terça-feira, 9 de junho de 2015

Línguas & Tradução | Outro Encontro de Tradutores


No último final de semana de maio de 2015, participamos de outro encontro de profissionais da tradução. O VI Congresso Internacional de Tradução e Interpretação da ABRATES (Associação Brasileira de Tradutores e Intérpretes) foi realizado no Centro Cultural Rebouças, em São Paulo. 

Robert L.Greene:Big but isolated languages
O evento privilegia a formação, o encontro e a troca de experiências entre diversos profissionais do setor, experientes ou novatos, além de estimular e abrir novas perspectivas para os estudantes dos cursos de tradução e interpretação, ainda em processo formativo. Ao todo, quase 70 trabalhos e palestrantes abordaram temas variados vinculados ao mercado de trabalho da área: como tradução técnica, médica, jurídica, literária, de games, de LIBRAS, direitos autorais, interpretação, etc. 
 
Anita Di Marco, Ulisses Carvalho (Tecla SAP), Isa Mara Lando (Vocabulando), 
Cátia Franco de Santana (Tradusa) e Romy Dunzinger (Joinville, SC).  
Grandes tradutores e intérpretes, como Ulisses Wehby de Carvalho, Isa Mara Lando, Robert Lane Green, que tem uma coluna sobre Idiomas no The Economist,  Ana Júlia P. Garcia, Victor Gonzales, Cátia Franco de Santana, Vanira T. Souza entre outros profissionais compartilharam e discutiram projetos, conhecimento, dúvidas e casos com os cerca de 800 participantes do congresso.  

 R.Greene, D.Lara Cesar, V. Gonzalez

Anita, Kelli Semolini e Romy Dunzinger  
Sempre uma alegria poder reencontrar velhos colegas, travar novos contatos e ganhar mais conhecimento.




Referência: 

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Línguas & Linguagem: O divino dom de educar

Se criar filhos, educá-los e formá-los para a vida é tarefa nobre e de responsabilidade colossal,  educar alunos especiais é tarefa hercúlea e divina; é um exercício cotidiano de puro amor. No papel de educadores, por excelência. estão os pais, e depois os professores, derramando, com firme certeza e apurado cuidado, valores perenes, informações e conhecimento produzido pela história da humanidade. Do outro lado, filhos ou alunos absorvendo o conteúdo a eles repassado, juntando partes, questionando e desenvolvendo o pensamento crítico. Se todos, sociedade, pais, educadores e alunos, tivessem consciência da dimensão, da gravidade e da repercussão dessa tarefa, com certeza, todos nós agiríamos com mais seriedade, mais compromisso e amor.
 
O poema abaixo em inglês, com tradução livre do blog Anita Plural, foi escrito por Mary MacCracken (1926-2014), que começou como voluntária de escolas com alunos especiais e depois se tornou especialista e referência na área. Seus livros descreviam seu relacionamento com crianças consideradas psicóticas, autistas e esquizofrênicas, denominações essas que ela se recusava a utilizar. Ela dizia que apesar dos rótulos, cada criança era um ser único e seu papel como professora era fazer a escola ser “um lugar seguro onde elas poderiam ser elas mesmas”. Em 1978, em uma entrevista ela disse: “Crianças emocionalmente perturbadas não são diferentes de nós; todos nós sabemos o que é ter raiva, solidão e dor. Todos nós nos retiramos da realidade. A diferença está apenas no grau em que isso acontece”. Ela faleceu, em New Jersey, aos 88 anos. 
Existem dois filmes com base em sua experiência: A circle of children (1977), baseado no livro do mesmo nome, mostra o interesse de uma professora em uma criança que não fala, apenas emite sons desconexos: A Circle of Children (TV 1977) . O segundo é Lovey (1978), sequência do primeiro filme e baseado em seu segundo livro “Lovey: A Very Special Child” (1976), sobre seus esforços para alcançar crianças consideradas inatingíveis pela medicina: (Lovey: A Circle of Children, Part ll (TV 1978). Vale a pena ler, ver os filmes, refletir, aplaudir e, sobretudo, se inspirar em sua forma de agir.
Em tempo, quem me mandou esse belo e tocante poema, foi outro ser lindo, que também trabalha com alunos especiais: minha filha Júlia. 
 
Professora, de Mary MacCracken (em tradução livre)
 
Vou conhecer você... 
Vou tocar e segurar ...
E cheirar e sentir e ouvir
Os barulhos que você faz – e as palavras, se tiver alguma.

