segunda-feira, 23 de maio de 2016

Arte & Cultura | 'Elas' no museu da FAAP

Vitral na entrada do Museu de Arte Brasileira-FAAP. Foto: Anita Di Marco

Elas - mulheres artistas no acervo do MAB’ é o nome da exposição no Museu de Arte Brasileira da FAAP, em são Paulo. Com curadoria de José Luis Hernández Alfonso, a mostra está aberta de abril até o dia 25 de setembro e enfoca as obras produzidas pelas mulheres artistas, ativas nos séculos XX e XXI e que despontaram a partir da semana de Arte Moderna, realizada em 1922, em São Paulo, tornando-se referência na história da arte brasileira. 

A exposição mostra um novo momento do MAB, Museu de Arte Brasileira da FAAP, em que a Sala MAB é dedicada exclusivamente para exposições de longa duração com obras do acervo.  A mostra ‘Elas - mulheres artistas no acervo do MAB’ traz 82 obras de seu acervo, assinadas por 64 artistas, dentre elas: Anita Malfatti, Tarsila do Amaral, Tomie Ohtake, Carmela Gross, Laurita Salles, Djanira, Mira Schendel, Mary Vieira e Maria Bonomi. 
 
O MAB-FAAP funciona na rua Alagoas, perto do Estádio do Pacaembu, São Paulo e funciona de segunda a sexta (com exceção das terças), das 10h às 18h e aos sábados, domingos e feriados, das 10h às 17h. 
 
Referências:
http://faap.br/museu/

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Arte & Vida | Moradores de rua

Foto: Marco Hovnanian
 Música suave, luz difusa, tomadas longas, planos fechados e mais um pouco... O filme é forte, ‘estranho’, tocante e, definitivamente, nos tira da zona de conforto. Provoca, questiona e mostra nossa atitude 'usual' diante desses homens e mulheres desfavorecidos e, a partir das emoções despertadas, nos empurra para sairmos do nosso estado de inércia passiva.   

O autor, Marco Hovnanian*, está publicando um livro a partir de sua tese de doutorado sobre moradores de rua. Trabalho pesquisado, vivenciado, sensível, delicado, afetivo e com imagens e textos contundentes, que buscam sensibilizar o público diante dessa situação, tão comum nas nossas cidades. 

O trabalho fotográfico foi feito de 2002 a 2014 e o próprio autor comenta como e quanto se envolve na produção e como acaba passando muito tempo com os ‘atores’ (Roberto, no filme em questão) e “contemplando sua beleza”. No livro, no momento em tradução para o inglês, ao discutir a sensação de perigo e medo que todos relatam, o autor diz acreditar ser “uma falência que enxergamos no Outro e que nos congela”.  


Vídeo de Marco Hovnanian: Spectrum |
https://www.youtube.com/watch?v=G0OfhYaunTg 
Publicado em 12 de abr de 2016 ----- Short Movie Spectrum – 14:56
@ Marco Hovnanian Cinematography/Edition - Homeless Sao Paulo / Roberto
@ Music by Jon Hopkins
  
  
* Marco Hovnanian é professor da Universidade Mackenzie, nos cursos de arquitetura e design. Fez seu doutorado em arquitetura usando a técnica de stop motion com moradores de rua (tema que pesquisa há 13 anos). Foi editor de fotografia da revista Cult e fotógrafo de revistas como MTV e Jovem Pan. Tem trabalhos publicados e expostos na United Nations (ONU) e no World Bank Peru. Comercialmente trabalhou para Adidas, SonyEricsson, American Airlines, Ambev, Visa, etc. Tem experiência com alunos de 11 a 80 anos de idade.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Memória & Vida | Martinho Lutero em Playmobil

Bonecos em loja de brinquedos, em Londres. Foto:Anita D Marco, 2013
Aqueles bonequinhos da Playmobil eram um sonho e uma parte ativa de nossas brincadeiras. Meus filhos e eu ficávamos um tempão  só cortando, colando, montando os cenários - lagos, parques, ruas e construções - e depois encenando nossas histórias com aqueles bonequinhos e seus indefectíveis olhinhos e rostinhos arredondados. Um mais lindinho que o outro. Aliás, Lego e Playmobil sempre fizeram parte da infância dos meus filhos. Guardei vários deles... Uma verdadeira relíquia. 

