
Embora não valorizada como se deve em todos os lugares, a educação é vital na qualidade de vida, física, mental e emocional de um povo. Aprender pressupõe interesse, discussão, troca e estímulo ao pensamento crítico. Pressupõe abertura de horizontes e desenvolvimento individual e, portanto, de um grupo. É fato o quanto se pode aprender em livros, aulas, viagens, leituras, seminários, discussões, na literatura e mesmo em
transmissões virtuais. A pandemia da Covid-19 aumentou absurdamente a quantidade
de eventos online dos mais variados assuntos (teatro, música, literatura, yoga, tradução, revisão, urbanismo, meio ambiente,
patrimônio, habitação social etc.). Com isso, a pandemia conseguiu dissolver panelinhas, abrir portas,
escancarar horizontes, aproximar pessoas, divulgar conhecimento e promover relacionamentos. Que essa
cultura virtual abrangente permaneça depois da pandemia é o meu mais profundo desejo!
Em outras palavras, a tecnologia chegou para se
implantar definitivamente na nossa vida cotidiana, pois hoje nenhum campo do saber, nenhum tipo de conhecimento prescinde da
tecnologia. Por tudo isso, fiquei
encantada com a proposta do Prisma
Espaço Geek, um espaço público gratuito da prefeitura de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, cuja proposta é garantir aprendizagem
criativa a diferentes tipos de leitores. Algo maior e muito mais abrangente que uma
biblioteca e, como sempre digo, bibliotecas públicas são essenciais em qualquer
cidade.

Explico. O espaço cultural, tecnológico e educacional PRISMA:
Estação Cultural da Gare, vinculado à Secretaria de Educação de Passo Fundo (RS), foi criado em maio de
2019 como “um espaço geek de leitura e autoria, do impresso ao digital,
abrangendo literatura, educação, cultura, artes, tecnologia e games”. Seu
objetivo é desenvolver nos seus jovens usuários e crianças as competências
necessárias ao mundo contemporâneo,
cheio de tecnologias inovadoras que se modificam o tempo todo. Não é demais?
Sem dar chances para a pandemia congelar o aprendizado, o Prisma Espaço Geek criou
uma série de oportunidades remotas envolvendo professores, aprendizes e alunos da
cultura digital. Realizou inúmeras atividades remotas, da pré-escola
ao ensino médio, como aulas e rodas de conversa geek, com história em quadrinhos, filmes, games, mangás, animes, fandoms, fanfics, narrativas, jogos de tabuleiro, RPGs, de cartas, eletrônicos, impressora 3D, kits de robótica, lousa digital, literatura
infantil, juvenil e adulta, periódicos digitais e impressos etc. O grupo criou até mesmo um
glossário geek! Acredite se quiser! Eis alguns dos termos listados: cringe, ship, bazinga, bug e por aí vai. Confesso, que fiquei bem por fora.
As ações de curadoria e coordenação estão a cargo de duas professoras e pesquisadoras: Tânia Mariza Kuchenbecker Rösing, mestre e doutora em Teoria Literária pela PUC-RS (1994), com pós-doc pela Universidade de Extremadura/Espanha; e Maria Augusta “Guta” D’Arienzo, professora da rede
municipal, mestre e doutoranda em Educação, pela
Universidade de Passo Fundo. Ambas reforçam que, hoje, bibliotecas são muito, muito mais que
apenas locais de depósito e troca de livros. Envolvem ainda aprendizagem, leitura, formação,
midiateca, ou seja, locais de aprendizado, mas também de fruição
lúdica.

Para montar o Prisma, as
educadoras pensaram com as linguagens do mundo atual, criando a proposta de
um espaço de aprendizagem criativa para oferecer, gratuitamente, a cultura digital a jovens que, hoje, não têm acesso a esse universo. Se no processo de aprendizagem, o professor é visto como mediador e o aluno como elemento autônomo, o Prisma caracteriza-se pelo “pensar
brincando” e pela “paixão pelo aprendizado e pela diversão”. Afinal, há várias
formas de aprender, ou, como disse o jornalista Luiz Carlos Lisboa (1929) “é tempo de
desaprender” (ler aqui).
E, afinal, o termo geek? Bom, todo mundo sabe que nerd é aquele estudante que sabe tudo,
que não perde aula e faz todas as tarefas pedidas. Pois bem, geek é mais do que nerd, porque é desse tempo, desse mundo digital.
É alguém que gosta de séries, assiste a filmes, tem interesse em mangás, história
em quadrinhos, robótica, em jogo de cartas eletrônico e por aí vai. Are you a geek? De qualquer forma, os geeks também têm que sair do mundinho deles e ter paciência com quem não entende de tudo aquilo. questão de convivência e respeito.
Quanto ao edifício, esse espaço da cultura geek, simbolizado por três palavras: educação, cultura e
tecnologia, foi construído com recursos de
várias empresas, via lei de medida compensatória. O projeto arquitetônico é da arquiteta
da prefeitura de Passo Fundo, Mariela Colpani, que trabalhou em constante diálogo com as coordenadoras do Prisma e sempre
pensando no cliente e usuário daquele projeto.
Confesso que fiquei impressionada e encantada com a
proposta por trás desse projeto. Parabéns às organizadoras, às curadoras, aos
arquitetos e à prefeitura de Passo fundo. Um viva aos gaúchos,
tchê, que embarcaram nessa! Que valorizem sempre e cada vez mais a literatura, o aprendizado, o que é público, amplo, democrático, coletivo e inclusivo, sem exceções!
Referências:
Instagram: @prismaespaçogeek |
https://prismaespacogeek.org/