quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Línguas, Linguagens & Vida: Uma flor a cada professor


Ramo de Flores (1958), de Pablo Picasso (1871-1973). 

Resolvi relembrar, nesse dia do professor, uma postagem feita, aqui no blog Anita Plural, em junho de 2015 sobre o sublime dom que é o de educar outro ser. Uma postagem que me emocionou. Veja em O divino dom de educar. O texto traz uma poesia, escrita pela professora norte-americana Mary MacCracken, para seus alunos, ditos especiais.
Especial era ela, sem a menor dúvida. Em entrevista, em 1978, ela disse: “Crianças emocionalmente perturbadas não são diferentes de nós; todos nós sabemos o que é ter raiva, solidão e dor. Todos nós nos retiramos da realidade. A diferença está apenas no grau em que isso acontece”. 
Nesse nosso imenso país de contrastes e riquezas, a todos os professores com ‘P’ maiúsculo que, apesar das inúmeras dificuldades intrínsecas à vida, insistem e não desistem...
Aos professores atuantes e aposentados, dos mais diversos níveis e áreas do conhecimento, que acolhem seus alunos de todas as idades, aconselham, orientam, libertam, incentivam, criam meios de abrir brechas em seus corações e mentes; que despertam o interesse, o senso crítico, o amor pelo conhecimento e pela justiça, que exemplificam com suas atitudes éticas, de solidariedade e compaixão, que ensinam, mas também aprendem...nossa homenagem e nosso agradecimento profundo.
Àquele que ainda não consegue despertar tudo isso, eu digo: não perca a ocasião e a possibilidade de fazer diferença. Anime-se, não desista, tome consciência de sua responsabilidade e de seu papel e deixe boas marcas, porque mesmo que não queira, você deixará uma. Que ela seja boa, então. Faça o seu melhor, sempre, onde estiver. Não é por acaso que você é professor; não é por acaso que está onde está. E termino, relembrando mais uma vez o grande Chico Xavier ao dizer que palavras podem até convencer, mas só o exemplo arrasta.  

Paisagem construída - Pintando a favela


Imagem: https://www.kickstarter.com/projects/1953408692/painting-an-entire-favela-in-rio-de-janeiro/posts/673990 
Um belo projeto iniciado há dez anos, em 2005, no Rio de Janeiro. Agora, eles estão de volta com a Campanha Kickstarter para uma segunda etapa da proposta. Muito bom ver como as pessoas põem a mão a massa em vez de ficar reclamando das condições encontradas...um belo e admirável projeto, se não pelo resultado, com certeza pela metodologia e atitude: participação da comunidade, formação profissional, formas de contratação, etc. 

Vídeo com legenda em português: https://www.ted.com/talks/haas_hahn_how_painting_can_transform_communities#t-642776    

Referências
http://www.archdaily.com.br/br/01-143808/nova-campanha-kickstarter-para-colorir-uma-favela-no-rio-de-janeiro   
https://www.kickstarter.com/projects/1953408692/painting-an-entire-favela-in-rio-de-janeiro  

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Línguas & Literatura: Dica de Leitura - Dez mulheres



 É o nome do livro da escritora chilena Marcela Serrano: Dez Mulheres, tradução de Paulina Wacht e Ari Roitman, RJ: Ed. Objetiva, 2012. Um livro que aborda a questão feminina, não sob o ponto de vista do observador, mas de quem conta a própria história.
Os personagens: Natasha e outras nove mulheres com suas histórias de vida.
O cenário: Santiago do Chile, como pano de fundo e ainda o Atacama, Itália, Espanha, entre outros lugares.
O período? Depende de quem conta a história. Para uns é a segunda metade da década de 1970, após a tomada do Palácio de La Moneda, ou seja, depois do trágico desfecho do curto governo de Salvador Allende; para outras, é um tempo mais distante, no mesmo país andino ou na Europa, e por aí vai.
Um livro que desnuda a alma feminina e suas nuances: seus anseios e carências; seus medos e ousadias; suas perdas e conquistas; suas duras verdades e mentiras piedosas; suas alegrias simples e lembranças íntimas, o que lhes permite reviver o passado, aprender com ele ou mostrar a falta de perspectiva diante do relógio, cujos ponteiros indiferentes marcam não só o tempo, mas também o rosto, o pescoço e o cérebro.
A seu modo, cada uma fala da importância de celebrar o tempo presente e de como se lembram – hoje – do que passou, do que passaram, do que poderia ter sido...Da doída e intensa constatação de que é impossível disfarçar o ódio porque ele tinge como sangue; do angustiante instante “eureca’ ao compreender que a dor está, sim, presente no DNA de certas pessoas e por isso elas são como são; ou da lenta e decidida constatação de que não "já se prestam mais para escrever e ler frivolidades"...
Enquanto isso, inertes e com olhos vazios, outras mulheres olham pela janela de seus apartamentos gelados e veem a vida passar; tentam se esquecer e se aquecer, em vão, porque está o frio vem da alma; e tentam fugir dos medos de tudo e de todos, da sensação de solidão e das inúmeras camadas de silêncio... 
Francisca, Mané, Juani, Simona, Layla, Andrea, Luisa, Guadalupe, Ana Rosa e Natasha.  
Impossível não se identificar com elas em algum momento de suas vidas. Impossível não tirar o chapéu para essas mulheres corajosas, que quiseram dominar suas histórias e as narraram, porque "só narrando uma história é que podemos ter domínio sobre elas". Aplausos para mais uma brilhante e sensível escritora chilena.   