Vou conhecer você.
Cada átomo do seu pequeno, solitário
Dolorido, inquieto, sofrido ser
Será por mim conhecido.
Antes de tentar ensinar você.
Antes de tentar ensinar,
Antes, devo alcançar você.  

E depois, quando eu chegar a conhecer você, intimamente, 
Vou insistir, gentil e gradativamente, mas vou insistir
Para que você me conheça.
E mais tarde, para que você confie em mim
E depois, em você mesmo.  

Agora, conhecendo um ao outro, começaremos a conhecer o mundo -
As estações, as árvores, os animais, as comidas, as outras crianças,
A palavra impressa, os livros,
O conhecimento daquilo que aconteceu antes e foi registrado.

Então, tão certo como ter-me aproximado de você, vou me afastar.
Assim como, certa vez, insisti em ficar próxima a você,
Pedindo para entrar em seu mundo meio desordenado  
De medo e fantasia, recusando sua solidão,
Agora, eu me afasto.
 
À medida que suas palavras aparecem e seu passo se acelera,
À medida que você ri mais alto
Ou lê de forma clara e com compreensão,
Fico atrás de você – não mais tão perto -
Disponível, mas não mais vital para você.
E você – você cresce!
Você é! Você será!

E eu, professora,
Com orgulho de você, dirijo-me
À minha próxima criança.
Mary MacCracken, Poema do livro “The Lost Children” – 2014, HarperEmelment.

Teacher
I will know you.
I will touch you and hold you.
And smell and taste and listen
To the noises that you make – and the words, if any.

I will know you.
Each atom of your small, lonely
Aching, raging,hurting being
Will be known to me
Before I try to teach you.
Before I try to teach
I must first reach you.

And then, when I have come to know you, intimately,
I will insist, gently, gradually, but insist,
That you know me.
And later, that you trust me
And then yourself.

Now, knowing each other, we will begin to know the world –
The seasons, the trees, animals, food, the other children,
The printed word, books,
The knowledge of what has gone before and been recorded.

Then as surely as I moved toward you
I will move away.
As I once insisted on being close to you,
Demanding entrance to your half wild world
Of fear and fantasy, refusing you aloneness,

So now, I move away.
As your words come and your walk quickens,
As you laugh out loud
Or read clearly and with understanding,
I stand behind you – no longer close –
Available, but no longer vital to you.

And you – you grow!
You are! You will become!

And I, the teacher,
I turn, with pride in you,
Toward my next child.
 
Mary MacCracken, Poem from “The Lost Children” Book – 2014, Harper Emelment.

Referências: 

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Vida & Yoga: Yamas e Niyamas


 Já vimos que o YogaSutra, compêndio codificado pelo sábio indiano Patanjali, é subdividido em quatro padas ou bases de sustentação: Samadhi Pada: capítulo sobre meditação e iluminação; Sádhana Pada: capítulo sobre a prática; Vibhutti Pada: o capítulo sobre poderes e conquistas; Kaivalya Pada: o capítulo sobre a libertação.  No segundo livro desse volume, no Sádhana Pada, está o Ashtanga Yoga, que vai explicar e organizar o sádhana (prática) do sádhaka (praticante). Aí, Patanjali divide a prática em oito passos, que caminham mais ou menos juntos, com vistas à integração final, o Samaddhi. Os oito passos são: Yama e Niyama (o que evitar e o que cultivar), Asana(postura), Pranayama(controle do prana), Pratyahara(controle dos sentidos), Dharana (concentração), Dhyana(meditação) e Samaddhi (integração).    

Os dois primeiros constituem um código de conduta, divididos em cinco restrições [yama] e cinco observações a serem cultivadas [niyama]. Juntos constituem um corpo de princípios éticos universais que podem melhorar o relacionamento do praticante consigo mesmo e com os outros. Tão nobres prescrições deveriam fazer parte do esforço de desenvolvimento de todos, mas o praticante de yoga deve procurar levá-los à perfeição.Os cinco yamas são: Ahimsa (não violência, mansidão, base do yoga); Satya (verdade); Asteya (não apropriação, não roubar); Brahmacharya (controle do desejo; moderação); Aparigraha (não acumulação, desapego). Os cinco niyamas são: Saucha (pureza), Santosha (cultivo da alegria interior); Tapas (austeridade; autodisciplina); Svadhyaya  (autoestudo e estudo dos textos sagrados); e Isvara Pranidhana (devoção, entrega a um ideal).
 
