domingo, 9 de outubro de 2022

Ecos Culturais | Para comentar no blog

https://anitadimarco.blogspot.com/

Caros leitores, resolvi fazer um passo a passo para quem quiser fazer comentários aqui no blog. O que ocorre é que muitos não deixam seus nomes ao comentarem. Ora, assim jamais saberei quem é o dono da mensagem, exceção feita àqueles que me chamam por algum apelido ou diminutivos especiais... Esses eu já sei quem são!!! Mas, de modo geral, aqui vai:

1-  Entre na caixa de comentários;

2-  Marque na setinha, à direita da caixa, como você quer comentar: anônimo (se não tiver gmail) ou Google (se tiver gmail);

3-  Só depois de ver a linha azul circundando a caixa de comentários é que que vc deve escrever seu comentário, assinar logo ao final da mensagem (se tiver optado pelo modo anônimo) e enviar. Lembrando: “anônimo” aqui refere-se a todos que não têm conta gmail, ou seja, em outros provedores como ig, uol, hotmail, yahoo etc e, por isso, é preciso assinar.  Se sua conta for gmail, do Google, não precisa assinar;

4-  Clique em enviar! 

5-  Agradeço a todos aos leitores do Blog Anita Plural. Continuem lendo, comentando e me incentivando a prosseguir. Só não serão aceitos comentários preconceituosos, ofensivos e que incitem à violência.    

sábado, 1 de outubro de 2022

Ecos Linguísticos | Novos termos. Sinal dos tempos?

Modernidade líquida, aporofobia, mixofobia, só para citar alguns termos novos, estranhos, excludentes e chocantes. Sinal dos tempos? Se por um lado, constatamos a dinâmica da língua portuguesa, como das demais línguas, com a possibilidade de substituir modos de dizer, expressões e termos, e também de criar e inserir outros, por outro lado é assustador ver a frequência com que vêm surgindo e o significado de alguns deles.  

Modernidade líquida. Termo usado por Zygmunt Bauman (1925-2017), sociólogo e professor polonês para referir-se à perda de valores e conceitos mais duradouros e sólidos como os de coletividade, comunidade e solidariedade. Diz ele que a lógica gerada pelo capitalismo desenfreado e globalizado, nesses tempos estranhos de modernidade líquida, faz predominar o individualismo e o consumo. As relações pessoais, as esferas da vida social, portanto, como os líquidos, tornam-se mais frágeis, fugazes, voláteis. Com a onipresença das redes sociais e a velocidade das informações, nem sempre verdadeiras, o novo conceito é chocante e assustador, mas tristemente verdadeiro.  

O sociólogo Zigmunt Bauman.

 Aporofobia. O termo criado pela premiada escritora e filósofa espanhola Adela Cortina (1947) designa uma fobia contra o pobre, fobia essa que leva o indivíduo a rechaçar pessoas, raças e etnias diferentes das suas e que, em geral, têm menos  recursos. O termo ganhou destaque ao ser usado pelo Padre Júlio Lancelotti, da Pastoral do Povo de Rua em São Paulo, referindo-se à ação da sociedade e de órgãos públicos de afastar os “pobres” com artifícios, mecanismos e “desenhos” que inibem comportamentos e a própria presença dos “indesejáveis”. Aqui mesmo, no blog Anita Plural, já falei do termo em duas postagens tratando do tema “arquitetura hostil” (aqui e aqui). Mas, a aporofobia também pode ser percebida em outras áreas além da arquitetura e do urbanismo, como na educação, na saúde pública, no judiciário etc. Basta prestar atenção e unir os pontos. 

Mixofobia é outro termo assustador – medo de se misturar. O arquiteto Adalberto Retto Junior (1964), professor da Faculdade de Arquitetura, Artes, Comunicação e Design (FAAC) da Unesp-Bauru, em seu artigo Da redescoberta da urbanidade às paisagens de marginalização mergulha mais a fundo no lamentável conceito de aporofobia e também cita Bauman e a mixofobia.

“Em outras palavras, essa reação particular toma forma em nossas cidades daquilo que Bauman (2007) define como mixofobia urbana:  o medo real de se misturar com os outros, ou seja, com aquela pluralidade de "tipos humanos" e de "estilos de vida" que, apesar de todas as “precauções”, encontram-se na vida normal da cidade”.

Tais termos e os conceitos que carregam têm a tendência de construir guetos, ilhas separadas de similaridades e, portanto, reforçar os preconceitos e a desigualdade e, em seu extremo, fortalecer violência e discursos de ódio. Portanto, mais do que necessário, é urgente desconstruir tais conceitos com atitudes diárias, porque como a língua, os conceitos, sistemas econômicos e políticos também mudam. Nada contra, desde que essa mudança seja para melhor, no sentido de acrescentar dignidade ao ser humano, com termos mais elaborados, inclusivos, solidários e universais. Senão, como raça humana, estaremos apenas mudando, mas para pior.

Referências

https://diplomatique.org.br/da-redescoberta-da-urbanidade-as-paisagens-de-marginalizacao/  

https://anitadimarco.blogspot.com/2022/02/ecos-urbanos-arquitetura-hostil-1.html

https://anitadimarco.blogspot.com/2022/02/ecos-urbanos-arquitetura-hostil-2.html

https://www.institutoclaro.org.br/cidadania/nossas-novidades/reportagens/o-que-e-aporofobia-e-como-combate-la/

https://www.uol.com.br/ecoa/ultimas-noticias/2022/01/25/aporofobia-aversao-a-pessoas-pobres-esta-presente-ate-na-arquitetura.htm