sábado, 10 de outubro de 2015

Vida & Yoga: 15 - 30 minutos por dia



Sempre me perguntam por que, em vez de duas, não dou aulas de yoga três vezes por semana. Minha resposta: para praticar, ninguém precisa de incenso, música ou professor. Ou melhor, pode haver tudo isso, o que não pode haver é o apego. E essa é uma forma de desenvolver aparigraha, desapego. E, mais, qualquer um pode fazer uma prática em 15-30 minutos, se não dispuser de mais tempo. Com alguns meses de prática, o praticante é capaz de escolher aquelas posturas que lhe são mais confortáveis e pode criar seu próprio programa. O importante é criar rotina, é habituar-se e comprometer-se. Veja algumas dicas:
- busque um canto tranquilo em sua casa para começar bem seu dia.
- tenha disciplina, disciplina e disciplina (tapas); com isso, você se habitua à prática diária e desenvolve consciência corporal, concentração, tranquilidade e alegria (santosha).
- observe um programa que lhe dê conforto e estabilidade; yoga é mais do que fazer exercícios e respirações; yoga trabalha o corpo para atingir a mente;
- respeite seus limites; yoga não é acrobacia, cada um realiza os asanas no seu ritmo, no seu tempo e de acordo com suas possibilidades; yoga é não violência (ahimsa), sua prática regular gera conhecimento de si, com honestidade e verdade (svadhyaya, satya e asteya), moderação (brahmacharya) e desapego (aparigraha). 

Comece percebendo seu padrão mental e respiratório. Respire conscientemente, sem forçar, apenas percebendo a existência dos quatro tempos da respiração: inspiração, pulmões cheios, expiração, pulmões vazios.  Faça movimentos que trabalhem a coluna em todas as direções: extensão (para trás), flexão (para frente), lateralização, invertidas e torção. Permaneça de três a cinco respirações em cada postura ou asana. Se puder, inclua posturas de equilíbrio e força.  
   
Imagem: www.felizcomvocê.com.br
Termine com relaxamento, técnicas respiratórias (pranayama) e meditação (dhyana), observando os batimentos cardíacos, os movimentos da mente ou os tempos de cada respiração. Observe, não julgue, não analise. Apenas respire, observe, entregue e confie (Ishvara Pranidhana).   

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Reflexão: Transformação & Persistência


Não largues do cinzel. Seu toque é imprescindível para a obra. Cada um é responsável por transformar em obra de arte a pedra bruta que recebeu.    

-Michelangelo (1475-1564)
Michelangelo di Lodovico Buonarroti Simoni, ou simplesmente Michelangelo, foi pintor, escultor, poeta e arquiteto renascentista italiano, considerado um dos maiores nomes da história da arte do ocidente. Deixou verdadeiras obras-primas como estas estátuas e os afrescos da Capela Sistina, no Vaticano. Impossível não se emocionar diante delas ao imaginar o pedaço de mármore bruto de onde surgiram, pelo esforço, dom e persistência daquele homem.  
 Moisés, na Igreja San Pietro in Viincoli, Roma. Imagem: Wikipedia 

 La Pietá, na Basílica de São Pedro, Roma, Michelangelo. Imagem: www.seuhistory.com 

David (detalhe), na Academia de Belas Artes de Florença. Imagem:www.diregiovani.it 

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Paisagem construída: Na era das bikes, uma nova invenção...


