sexta-feira, 1 de novembro de 2019

Ecos Arquitetônicos | Museu do Ipiranga 1- História

Acho que não seria errado afirmar que quase toda criança paulistana já foi ao Museu Paulista, ou melhor ao Museu do Ipiranga, como é mais conhecido. Ligado à Universidade de São Paulo, o Museu já recebeu milhares de visitantes de outros estados e de outros países. No entanto, para os habitantes da cidade de São Paulo e arredores, a visita ao Museu do Ipiranga é passeio obrigatório para todas as gerações. Com base nas narrativas aprendidas em aulas de história, com os pais ou professores, a visita ao edifício-monumento, à Casa do Grito e um passeio pelos seus jardins são favas contadas. Há mais de 100 anos, ele está presente no imaginário da população. 
 
Inaugurado, em 1895, com projeto do engenheiro e arquiteto italiano Tommaso Bezzi (1844-1915), o edifício foi construído como Museu de História Natural entre 1885 e 1890 para marcar o lugar da proclamação da Independência, ocorrida no dia 7 de setembro de 1822. O projeto dos jardins é do belga Arsênio Puttemans. Só em 1963 é que foi incorporado à universidade, tornando-se referência para a pesquisa sobre a história da cultura material da sociedade brasileira, sobretudo nos séculos 19 e 20. 
A TV Gazeta  fez um vídeo sobre o Museu Paulista mostrando o acervo, a história e as curiosidades deste museu. Vale assistir.
 Museu do Ipiranga - Publicado em 17 de set de 2007. 

 Outra fonte bem interessante é o excelente canal Conhecendo Museus, que também tem um vídeo (24 min.) sobre o Museu Paulista. Além de falar da história e do acervo, o canal propõe questões e reflexões. Afinal, como afirma no vídeo Paulo Garcez Marins, docente do Museu Paulista, em 2013, “a história é um campo de disputas, não há uma verdade no passado, mas interpretações diferentes que compreendem processos históricos de maneira diferente, pessoas de maneira diferente e que acentuam um debate que, na verdade, alimenta um museu histórico como o Museu Paulista”.  
Num próximo post, falaremos sobre o projeto de modernização e restauro do Museu, fechado desde o incêndio ocorrido em 2013.
 Conhecendo Museus  Série I-Museu Paulista. Publicado 5 jun 2013
 
Referências:
https://www.youtube.com/watch?v=emaCXoNEFV4
http://www.mp.usp.br/museu-do-ipiranga

quinta-feira, 24 de outubro de 2019

Ecos Literários | Outra educação é possível

Nunca duvidei que eu podia e merecia muito mais. Batalhei. Revidei. Virei o jogo.
Luana Tolentino.

O educador Paulo Freire defendia que educar é impregnar de sentido o que fazemos a cada instante! Em Belo Horizonte, a professora Luana Tolentino foi buscar esse sentido mais profundo na sala de aula, em contato com diferentes grupos. Segundo a autora, para se alcançar uma educação que seja, de fato, participativa, inclusiva, antirracista, comprometida com respeito e justiça é necessário entender que a educação precisa fazer sentido para todos os envolvidos: os que aprendem e os que ensinam. 
Luana defende um aprendizado pelo encanto, pela curiosidade e pelo afeto; um aprendizado conduzido pelo diálogo, pelas trocas, pela escuta e pela ousadia. Afirma (e, coerente, vive isso no cotidiano) que trabalhar com educação é um ato político, a partir da compreensão de que se o indivíduo se vê com empatia, também é capaz de ver o outro, o diferente, com empatia. 
A partir da vivência como professora de História, em escolas da periferia de Belo Horizonte, Luana refletiu sobre sua prática em sala de aula, ousou e conseguiu mudanças a serem aplaudidas e imitadas.
Com propostas surpreendentes e parcerias inusitadas, ela percorre um caminho que exige ética, empenho, compromisso dos envolvidos com uma sociedade mais justa e igualitária, supressão de preconceitos e da neutralidade. 
Não é fácil, por certo, mas é um caminho que gratifica porque planta, ajuda a crescer, acolhe e aponta caminhos, ou melhor, deixa-os abertos à disposição de quem quiser percorrê-los.    

