Ecos da vida: ecos urbanos, linguísticos, culturais e imateriais em um espaço plural e simples, como eu.
sexta-feira, 15 de maio de 2015
Paisagem construída & Yoga: Asteya, ciclovias e meias-verdades
quarta-feira, 13 de maio de 2015
Reflexão: Você sabe com quem está falando?
segunda-feira, 11 de maio de 2015
Línguas & Tradução: A arte da tradução
Traduzir é uma arte e um ofício que, como tal, exige sólida formação profissional, adquirida em cursos livres ou de graduação, aprimoramento continuado, constantes exercícios, estudos e leituras, atividades essenciais e corriqueiras na vida de qualquer tradutor. As línguas são dinâmicas, vivas e se modificam. De tempos em tempos, novas palavras e expressões surgem, outras caem em desuso e, se não percebemos essas mudanças, ficamos “desatualizados”. Por isso mesmo, é que se recomenda ao tradutor a leitura de todo tipo de assunto: de bulas a livros de arte; de rótulos de alimentos a revista em quadrinhos; de manuais técnicos a enciclopédias; de palavras cruzadas a dicionários. Tudo deve fazer parte das leituras de um tradutor.
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| São Jerônimo, de Ghirlandaio (1480). |
Em resumo, um bom tradutor ou intérprete ama línguas em geral, deve escrever e falar muito bem, tanto em sua língua materna, quanto nas línguas com as quais trabalha. Pelo menos é o que dizem os bons profissionais para todo aspirante ou tradutor iniciante. Foi o que ouvi há tempos quando comecei na profissão, ouvi mais recentemente e continuo ouvindo sempre que participo de congressos, seminários e oficinas. É o que recomendam Lia Wyler (1934-2018), conhecida tradutora brasileira da série Harry Potter, embora seu trabalho seja bem mais amplo e inclua inúmeros outros grandes autores e temas; Isa Mara Lando, tradutora de George Orwell, Salman Rushdie, Susan Sontag, da National Geographic, entre outros tantos autores; e Ulisses Wehby de Carvalho, tradutor e intérprete, todos eles unanimidades no mundo da tradução e interpretação, além de professores gentis, competentes e apaixonados pela profissão. Entre os tradutores-teóricos, cito Paulo Rónai, Paulo Henriques Britto, os irmãos Augusto e Haroldo de Campos, Boris Schnaidermann, entre outros. Por isso, quando meus alunos de inglês demonstram a vontade de seguir a carreira de tradutor, minha sugestão é: muito estudo e leitura nas duas línguas, aperfeiçoamento constante, curiosidade, desconfiança, dedicação e humildade. Só assim, podemos evitar as armadilhas das línguas e os erros comuns que podem atingir até tradutores experientes.
Outra coisa é compreender que falar uma língua não é sinônimo de ser tradutor. É evidente que todo tradutor tem que saber muito bem as duas línguas, a de chegada e a de partida. Mas nem todo bom falante de uma língua sabe traduzir para outra, sobretudo porque a arte de traduzir se dá entre culturas e universos distintos e não apenas entre palavras e frases soltas. A tradução escrita, em especial, é um ato solitário que requer devotamento, conhecimento, paixão e humildade para mergulhar no original e entendê-lo, procurar o termo mais adequado, lapidar expressões e conceitos das línguas trabalhadas visando tornar inteligível, em uma dada língua, um conteúdo expresso em outra língua, deixando o texto final fluir com naturalidade, reproduzindo a totalidade, a ideia, o estilo e a fluência do original. Para mim, é uma atividade linda, prazerosa, divertida, trabalhosa sim, mas que me enriquece mesmo quando me debato para evitar as tais armadilhas.
O italiano Domenico
Ghirlandaio (1448-1494), um dos primeiros professores de Michelangelo, é o autor do afresco acima
(1,84 x 1,19 m) representando São Jerônimo em seu estúdio (1480). A obra está
na igreja de Todos os Santos em Florença. São Jerônimo, tradutor da Bíblia do grego e
do hebraico para o latim, a chamada Vulgata (ao lado) porque escrita em
uma linguagem popular, também escreveu textos sobre a arte de traduzir e é
considerado o padroeiro dos tradutores. O dia
internacional da tradução é comemorado em 30 de setembro.