Imagem: Frolic Studio

Escritório de design de Amsterdam, o Frolic Studio, criou um aplicativo para auxiliar o usuário a achar sua magrela em um mar de bicicletas: trata-se de uma simples campainha, incrementada com mapa e tecnologia bluetooth, ou seja, um smart pingbell. A invenção surgiu dentro do processo chamado Frolic 24h. Os designers anotam itens que precisam de atenção e guardam as anotações. Quando têm tempo entre um projeto e outro, selecionam uma delas e colocam a cabeça para funcionar. E assim, em 24 horas, nasceu o smart pingbell. Agora o escritório está procurando parceiros para construção e distribuição do produto. 
Oxalá a tal campainha seja muito útil nas nossas cidades. Em outras, como Cambridge, na Inglaterra, ela já é urgente...  

Fotos: Anita Di Marco - Estacionamento de bicicletas em Cambridge 
Veja dois vídeos divertidos sobre a criação e o funcionamento do produto. Os vídeos são cortesia do Frolic Studio: https://vimeo.com/136909143   e  https://vimeo.com/96695869
Referências:
http://www.designboom.com/technology/frolic-studio-pingbell-bike-bell-09-11-2015/?utm_campaign=monthly&utm_medium=e-mail&utm_source=subscribers 

domingo, 4 de outubro de 2015

Vida & Yoga: 34ª. Semana Gandhi em SP

  
Quando Gandhi nos convida a sermos a mudança que desejamos ver no mundo, assinala a capacidade inerente a cada um de nós de assumir a responsabilidade pela autoeducação, pela aprendizagem constante com as situações que geramos e gerimos no ato de viver.”
- Convite da 34ª Semana Gandhi 
 A Associação Palas Atena, entidade dedicada a “aprimorar convivência humana por meio da aproximação de culturas e articulação dos saberes”, promove a 34ª Semana Gandhi, no dia 06 de outubro, no SESC Vila Mariana, em São Paulo homenagem ao pacifista e líder indiano, nascido no dia 02 de outubro de 1869 e falecido em 30 de janeiro de 1948.  O objetivo é, mais uma vez, celebrar a vida e o legado do Mahatma por meio de palestras, música e dança. 

Em tempos de intolerância crescente; de cinismo e hipocrisia, de descrença e ódio, suas palavras ecoam dentro de nós e nunca é demais relembrá-las, bem como outras ditas por grandes vultos da humanidade. Entra ano, sai ano e a humanidade parece regredir em termos morais, de convivência e fraternidade.  
Já dissemos aqui no blog que Gandhi possuía dois livros de cabeceira, o Bhagavad Gita e o Novo Testamento e sempre repetia que se todas as bibliotecas do mundo fossem destruídas em um incêndio e restasse apenas o Sermão da Montanha, nada teria sido perdido. Para ele o pequeno trecho do Evangelho, intitulado Sermão da Montanha é a mais completa orientação para nossa evolução espiritual. 
Suas ações em defesa das minorias, desde seus tempos de advogado, na África do Sul, visavam dar fim às injustiças que via e seus protestos pacíficos como greves, passeatas, retiros espirituais e jejuns eram sempre conduzidos pela sua adesão ao princípio da não violência (ahimsa). Eram, no entanto, ações firmes, decididas e assumidas. Preso várias vezes pelos britânicos, sua luta foi fundamental no processo de independência da Índia. Mas não conseguiu seu sonho de convivência pacífica entre as diversas religiões em uma Índia unificada.  Em 30 de janeiro de 1948, foi assassinado em Nova Deli por um extremista hindu. Aquele que era conhecido como Mahatma Gandhi (em sânscrito “grande alma”), saudou seu algoz com as mãos em prece, antes de tombar ao chão. Namastê.
Que sua luta e sua vida sejam sempre lembradas, cada vez, mais, bem como outros luminares da nossa época, do mundo e do nosso país, do passado e do presente, para não nos esquecermos de qual é o nosso papel, nosso caminho e nossa meta.  
Retirada de ingressos nas bilheterias da rede Sesc, no dia da atividade, a partir das 14h, limite de dois por pessoa. 
Referências: 
http://www.palasathena.org.br/index.php 
http://www.sescsp.org.br/programacao/74291_34+SEMANA+GANDHI 

