quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Ecos Humanos | O sagrado dever de escolher bem

Priorizar o bem comum, o coletivo, é um tema ético fundamental quando se fala de vida em sociedade. De acordo com essa premissa, devo escolher não o que será bom apenas para mim, mas para toda a comunidade da qual faço parte. Por exemplo, não pedalo e nem tenho bicicleta, mas considero fundamental a construção de ciclovias em locais adequados. Vou me posicionar contra as ciclovias, simplesmente porque não me atendem? De maneira nenhuma. Além de serem um excelente meio de deslocamento para muitos, é também um ato de civilidade, uma forma de melhorar a mobilidade urbana. O mesmo ocorre com as questões de acessibilidade e tantas outras. 

 J.J. Rousseau
Respeitar a legislação ambiental, urbana, de trânsito e de ruídos, não jogar lixo nas ruas, preservar os espaços e equipamentos coletivos, por exemplo, são ações esperadas de todos os cidadãos. É preciso ter sempre em mente, portanto, que nem tudo diz respeito à satisfação das vontades individuais. Liberdades e desejos individuais não podem se sobrepor aos desejos da comunidade para se conviver em paz numa sociedade, para garantir a “soberania da vontade coletiva”, conforme o contrato social, defendido pelo  filósofo suíço Jean-Jacques Rousseau (1712-1778).  Assim, todas as nossas escolhas devem considerar esse coletivo do qual todos somos parte, porque, afinal, ninguém está só no mundo, nem vive isolado numa cabana no meio do nada, mas em comunidade.  Acreditar que podemos viver sozinhos e que não precisamos de ninguém é uma grande falácia, porque todos precisamos de todos, em maior ou menor grau – dos prestadores de serviço mais desvalorizados aos mais nobres, dos professores aos alunos, dos grandes profissionais aos menos qualificados.
 
O tema fica muito mais claro quando pensamos nas várias tradições religiosas da humanidade. Todas falam do bem comum, da solidariedade, da empatia, da necessidade de se colocar no lugar do outro. Aliás, essa é uma forma de entender melhor (mas nem sempre justificar) a situação e as atitudes desse outro e agir com ele, como gostaríamos que ele agisse conosco.

Provado está que essa atitude óbvia, bem pouco praticada, de colocar-se no lugar do outro,  de praticar a “regra de ouro" (Matheus 7-12; Lucas 6-31), é um dos pilares da vida em sociedade. O indivíduo age assim quando pensa no bem-estar do outro e da comunidade. Dessa maneira, todos terão acesso a bons equipamentos e serviços públicos, poderão viver com dignidade e se desenvolver, cada qual no seu ritmo, mas com as condições mínimas necessárias para tal. Isso ocorre mesmo que eu não utilize determinados serviços e equipamentos, porque, repito, não se trata apenas dos desejos do indivíduo, mas da soberana vontade coletiva. Afinal, a cidade é de todos; o país é de todos e o planeta é nossa casa comum!   
 
Com relação à ação nossa de cada dia: é fácil ler, levar debaixo do braço os livros sagrados, repetir frases inteiras e “acreditar” que age de acordo com sua religião. Isso é fácil, papel aceita tudo. Difícil e verdadeiramente nobre é ser coerente, praticar e aplicar a essência dos ensinamentos religiosos no dia a dia, no tempo e no espaço, a cada atitude.

Então, pense bem antes de escolher seus candidatos nesta eleição. Ainda que você não usufrua de todas as propostas e programas, sua escolha ajudará a construir o futuro próximo para tantos e, mais ainda, para seus filhos e netos. Não negligencie nem menospreze o sagrado direito de votar, obtido com a luta de muitos.  

Referências

Ribeiro, Paulo Silvino. Rousseau e o contrato social. Disponível em <https://brasilescola.uol.com.br/sociologia/rousseau-contrato-social.htm>. Acesso em 26/set./2026. 

Souza, Thiago. Jean-Jacques Rousseau, https://www.todamateria.com.br/jean-jacques-rousseau/  

https://www.bibliaon.com/versiculo/mateus_7_12/   

Nenhum comentário:

Postar um comentário