sábado, 17 de setembro de 2022

Ecos Literários | Centenário de Saramago

Avis, PT. Cartaz 100 anos de Saramago

Quem me conhece sabe que sou fã de carteirinha de José Saramago (1922-2010) (ver aqui)Em 16 de novembro de 2022, o escritor português, ganhador de inúmeros prêmios como o Nobel de Literatura, faria 100 anos. Com sua obra, ele garantiu um lugar eterno no universo literário mundial e sua voz sempre vai ecoar pela força, coragem e determinação em denunciar a hipocrisia da sociedade, do capitalismo, dos que se autointitulam “religiosos”, mas agem contrariamente aos preceitos de amor, paz, fraternidade, solidariedade e compaixão, valores defendidos por todas elas.

Humanista ao extremo, suas obras são ensaios filosóficos sobre a vida e o viver, sobre a mesquinhez e a grandeza da humanidade. Suas personagens centrais são femininas: mulheres fortes, solidárias, por vezes sozinhas, mas sempre resilientes, corajosas, lúcidas. Elas, as personagens femininas, nos ensinam a abrir os olhos e acordar, a não desistir e seguir em frente, a enxergar o outro e agir com o coração.

Ele tinha uma escrita inconfundível, inusitada, direta e nada convencional. Por isso, a leitura pode ser difícil para um leitor não acostumado com seu estilo, mas no começo, só no começo. Depois das primeiras dez ou vinte páginas, o leitor descobre uma escrita apaixonante e se perde no universo intimista de Saramago.

Para comemorar a data, a Fundação Saramago fez várias parcerias para uma série de eventos aqui e em Portugal.  Coordenadas pela jornalista espanhola Pilar del Río, presidente da Fundação e viúva do escritor, as parcerias envolvem o Museu da Língua Portuguesa, a Biblioteca Mário de Andrade, o Sesc e a Companhia das Letras, só em São Paulo. Seminários e discussões várias com outros autores, exposições, reedições de seus livros, tudo para homenagear o único ganhador do prêmio Nobel de Literatura em língua portuguesa. Mas eu já lia Saramago bem antes do Nobel, porque com ou sem prêmio, para mim ele é brilhante. 

Em outras palavras, desde sempre, a Literatura vem em nosso socorro com seu poder de desenvolver ou consolidar em nós conhecimento, pensamento crítico e empatia, a capacidade de sentir sem, necessariamente, estar vivendo aquelas situações mostradas. Viva Saramago! Viva a Literatura!

Referências 

https://www.josesaramago.org/centenario/

https://istoe.com.br/saramago-centenario/

https://www.museudalinguaportuguesa.org.br/mlp-celebra-o-centenario-de-saramago-com-exposicao-papos-virtuais-e-atividades-educativas/ 

https://blog.saraiva.com.br/jose-saramago/ 

https://aterraeredonda.com.br/jose-saramago-a-dimensao-politica/ 

sexta-feira, 9 de setembro de 2022

Ecos Imateriais | Empatia

Empatia vem do grego empátheia: "entrar no sentimento". Ou seja, colocar-se no lugar do outro e tentar compreender as situações a partir do ponto de vista dele. Fácil? Nem sempre, mas necessário. O indivíduo se percebe como alguém que desenvolveu a empatia quando sente que algo mudou dentro de si, que não foca mais apenas no seu mundinho, mas é capaz de olhar o outro e o mundo com um novo olhar, mais compassivo e generoso. Além disso, tornar-se empático faz parte do processo de crescimento espiritual. Empatia é ver a diferença, mas mesmo assim, tentar construir pontes e não muros, com diálogo, respeito e sutileza. 
 
Quando se começa a desenvolver a empatia, o primeiro sentimento que surge é de choque, perplexidade por ver o tamanho do sofrimento do outro e do mundo. Depois, o indivíduo procura compreender a partir do olhar do outro e, só então, tentar auxiliar de forma equilibrada. Alguém que se envolve totalmente e mergulha na dor do outro perde seu próprio centro e acabar sendo incapaz de ajudar quem quer que seja. Nesse caso, em vez de ajudar, atrapalha, porque intensifica a dor que o outro sente. 
Ao desenvolver a empatia, o indivíduo é alguém que se sensibiliza mais  pelo sofrimento não só das pessoas e do mundo mas também do meio ambiente e dos animais. Não importa a distância, nem a língua, a raça, a geografia. Ele se sensibiliza, porque se identifica com o Todo. Somos um, lembram- se? Ele se identifica e muda. Muda sua forma anterior de ver o mundo e até de cuidar de si próprio. Identifica um chamado interior para a ação e passa a sentir, ver e ouvir o outro, porque, às vezes, tudo o que o outro queria era ser visto e ouvido com atenção e respeito. Empatia, portanto, inclui a escuta generosa, atenta, paciente e gentil.  
 
MAS, é bom que se diga, empatia não significa conivência, aceitação do mal... Como dizem os textos, é preciso manter-se coerente com os princípios sagrados. Seria como condenar o pecado, mas não o pecador. É da lei da vida que ao agir, o indivíduo já está semeando seu destino para o bem ou para o mal, ou ainda, a cada um será dado segundo suas obras. Então, não nos preocupemos em julgar, já que é certo que a colheita virá. Além disso, aquele que age erradamente terá sempre a consciência como seu eterno e mais severo juiz.

Referências

https://escoladainteligencia.com.br/blog/o-poder-da-empatia-como-ela-impacta-a-vida-das-pessoas/   

http://www.aluzdoespiritismo.com.br/artigos/13/empatia-  

https://www.psicanaliseclinica.com/se-colocar-no-lugar-do-outro/