Priorizar o bem comum, o coletivo, é um tema ético fundamental
quando se fala de vida em sociedade. De acordo com essa premissa, devo escolher
não o que será bom apenas para mim, mas para toda a comunidade da qual faço
parte. Por exemplo, não pedalo e nem tenho bicicleta, mas considero fundamental
a construção de ciclovias em locais adequados. Vou me posicionar contra as
ciclovias, simplesmente porque não me atendem? De maneira nenhuma. Além de serem um excelente meio de deslocamento para muitos, é também um ato de civilidade, uma forma
de melhorar a mobilidade urbana. O mesmo ocorre com as questões de acessibilidade e tantas outras.
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| J.J. Rousseau |
Respeitar a
legislação ambiental, urbana, de trânsito e de ruídos, não jogar lixo nas ruas, preservar os espaços e equipamentos coletivos, por exemplo, são ações
esperadas de todos os cidadãos. É preciso ter sempre em mente, portanto, que nem
tudo diz respeito à satisfação das vontades individuais. Liberdades e desejos individuais
não podem se sobrepor aos desejos da comunidade para se conviver em paz numa sociedade,
para garantir a “soberania da vontade coletiva”, conforme o contrato social, defendido
pelo filósofo suíço Jean-Jacques Rousseau (1712-1778). Assim, todas as nossas escolhas devem considerar esse
coletivo do qual todos somos parte, porque, afinal, ninguém está só no mundo, nem vive isolado numa cabana no meio do nada, mas em
comunidade. Acreditar que podemos viver
sozinhos e que não precisamos de ninguém é uma grande falácia, porque todos precisamos
de todos, em maior ou menor grau – dos prestadores de serviço mais desvalorizados aos mais nobres, dos professores aos alunos, dos grandes profissionais aos menos qualificados.
O tema fica muito mais claro quando pensamos nas várias
tradições religiosas da humanidade. Todas falam do bem comum, da solidariedade,
da empatia, da necessidade de se colocar no lugar do outro. Aliás, essa é uma
forma de entender melhor (mas nem sempre justificar) a situação e as atitudes
desse outro e agir com ele, como gostaríamos que ele agisse conosco.

Provado está que essa atitude óbvia, bem pouco praticada,
de colocar-se no lugar do outro, de
praticar a “regra de ouro" (Matheus 7-12; Lucas 6-31), é um dos pilares da vida em sociedade. O
indivíduo age assim quando pensa no bem-estar do outro e da comunidade. Dessa maneira,
todos terão acesso a bons equipamentos e serviços públicos, poderão viver com
dignidade e se desenvolver, cada qual no seu ritmo, mas com as condições
mínimas necessárias para tal. Isso ocorre mesmo que eu não utilize determinados
serviços e equipamentos, porque, repito, não se trata apenas dos desejos do
indivíduo, mas da soberana vontade coletiva. Afinal, a cidade é de todos; o
país é de todos e o planeta é nossa casa comum!
Com relação à ação nossa de cada dia: é fácil ler, levar
debaixo do braço os livros sagrados, repetir frases inteiras e “acreditar” que
age de acordo com sua religião. Isso é fácil, papel aceita tudo. Difícil e verdadeiramente nobre é ser coerente, praticar e aplicar a essência dos ensinamentos religiosos
no dia a dia, no tempo e no espaço, a cada atitude.
Então, pense bem antes de escolher seus candidatos
nesta eleição. Ainda que você não usufrua de todas as propostas e programas, sua escolha ajudará a construir o futuro próximo para tantos e, mais ainda, para seus filhos e netos. Não negligencie nem menospreze o sagrado direito de votar, obtido com a luta de muitos.
Referências
Ribeiro,
Paulo Silvino. Rousseau e o contrato social. Disponível em <https://brasilescola.uol.com.br/sociologia/rousseau-contrato-social.htm>.
Acesso em 26/set./2026.
Souza,
Thiago. Jean-Jacques Rousseau, https://www.todamateria.com.br/jean-jacques-rousseau/
https://www.bibliaon.com/versiculo/mateus_7_12/