sábado, 3 de outubro de 2015

Paisagens Construídas: O efeito das parcerias

A criatividade estimulada pelo encontro, pela parceria, pela cumplicidade e pelo respeito. Na vida, na arte e no trabalho, trabalhar a dois, ou em grupo,  só potencializa a criatividade e a individualidade de cada um. Muitas vezes, um mais um é muito mais do que, simplesmente, dois. A arquiteta e amiga Ana Gabriela fez, na última terça-feira, dia 29, uma interessante palestra na ATEC Cultural sobre esses encontros, focalizando, sobretudo o Casal Eames. Confiram em   O encontro como elemento essencial da criação arquitetônica e artística.  

Imagem: Blog Feminino e Plural  

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Paisagem Construída: Patrimônio e Modernidade


A estrutura medieval da casa ‘Vandaeleplein foi transformada em uma compacta residência moderna, no centro de Courtrai, província de Flandres, na Bélgica. Todo o interior foi desmontado para receber uma moradia totalmente contemporânea.  Internamente, os arquitetos utilizaram cor branca nas paredes, madeira clara e muita luz. Teto e paredes externas continuam preservados. Um detalhe interessante é que cada andar tem uma escada diferente. O projeto é do escritório belga Cnockaert architecture.

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Reflexão: Norte

 

Qualquer que seja a direção do navio, a agulha magnética de sua bússola aponta sempre para o norte; portanto, o navio não se desvia da rota. Assim é a mente do yogue. Se a mente do homem estiver sempre voltada para Deus, ele estará imune a qualquer perigo.
- Ramakrishna (1836-1885) 

Ramakrishna Paramahamsa foi um dos mais importantes líderes religiosos hindus da Índia, reverenciado por milhões de pessoas, como verdadeiro seguidor de Deus. Seu principal e um dos mais conhecidos discípulos foi Swami Vivekananda (1863-1902), que fundou Ordem Ramakrishna.

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Línguas & Tradução: 30 de setembro-Dia mundial do tradutor

Parabéns a este profissional que possibilita a muitos a leitura de textos de línguas estranhas, lugares distantes e referências outras. Não teríamos tanto acesso a textos estrangeiros sem os tradutores que leem, buscam entender e descobrir a melhor forma de transpor a ponte entre dois universos, duas culturas, duas tradições.  Sempre com o compromisso de manter a intenção e o registro do original, o tradutor colabora para a troca de conhecimento, ideias, conceitos e culturas.
Nem todos podem ler ou escrever em várias línguas, nem todos entendem o que tentam ler ou escrever nas várias línguas. A tradução é um ato de democratizar a leitura, de torná-la mais acessível. Quanto mais obras traduzidas, melhor. Quanto mais tradutores, melhor.  
Parabéns a todos os tradutores, pelo nosso dia: 30 de setembro. 
Aplaudo, abraço e agradeço as inúmeras Anas, Anns, Anitas, Bias, Elianas, Estelas, Lias, Cátias, Ivelizes, Isas, Dinauras, Lenitas, Denises, Kellis, Janes, Ivones, Patrícias, Malus, Rommy(s), Susanas, Veras, Zelinas e também aos Renatos, Sílvios, Joões, Boris, Paulos, Danilos, Marcos, Danis, Marcelos, Josés, Victor e tantos outros nomes e figurinhas carimbadas do mundo editorial da tradução. 
Por isso, não se esqueçam da Campanha Vamos dar nomes aos bois lançada aqui no blog e, sem dúvida, uma reedição bem humorada de inúmeras outras campanhas a esse respeito. A campanha inclui tudo - tradutores, obras de arte, fotografias, livros, músicas, frases, discursos, ensaios, trabalhos acadêmicos, ideias... A internet é ampla e não é nova, mas autoria é fundamental. Dar nomes aos bois, aos autores, é uma atitude óbvia de respeito, reconhecimento e coerência. Ajude a difundir esta ideia.
Que São Jerônimo, o protetor dos tradutores, continue iluminando e intuindo nossos caminhos e escolhas no ato tradutório.
 
Imagens: www.responsivetranslation.com/blog/international-translation-day-the-morning-after/