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O
convite contemporâneo para “mover-se e exercitar-se” veio para ficar. Isso é
bom, porque o sedentarismo não ajuda ninguém, ao contrário. A
vida precisa de saúde, atividade física e mental, alegria e movimento, mas,
como dizia minha avó, usando e abusando de cautela e bom
senso!
Da mesma forma, de uns anos para cá, a prática de yoga parece ter entrado na moda. Antes disso, comecei a praticar yoga, no final dos anos 1970, no Centro de Estudos de Yoga Narayana, em Higienópolis, em São Paulo, numa época em que não havia tanta procura. Uma querida colega de trabalho do Departamento do Patrimônio Histórico (DPH-SMC/SP), Márua Roseni Pacce, hoje no Núcleo de Yoga Ganesha, me convidou para fazer uma aula sua. No início, duvidei que fosse continuar, porque, havia praticado ginástica rítmica e balé durante anos e, na faculdade, jogava basquete, vôlei e até corrida, quando necessário. Teoricamente, eu não era uma praticante nata ou tradicional de yoga, mas, para minha surpresa, fui, fiz a aula, continuei e estou na área até hoje.
À época, não havia tantos professores, cursos, escolas, reportagens, textos ou livros. Tínhamos que garimpar juntos, mas íamos praticando, estudando, lendo, discutindo e aprendendo em grupo. As reuniões semanais de professores, às quartas-feiras às 13 horas, deixaram saudades. Foi uma época muito rica, de troca, convivência e aprendizado. Tudo era novo para mim e, como boa aquariana, eu bebia as novidades aos borbotões e ia atrás de muitos outros conteúdos. Assim, o tempo foi passando. Fiz o curso básico de formação de professores no próprio Narayana, tornei-me instrutora de yoga e comecei a dar aulas lá mesmo, com o ambicionado uniforme roxo que caracterizava seus professores. Havia uma aura de não-sei-quê em quem usava aquele uniforme.
Depois,
no início dos anos 80, ganhei uma bolsa de estudos e fui fazer uma pós em Roma, na área de Patrimônio Histórico, mas continuei praticando yoga e estudando.
Na volta, além do trabalho como arquiteta, continuei minha prática e, no final dos anos 1980, eu me mudei para Varginha, Sul de
Minas. Lá criei o Espaço Dharma de Yoga, em 1990.
FMU - Prof. Deveza, Shimada e Filla.
Senti necessidade de me aperfeiçoar e fiz uma pós-graduação em yoga na Uni-FMU
(Faculdades Metropolitanas Unidas) em São Paulo, em curso coordenado pelo
professor Marcos Rojo e vinculado ao Instituto de Yoga de Kayvalyadhama, em
Lonavla, na Índia. Além da presença de um ou outro indiano, o nível dos
professores brasileiros era altíssimo: J.Hermógenes, Lia Diskin, S.Shimada,
Cesar Deveza, Manoel Collaço, Daisy Rodrigues, Liliam Gulmini, José Antônio
Filla, Monja Cohen, João Vieira e muitos outros.
Em
Varginha, apesar da conhecida cisma mineira, no início consegui manter três
turmas semanais de yoga, depois duas e, religiosamente, mantive as duas turmas
por 34 anos. Durante as aulas, sempre aliei estudos teóricos à prática, tendo
por alicerce o conhecido compêndio Yoga Sutras de Patanjali, base do
Raja Yoga, que une ética à técnica. Além disso, sempre fizeram parte do meu dia
a dia no yoga, como voluntária, oficinas, estudos teóricos, palestras e
atividades ao ar livre, para várias entidades, inclusive religiosas, o que
prova que o yoga vai além de qualquer doutrina religiosa. Ao contrário, permite
que cada um pratique melhor e com mais consciência sua própria religião.
O que quero dizer com isso é que o yoga foi chegando devagarinho, como um convite distante e discreto, e hoje faz parte de mim; deixou de ser algo externo para se tornar uma filosofia de vida e um convite permanente ao autoconhecimento, como se estivesse lá no fundo me chamando, desde sempre. Só posso agradecer, namastê!
Referências:
https://anitadimarco.blogspot.com/2018/05/ecos-imateriais-grandes-do-yoga-shimada.html
https://anitadimarco.blogspot.com/2017/05/ecos-imateriais-grandes-do-yoga-celeste.html
https://anitadimarco.blogspot.com/2016/03/vida-yoga-ao-mestre-hermogenes-com.html


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