quinta-feira, 1 de setembro de 2022

Ecos ArquitetônicoS | Museu Paulista é reaberto

Novo Museu do Ipiranga. Divulgação
Depois de nove anos em obras, será reaberto o Museu Paulista, também conhecido como Museu do Ipiranga,  que, desde 1963, é administrado e pertence à Universidade de São Paulo (USP). A reabertura será no dia 07 de setembro de 2022, em comemoração aos 200 anos de Independência. Mas dia 07, as portas só estarão abertas, com justiça, para escolas públicas, trabalhadores da obra e suas famílias. No dia 08, será aberto ao público em geral. As obras incluíram restauração dos jardins e do edifício original, construído entre 1895-1890 e tombado nas três esferas públicas, e a construção das novas instalações.

No edifício histórico, as (especializadas) obras de conservação incluíram limpeza da fachada, tratamento de trincas, recuperação dos ornamentos, pisos, esquadrias, vidros e da pintura original do século 19, além das instalações de iluminação, climatização e segurança. A nova área de ampliação, subterrânea, vai dobrar a área construída do museu, oferecendo salas administrativas, laboratórios, espaços para exposições temporárias, auditórios, café e livraria, tudo com acessibilidade. O museu vai ter os mesmos recursos dos mais modernos museus do mundo. Os jardins também foram recuperados, novo paisagismo, iluminação pública modernizada e fonte central reativada. O vídeo divulgado pela Rede Bandeirantes de SP  mostra o estado das obras no início de agosto de 2022. A obra passou dos R$ 200 milhões, divididos entre recursos da Lei Rouanet, governo do Estado de São Paulo, a Fundação USP e o patrocínio de 23 empresas parceiras.

O projeto de recuperação, premiado em concurso nacional de arquitetura, promovido pela USP em 2017, é do escritório H+F Arquitetos, coordenado pelos arquitetos Paulo Hereñu e Eduardo Ferroni. A expografia é das arquitetas Ana Paula Pontes e Anna Helena Villela.

A proposta inicial é que, com os novos serviços, o Museu passe a ser um ponto muito mais visitado do que no passado, muito além daquela única visita obrigatória feita, em geral, por escolas. Já preciso agendar a minha. Vida longa ao novo Museu do Ipiranga!

Referências

http://www.jornaldocampus.usp.br/index.php/2022/05/reabertura-do-museu-ipiranga-gera-alta-expectativa-no-publico/

https://revistarestauro.com.br/a-preparacao-do-museu-do-ipiranga-para-o-bicentenario-da-independencia-em-2022/

https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2022-05/sao-paulo-entrega-nova-etapa-de-restauracao-do-museu-do-ipiranga

https://www.youtube.com/watch?v=svL8EiaEGH8 

https://anitadimarco.blogspot.com/2019/11/ecos-arquitetonicos-museu-do-ipiranga-1.html 

https://anitadimarco.blogspot.com/2019/11/ecos-arquitetonicos-museu-do-ipiranga-2.html

sexta-feira, 26 de agosto de 2022

Ecos Arquitetônicos | Habitação de Interesse Social (HIS)

Em post recente falei da Lei de ATHIS, a Assistência Técnica para Habitação de Interesse Social. Ainda falando sobre o tema, o Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU-BR), também gestão da arquiteta Nádia Somek, produziu um documentário que merece ser visto. Trata-se de Habitação Social- uma questão de Saúde Pública, que aborda e escancara os problemas (exacerbados sobretudo em tempos de pandemia) das famílias que vivem em assentamentos precários e apresenta possibilidades de transformação. Ora, em plena pandemia de Covid-19, a própria Organização Mundial da Saúde (OMS) estabeleceu protocolos e recomendações para controle e redução da transmissão do vírus, em função da falta de acesso à moradia adequada e a saneamento básico. Nesse sentido, outras propostas vieram de escritórios regionais do CAU, como o projeto NENHUMA CASA SEM BANHEIRO, no âmbito do Programa Casa Saudável do CAU-RS, que visa viabilizar medidas sanitárias básicas para a população, em especial dos mais vulneráveis, na periferia de nossas cidades.

Mais que projetar interiores, mansões, apartamentos em bairros de alto padrão, condomínio fechados e prédios de luxo, o CAU/BR coloca como dever profissional (e moral) dos arquitetos usar seu conhecimento e criatividade em favor da criação de moradias adequadas e cidades mais democráticas e inclusivas, projetando soluções que respondam a essas necessidades mais prementes.

Felizmente, inúmeros arquitetos já atuam nesse sentido, porém, talvez, ainda em número insuficiente frente à demanda crescente por moradia. O leitor pode ver neste link (projetos de habitação de interesse social) alguns trabalhos dos escritórios Biselli Katchborian Arquitetos, Jirau Arquitetura, MMBB Arquitetos, H+F Arquitetos, Boldarini Arquitetura e Urbanismo e Vigliecca & Associados. Sem dúvida, trata-se de um programa bem complexo e desafiador, porém essencial e os projetos apresentados acima são inteligentes, inovadores e responsáveis. Partem da necessidade de fornecer um espaço digno com conforto técnico, segurança e salubridade a seus moradores, além de garantir o direito à cidade, à infraestrutura urbana, aos serviços e equipamentos públicos. Utilizando formas de implantação, materiais, serviços, cores e acessos diferenciados, todos esses projetos partem dos recursos oferecidos por cada um dos lotes em questão: desnível do terreno, relevo,  paisagem e cursos d'água, tudo em benefício do todo. 

Afinal, morar é preciso, sim, porém, mais do que isso: é preciso reconhecer que todos querem e merecem morar bem.

Referências

https://www.caubr.gov.br/semana-da-habitacao-2021-conclama-a-um-plano-de-acao-pelo-avanco-do-direito-a-moradia/ 

https://www.archdaily.com.br/br/950109/seis-bons-exemplos-de-habitacao-de-interesse-social-no-brasil?utm_medium=email&utm_source=ArchDaily%20Brasil&kth=539,924 

https://www.archdaily.com.br/br/952653/habitacao-popular-e-um-exercicio-de-fazer-mais-com-menos-entrevista-com-jirau/

https://www.archdaily.com.br/br/952841/mulheres-e-a-luta-por-moradia-trajetorias-de-empoderamento-e-autonomia-na-experiencia-do-mst-leste-1 

https://www.youtube.com/watch?v=wBVThNIs_