domingo, 7 de maio de 2017

Ecos urbanos | Poluição sonora


 No dia 07 de maio, comemora-se o Dia do Silêncio. Mesmo assim, não vou falar sobre meditação e busca do silêncio interior, tão rico para todos nós, tema recorrente aqui no blog e atividade essencial para o ser humano e já reconhecida e incentivada por yogues, místicos, religiosos e profissionais da área de saúde. Ao contrário, vou falar de uma das formas mais comuns de poluição nos nossos centros urbanos - grandes ou pequenos - e, nem sempre, devidamente combatida: a poluição sonora. 

De tão habituados, quase nem notamos como somos cotidianamente bombardeados pelos mais diversos sons. No entanto, quer notemos ou não, é fato comprovado que a poluição sonora pode ter efeitos gravíssimos sobre a qualidade de vida das pessoas.  De repente, começamos a falar mais alto, com voz mais rouca, ficamos mais irritados ou, simples e literalmente ensurdecidos. É o que se chama de absorção de níveis moderados de ruído. São ruídos assimilados em situações tão cotidianas que passam a ser relevados, vistos como algo “comum”, como as “desvantagens de morar aqui ou acolá”, como “já me acostumei”, como "não tem jeito" etc. Justificativas são inúmeras, mas a questão fundamental é a falta de respeito às normas, aos ambientes e aos vizinhos.  
http://maisculturaenoticias.blogspot.com.br/2014/03/diga-nao-poluicao-sonora.html

É evidente que quanto maior a exposição ao som, maiores são os prejuízos. Sabe-se que o ouvido humano pode conviver com níveis de ruído entre zero e 50 decibéis; a partir de 55 dB o estresse começa a se formar. Dizem os especialistas que, apesar dos danos produzidos, fisiologicamente as pessoas poderem se acostumar ao som, mas o mesmo não ocorre sob o ponto de vista psicológico e emocional.

Aliás, poluição sonora e estresse auditivo são duas das maiores causas de incidência de doenças do trabalho, já que a exposição a níveis de ruídos incômodos e/ou acima dos padrões toleráveis gera danos à saúde física e psíquica: estresse, depressão, perda de audição (podendo levar à surdez), agressividade, irritabilidade, perda de atenção e da concentração, distúrbios físicos, mentais, psicológicos e do sono, dores de cabeça, aumento da pressão, cansaço, gastrite e úlcera, queda de rendimento escolar e no trabalho etc.
 
Imagem: ecolnews.com.br
Ruídos excessivos e abusivos, ilegais no mais das vezes, vêm das mais diversas fontes – festas, shows, atividades ruidosas em geral, tráfego, alto-falantes em carros particulares, atividade industrial, obras da construção civil e até de vizinhos. No entanto, para manter um nível civilizado de convivência social e respeito, espera-se que cada um leve em conta tudo isso em seu ramo de atividade, zona e sobretudo horário, porque a emissão de ruídos além do permitido por lei, em decorrência de qualquer atividade – industrial, comercial, social ou recreativa, inclusive as de propaganda política, já é crime há um bom tempo. Falta, no entanto, a aplicação correta da lei, como em tantas outras situações no nosso país, onde a impunidade ganha, a cada dia, contornos mais fortes.   

Um caso chama minha atenção, nas cidades. Além do ruído do tráfego e atividades urbanas "usuais" - brecadas, buzinas, vozerio, marteladas e ruídos derivados do uso de equipamentos na construção civil entre tantos outros, há aquele som absolutamente irritante e, a meu ver, incompatível em qualquer cidade. Estou me referindo à passagem sempre em velocidade de 10 km/hora - absolutamente fora de época e  ‘atrapalhando o sábado’, de carros de som fazendo propaganda de promoções e ofertas de lojas, supermercados, eventos, circo etc... Ou então, daqueles ‘animadores’ que ficam ao microfone, gritando na frente de grandes lojas, convocando o consumidor a entrar em seus templos de consumo.   

Estranho. Muito estranho. Todas aquelas vozes agudas e irritantes parecem vir de um único lugar. Se existe uma coisa que me afasta destes locais é justamente essa balbúrdia sonora – os tais animadores ou os tais carros de som. Já basta termos de conviver com isso em época eleitoral, o que, aliás, é só mais uma coisinha a ser devidamente regulamentada e alterada para as próximas eleições, já em 2018.    

Outro disparate é aquele motorista particular sem noção que, seja estacionado ou circulando, coloca o som de seu carro em volume estratosférico para que todos ouçam a música que ELE quer ouvir. Inconcebível para mim! Acho que sou de outro planeta.



 Então, pessoal,apenas por curiosidade, procure saber quais são os níveis de ruídos produzidos por atividades “corriqueiras”, como secador de cabelos ou aspirador de pó. Vocês ficarão tão perplexos como eu.    Já é mais do que hora de todos colaborarem para um mundo um pouco mais civilizado onde haja menos individualismo e menos impunidade; um mundo onde haja mais respeito às leis e aos vizinhos, mais fiscalização e um pouco mais de silêncio. Topam? 

