequente manipulação de amplas camadas do público leitor. Valadares mostrou como a simples divulgação de um fato, a "suposta" inserção da cor vermelha em uma segunda camisa da seleção brasileira de futebol, explodiu a cabeça de muita gente e virou um monstro pegajoso e sem forma. Ele ainda destacou que a grande mídia (falada, impressa ou digital) pura e simplesmente reproduziu a notícia, em vez de, antes, pesquisar e se aprofundar no assunto para verificar a veracidade da informação. 
 
Conclusão: milhares de cliques, memes, vídeos sobre a tal "notícia". Como se diz na linguagem digital de hoje, a mensagem viralizou. Como Valadares ainda realçou, o mais preocupante é que “mesmo que seja desmentido depois, o estrago já está feito” e o efeito disso nós sabemos muito bem. Basta ver a história recente do nosso país, de tantos países, invasões e guerras por aí. 

Tristes tempos esses nossos em que as pessoas fazem ou assinam embaixo de qualquer coisa só porque "todo mundo faz"... Assumem qualquer mensagem lida como verdade e vão compartilhando loucamente, divulgando e clicando, sem parar para refletir, sem pensar na lógica do que foi lido, sem questionar os fatos, sem sequer saber de onde vem a informação, sem dar a devida dimensão histórica ao fato. Enfim, sem exercer o menor pensamento crítico.  Fico chocada com esse tipo de atitude, muito mais comum hoje em dia do se pode imaginar. 

Aliás não é só nos cliques que essa atitude de manada se repete. Acontece também nas “modas” passageiras, no mau “exemplo” daqueles que têm “superlativos” justapostos ao seu nome e no que os denominados “infuenciadores” dizem e fazem. Por tudo isso, nesses nossos tempos, a ética e o pensamento crítico de quem escreve são, cada vez mais, necessários, urgentes e imperativos. Considero tudo isso muito triste e, para amenizar esse desconforto e essa tristeza, cito o educador, psicanalista e escritor Rubem Alves (1933-2014): “As palavras só têm sentido se nos ajudam a melhor ver o mundo. Aprendemos palavras para melhorar os olhos.” Se nem isso conseguimos fazer, o momento é muito mais delicado do que supúnhamos. 
Em tempo: só lembrando que o tom avermelhado pode ser associado ao pau-brasil (Paubrasilia echinata), madeira de onde deriva o nome do nosso país.

Referências

https://clubedoportugues.substack.com/p/a-camisa-vermelha-da-selecao 

https://anitadimarco.blogspot.com/2019/04/ecos-literarios-gramatica-da-manipulacao.html

https://www.clubedoportugues.com.br/

https://www.instagram.com/clubedoportugues.com.br/

https://www.youtube.com/c/PedroValadares