Seu criador, o alemão Horst Brandstätter (1933-2015), começou a trabalhar em 1952, aos 19 anos e, com o tempo, acabou assumindo a Geobra Brandstätter, como único proprietário. Os famosos bonequinhos de plástico surgiram em 1974 e já venderam quase três bilhões de peças no mundo todo.   
Imagem:propagandashistoricas.com.br
Dia desses, fiquei surpresa ao ler que uma edição especial de certo Playmobil de Martinho Lutero, de 7,5 cm de altura, havia vendido 400 mil unidades em apenas dois meses. Quando foi lançado, em fevereiro de 2015, a primeira edição de 34 mil peças se esgotou em 72 horas. O sucesso surpreendeu inclusive os fabricantes. Martinho Lutero foi o protagonista da Reforma Protestante, movimento que deu origem à revisão de várias normas religiosas, sociais e políticas.  

Edição especial de Martinho Lutero, de 7,5 cm de altura. Imagem: dw.com

A propósito, os escritos de Lutero, cartas, impressões originais e outros documentos, dentre eles as 95 teses, combatendo a venda de indulgências pela Igreja Católica, foram incluídos na lista de Patrimônios Mundiais da Unesco, em março último. As 95 teses serviram de introdução à Reforma Protestante, de 1517.  
O bonequinho em um dos cenários alemães. Imagem: dw.com

Agora em 2017, quase às portas de completar 500 anos, o movimento será alvo de grandes celebrações, que vêm sendo preparadas há algum tempo. Este, talvez, seja um dos motivos da popularidade do boneco; no entanto, isso também se deve a um grupo do Facebook, chamado "Unterwegs mit Luther" ("A caminho com Lutero", em tradução livre), do pastor luterano Andreas Sommer, de Mannheim, para quem  a figura de Lutero é como uma placa de aviso: "Eu sou cristão". Entusiasmado que sempre foi pelo reformador, Sommer comprou o bonequinho e o fotografou em vários cenários e situações. Divulgou as fotos no em sua conta no FB e pronto. Daí para o estouro de vendas foi um passo.    
O sucesso foi tão grande que a Central Alemã de Turismo pretende empregar o bonequinho Lutero Playmobil como embaixador mundial do Ano da Reforma, em 2017. 
Referências:
http://www.dw.com/pt/bonequinho-playmobil-de-lutero-bate-recorde-de-venda/a-19192187?maca=bra-newsletter_br_dw-cult-6223-html-newsletter  
http://www.dw.com/pt/unesco-declara-escritos-de-lutero-patrim%C3%B4nio-mundial/a-19127925 

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Arte & Cultura | Músicas do Coração - Ave Maria (em alemão)

Ave Maria, de Franz Schubert, é uma das músicas que me faz chorar; não importa se é cantada ou apenas instrumental. Já ouvi várias versões, com cantores populares, clássicos, tenores, sopranos e em várias línguas. 

 
Quando me falaram de um vídeo da cantora lírica Helene Fischer, nascida na Rússia em 1984, cantando em alemão, a princípio achei que poderia soar estranho. Ave Maria, em alemão? Imaginei que fosse um pouco dura demais. Grande engano. A cantora, dona de uma voz suave e doce, dá um show. Canta como que orando, sem nenhum esforço e transformou a língua alemã em cântico de invocação.  
Que essa música inunde seu coração de ternura, como inunda o meu. 