Referências:
 

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Ecos Urbanos | Espaço Público em novo blog

Espaço Público em São Paulo - Av. São João. Foto: Floriano Marcondes Machado


 Mais um blog no espaço virtual. Os amigos e arquitetos Maria Alice Junqueira Bastos e Floriano Marcondes Machado resolveram juntar e publicar seus saberes, observações e análises do espaço público e da arquitetura a partir de suas andanças pelo Centro de São Paulo ou pelo mundo. Em deliciosas crônicas e belas fotos mostram a história e os fatos, os espaços abertos e os projetos construídos, destacando a inter-relação essencial entre espaço público, arquitetura e cidade. Afinal, todo projeto de arquitetura cria um pedaço da cidade e afeta o todo. Portanto, arquitetura é cidade...e vice-versa. A página inicial do blog diz:  

É comum conhecer pessoas que comentam ser fãs de arquitetura e, para provar seu ponto, dizem que até já foram a alguma edição da Casa Cor. É mister reconhecer que muitas pessoas, de fato, não consideram que estar na cidade é estar imerso em arquitetura.  Esse espaço é para falar da arquitetura entranhada na cidade.

Vida longa ao blog Espaço Público.

Referência:

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Ecos da Vida | Mudanças

Imagem: http://worldartsme.com/sound-waves-free-clipart.html



De tempos em tempos, a vida muda e nós acabamos mudando também, por bem ou por mal, ainda que nossa essência permaneça inabalável. Qualquer ação, qualquer palavra e até mesmo os pensamentos, como onda que são, ecoam no universo e influenciam o entorno, causando novas transformações.  Assim, tudo o que vemos, ouvimos, falamos, vivemos e percebemos em nós, nos outros ou no ambiente, de alguma maneira, nos enriquece ou nos diminui, como indivíduos e também como coletividade que somos, como humanidade. Tudo tem eco. Tudo pode afetar poucos ou milhões, mas o causador da ação, com certeza, será afetado de alguma maneira. Até aí, nenhuma novidade. Daí a necessidade de se cuidar, de se conscientizar e agir para o bem comum, de forma a absorver e irradiar os melhores ecos possíveis para todos.


"Nenhum homem é uma ilha, completa em si   mesma; todo homem é um pedaço do continente, uma parte da terra firme. Se um torrão de terra for levado pelo mar, a Europa fica menor, como se tivesse perdido um promontório, ou perdido o solar de um amigo teu, ou o teu próprio. A morte de qualquer homem me diminui porque faço parte da humanidade e estou envolvido; por isso, nunca perguntes por quem os sinos dobram; eles dobram por ti." 


- John Donne (poeta inglês, 1572-1631) e inspiração de Ernest Hemingway para dar título ao seu romance “Por quem os sinos dobram” (1940).   
 
 Derivado do grego ekhó e do latim echo, o termo eco está, originalmente, associado a fenômenos físicos e denota o efeito originado a partir da reflexão de ondas sonoras. Por extensão, o termo traduz também o reflexo de pensamentos, falas e atos, podendo ser apreendido ainda como influência, repercussão, memória ou vestígio.  

Senti, então, que chegou o momento de fazer uma mudança no Blog Anita Plural e, tentando integrar o acúmulo de informações e impressões recebidas, percebidas e transmitidas, achei o termo eco bastante apropriado. A partir desta semana, o cabeçalho do blog fica assim:  
Anita Plural 
Ecos da vida: ecos urbanos, linguísticos, imateriais e culturais em um espaço plural e simples, como eu.  
Em 2010, com o blog ainda em embrião, já formatado mas sem textos regulares, foram apenas três publicações: um comentário meu, feito por e-mail, para a família sobre a Copa do Mundo da África do Sul, o presente que ganhei com a criação do blog e um incentivo para continuar. Excluindo-se os quatro anos seguintes, em que permaneci atônita à espera de coragem e inspiração, de janeiro 2015 até abril 2017, publiquei um total de 294 posts, assim distribuídos:  Paisagem Construída (66); Línguas & Tradução (37); Arte & Cultura (71); Reflexão (51); Vida & Yoga (39) e Memória & Vida (30).  Agora, estas abas serão inseridas em novos títulos:
1-Ecos Urbanos. Passa a abrigar a antiga aba Paisagem Construída, com comentários e informações sobre arquitetura, urbanismo, paisagismo, patrimônio, enfim, tudo o que conforma nossa paisagem urbana.  
2-Ecos Linguísticos. Abriga Línguas, Tradução & Literatura, com publicações ligadas ao ensino e aprendizado de línguas, ao universo das traduções e de grandes nomes da literatura e da poesia.  
3-Ecos Culturais. Abriga a aba Arte & Cultura e inclui movimentos artísticos em geral, música, dança, exposições ou qualquer tópico que, de algum modo, tenha eco em nós e amplie nossa cultura geral.     
4-Ecos Imateriais. Reflexão, Vida & Yoga e Memória & Vida estão abrigadas sob o novo título que traz temas abstratos e imateriais como yoga, meditação, espiritualidade, pensamentos e vivências que induzem à reflexão e incentivam o autoconhecimento.
   


Espero que estes ecos possam alcançar cada um de nós, da melhor forma possível.