Os projetos, explicitados no livro "Outra educação é possível", têm títulos criativos e instigantes, como ‘Chimamanda é linda e feminista’, ‘Leonardo, Michelangelo e a arte do Vale do Jequitinhonha’, ‘Precisamos falar sobre feminicídio nas escolas’, ‘Marcela e Frida Khalo’, entre muitos outros.  São riquíssimos porque abrem as portas a uma efetiva inclusão e interdisciplinaridade, partindo de situações reais, lidando com seres quase invisíveis, mas que se transformam ao longo do processo, porque foram tratados com respeito e empatia. O livro emociona e devolve esperança àqueles que se sentem desanimados, nos dias de hoje.  
Sim, graças à ousadia, empenho, grandeza de alma e senso de justiça de Luana Tolentino é que podemos ter esperanças em uma nova educação. 

Livro: Outra educação é possível. Feminismo, antirracismo e inclusão em sala de aula.
Luana Tolentino. ISBN: 9788571607125
Belo Horizonte: Mazza Edições, 2018
Sobre a autora: Luana Tolentino, mineira de Belo Horizonte, é mestre em Educação pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) e professora de História da rede pública, na periferia de Belo Horizonte. 
 


Referências:
Tolentino, Luana. Outra educação é possível. Feminismo, antirracismo e inclusão em sala de aula. Belo Horizonte: Mazza Ed., 2018.
https://www.geledes.org.br/tag/luana-tolentino/

quinta-feira, 17 de outubro de 2019

Ecos Imateriais | Fábula do porco-espinho



Desde sempre, fábulas e histórias transmitem lições e ensinamentos úteis para o desenvolver valores como compaixão, respeito, empatia e solidariedade. Mais do nunca, em tempos sombrios e surreais de hipocrisia, sectarismo e preconceito é preciso buscar inspiração e consolo nessas narrativas. Pode parecer um contrassenso, hoje em dia, falar da fábula do porco espinho, mencionada pela primeira vez pelo filósofo alemão Arthur Schopenhauer (1788-1860), mas é justamente nesses momentos que ela parece fazer mais sentido.

Conta-se que na era glacial, muitos animais acabavam morrendo por causa do frio intenso. Para se proteger, alguns davam tratos à bola para descobrir formas de sobreviver. Os porcos-espinhos tentaram uma solução: eles se aproximaram, tentando aquecer-se e proteger-se contra o frio. Os espinhos, porém, pelos endurecidos por queratina, incomodavam e feriam os que estavam mais próximos e ofereciam calor para o grupo. A dor da proximidade foi muito forte; eles não a suportaram e acabaram se afastando. Morreram congelados. 
Dispostos a sobreviver, outro grupo dos mesmos animais concluiu que ou eles morreriam de frio ou teriam que aguentar os espinhos dos companheiros. Aproximaram-se com mais cuidado e, aos poucos, foram aprendendo a lidar e a conviver com as dores causadas pelo excesso de proximidade. Respeitavam o outro, mas guardavam certa distância, uma distância necessária e suficiente para aquecê-los e mantê-los vivos. Sobreviveram...

Moral da história: Não existe perfeição em nosso mundo. Seja nos ambientes familiares, profissionais ou sociais, não há relacionamento perfeito, porque não existem pessoas perfeitas. Desde que isso não fira a dignidade dos envolvidos, a melhor forma de se relacionar com o outro pressupõe aprender a respeitar, aceitar e a conviver com os defeitos do outro, sempre em prol de um bem maior: o bem-estar geral da comunidade. Porque, como diz uma conhecida frase, juntos, somos sempre mais fortes.