Ave Maria (em alemão)
Ave Maria 
Heut sind so viele ganz allein
Es gibt auf der welt so viele tränen
Und nächte voller einsamkeit
Und jeder wünscht sich einen traum
Voller zärtlichkeit

Und manchmal reichen ein paar worte
Um nicht mehr allein zu sein
Aus fremden menschen werden freunde
Und große sorgen werden klein.
Ave maria

Ave maria
Weit ist die reise durch die nacht
Es gibt so viele wege zu den sternen
Und jeder sucht eine hand, die ihn hält
Vielleicht ist jemand so traurig wie du
Komm und geh auf ihn zu

Verschließ heut nacht nicht deine türen
Und öffne heut dein herz ganz weit
Und lass den anderen wärme spüren
In dieser kalten weihnachtszeit
Ave maria

Ave Maria - Tradução
Ave Maria
Hoje muitos estão sozinhos
Existem no mundo tantas lágrimas
E noites cheias de solidão
E cada um deseja para si um sonho
Cheio de ternura

Às vezes algumas palavras são suficientes
Para não ficar mais sozinho
Estranhos tornam-se amigos
E grandes preocupações se tornam pequenas.
Ave maria

Ave maria
Longe é a viagem durante a noite
Existem muitos caminhos para as estrelas
E cada um busca uma mão que o apoie
Talvez alguém esteja tão triste quanto você
Venha e faça-lhe companhia.

Não feche suas portas esta noite
E abra extensamente seu coração
Deixe que os outros sintam seu calor
Neste época fria de natal.
Ave maria

Referências
 

sábado, 14 de maio de 2016

Arte & Cultura | Radical Eye, Elton John e Man Ray...



Man Ray. Glass Tears (Les Larmes) 1932. Coleção Elton John © Man Ray Trust/ADAGP, Paris and DACS, London 2016 – Imagem: Tate Modern
O que será que os três nomes do título têm em comum? 
Bem, fotografias sempre chamaram a atenção; sempre foram (e são) objeto de desejo de muita gente. Mais ainda depois das superexposições de grandes fotógrafos, realizadas no mundo todo. Nomes como Man Ray, Henri Cartier-Bresson, Evgen Bavcar, Ansel Adams, Annie Leibowitz, André Kertész, os brasileiros Sebastião Salgado, Cristiano Mascaro, Nelson Kon, Gal Oppido, Roseli Nakagawa, Lauro Escorel, Vik Muniz, Iatã Canabrava, Dario de Freitas, Jorge Hirata, Marcos Hovnanian, Maurício Lima (recém-ganhador do Prêmio Pulitzer para fotografia), Vanessa CTREis, Emília Ferraz Cruz e tantos outros, há anos fazem parte do nosso repertório de artistas-fotógrafos, foto-jornalistas, arquitetos-fotógrafos, ou fotógrafos, simplesmente.  

Eu mesma já me aventurei pelo universo da fotografia, dos laboratórios, do mundo das viragens e das revelações. Já tirei milhares de fotos, sempre buscando um olhar diferenciado, uma luz nova, um ângulo inusitado. Confesso, humildemente, que já tirei lindas fotos, daquelas de amaciar o olhar endurecido, de abrir sorrisos reprimidos ou de despertar a curiosidade e provocar um novo olhar sobre o objeto fotografado.

Mas exposições com fotografias da era modernista são raras, sobretudo porque tiradas nas décadas de 1920 a 1950, momento crucial para a técnica, quando os tempos mudavam e os fotógrafos tentavam captar a mudança a partir de suas lentes.  Londres teve o  privilégio de ver essa raridade até a primeira semana de maio, na recém-concluída exposição Radical Eye, na Tate Modern. A histórica exposição reuniu obras de um dos maiores colecionadores de fotografias da Inglaterra: nada menos que o cantor Elton John, que começou sua coleção há 25 anos. Diz ele que as fotos são suas joias preciosas,  sempre lhe deram imensa alegria e lhe serviram de inspiração.

Sessenta artistas mostraram quase 150 trabalhos, dentre eles obras-primas fotográficas de nomes como Man Ray, André Kertész, Berenice Abbott, Alexandr Rodchenko e Edward Steichen. Amigos que visitaram a mostra me confessaram terem ficado boquiabertos, tal a qualidade dos trabalhos, como eu mesma fiquei anos atrás, na Itália, ao apreciar de perto a foto do alto desta página. 

Referência: