Um belo dia, assim que enviei aos amigos o link para uma das minhas postagens, Akio Baba, marido da também querida Eliana, mestre e engenheiro elétrico pela Escola Politécnica-USP e professor aposentado do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA) em São José dos Campos, respondeu à minha mensagem com uma pergunta, no mínimo, inusitada: – Anita, quando você vai escrever sobre o fantástico salto de Itapura?
Surpresa pela questão, surgida assim do nada (afinal, o link que lhe enviara nada tinha a ver com saltos, cachoeiras, cataratas ou algo do gênero), fiz minha bateria de perguntas habituais: – Oi? Quando? Como? Onde? Por quê?
E ele: – Ora, como assim por quê? Porque as pessoas precisam conhecer a história desse salto lindíssimo.
Então, tá. Ficou decidido que eu iria acatar o pedido do meu amigo. E lá fui eu pesquisar mais a fundo sobre Itapura e, é claro, a coisa foi tomando corpo e ficando bem maior do que eu esperava. Daí a divisão em três postagens, para não cansar o leitor.
Bom, quando eu era criança, ouvia falar da construção de hidrelétricas, como o Complexo de Urubupungá, formado pelas Usinas de Ilha Solteira e Jupiá, no rio Paraná, e Três Irmãos, no Tietê; depois, a história do Salto de Sete Quedas, Itaipu e por aí vai. Falava-se da inundação de geografias, paisagens, terras agricultáveis, cidades, praças e ruas para formar os lagos para as hidrelétricas, já que toda usina precisa de lagos. Ilha Solteira, então, concluída em 1978, tem um reservatório de quase 2 mil m². Já o de Jupiá (Usina Engenheiro Souza Dias), concluída em 1974, a jusante de Ilha Solteira, é seis vezes menor, com 330 km², pois a usina não precisava de grandes reservatórios já que funcionava a “fio d’água”, ou seja, aproveitava a força da correnteza do rio para gerar as turbinas.
Bom, é evidente que proporcionais ao tamanho desses reservatórios são os impactos ambientais e sociais da construção dessas usinas: alagando extensas áreas ribeirinhas, alterando o ciclo das cheias, interferindo no meio ambiente, na vegetação nativa, na flora e na fauna da região, destruindo partes da vida das populações envolvidas – casas, propriedades rurais, matas –, realocando milhares de pessoas, só para citar os principais. Naqueles anos de chumbo (1964-1985), eram quase inexistentes os estudos sobre impactos ambientais e sociais e, apesar dos protestos (sempre inibidos), os projetos de infraestrutura energética continuavam a todo vapor.
Por que estou falando disso? Porque Akio me deu a dica (obrigada, meu amigo!) e também porque é preciso conhecer a história em geral, da civilização, das sociedades, dos países, dos povos, dos inventos, da tecnologia, da arte, da literatura e, principalmente,
a nossa própria história que é abrangente, extensa, longa e inclui - história, geografia, sociologia, antropologia, filosofia, cinema, teatro,
arte, poesia, economia, engenharia, arquitetura, medicina etc... Tudo está sempre interligado, como os quadros de um mesmo filme.
Em tempo: nas próximas semanas, mais duas postagens sobre o tema.
Referências
https://ferdinandodesousa.com/2019/04/18/as-usinas-do-complexo-hidreletrico-urubupunga-no-rio-parana/http://www.spcidades.com.br/cidade.asp?codigo=537
http://www.marinaurubupunga.com.br/conteudo.php?id=27p
https://www.mundovestibular.com.br/blog/rio-tiete
https://abcine.org.br/site/o-profeta-das-aguas/