 Apontando a direção a seguir, esse indicador de conduta ética é como uma bússola para o praticante. Para seguir nessa direção, é preciso um estado de permanente atenção; é preciso exercitar uma vontade firme e deixar de agir como autômato, mero repetidor maquinal de ações e palavras. É preciso agir, a cada dia, com discernimento (viveka) e praticar. Não importa a ordem em que se pratica, ou por qual princípio começar. O importante é praticar e, aos poucos, você vai percebendo como as prescrições estão entrelaçadas e como interferem umas nas outras. Com o tempo, você vê seus esforços serem, pouco a pouco, recompensados. Começa a perceber mudanças - sutis a princípio - mas que, com o tempo, se transformam e se consolidam em seu modo de agir.   Namastê!


segunda-feira, 1 de junho de 2015

Línguas & Poesia: Impressionista

Uma ocasião,
meu pai pintou a casa toda
de alaranjado brilhante.
Por muito tempo moramos numa casa,
como ele mesmo dizia,
constantemente amanhecendo. 
( Adélia Prado, 1935- ). Do Livro Bagagem, 1993) 
Essa vai para o aniversariante do dia, uma pessoa mais que especial. 

 
Entardecer no outono  Varginha- MG. 
Foto: Anita Di Marco 

sábado, 30 de maio de 2015

Reflexão: Paciência e persistência

Se queremos o desenvolvimento espiritual, a prática da paciência é essencial.

- Tenzin Gyatso, o Dalai Lama (1935)   

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Arquitetura, Arte & Cultura: Almeida Jr. e o Dia do Artista Plástico

Todo mundo já viu algum quadro desse pintor, mas nem todos sabem seu nome. É preciso dar nome aos bois. Vamos lá, então. Resolvi fazer essa postagem a partir da comemoração (nem sempre lembrada) do dia do Artista Plástico. O Dia do Artista Plástico foi oficializado em 08 de maio, em homenagem ao pintor José Ferraz de Almeida Júnior (1850-1899), nascido nessa data. Nascido em Itu, Estado de São Paulo, Almeida Junior, com 19 anos, entrou para a Academia Imperial de Belas Artes, no Rio, onde foi aluno de Jules Lê Chevrel, Victor Meirelles e Pedro Américo. Com a bolsa de estudos concedida pelo imperador Pedro II, foi para Paris onde participou do Salon Offíciel dês Artistes Français. Ao fugir da monumentalidade em voga na época, traz em suas obras uma abordagem de temática regionalista e o dia-a-dia dos personagens simples e anônimos do campo, o que situa o pintor como precursor dos modernistas. Alguns de seus quadros mais famosos - e que todo mundo já viu em algum lugar - são: “O Violeiro” (1899), “Caipira Picando Fumo” (1893), “Amolação Interrompida” (1894), “As Lavadeiras” (1875), entre outros, a maioria deles na sala Almeida Júnior, na Pinacoteca do Estado de São Paulo. 
 
  Caipira picando fumo, 1893. Óleo sobre tela, 202 X 141 cm. Pinacoteca do Estado de São Paulo   
 
  O violeiro, 1899. Óleo sobre tela, 141 x 172 cm. Pinacoteca do Estado de São Paulo.
 O belo prédio da Pìnacoteca, em alvenaria de tijolos, com projeto de Ramos de Azevedo ( o mesmo do Teatro Municipal e da Casa das Rosas, em São Paulo), foi construído no último quartel do século 19, para abrigar o antigo Liceu de Artes e Ofícios, sociedade privada sem fins lucrativos, cujo objetivo era oferecer aulas gratuitas à população de baixa renda. Mais tarde, o espaço foi também ocupado pela própria Pinacoteca e pela Faculdade de Belas Artes de São Paulo. Em meados da década de 90, depois da saída definitiva da Faculdade do imóvel, o edifício foi recuperado e readequado (1998) às suas funções museográficas. 
Com projeto dos arquitetos Paulo Mendes da Rocha, Eduardo Colonelli e Welliton Torres, a Pinacoteca é prova viva de que passado, presente e futuro podem coexistir sem aquela tensão pairando no ar, como névoa a envolver todo edifício histórico; atualmente ,é um espaço dinâmico e atraente, exalando e valorizando história em função de um bom projeto arquitetônico que compatibilizou alvenaria, concreto, aço, vidro e luz e adequou o edifício às mudanças e funções a que se destinava. O velho edifício labiríntico e escuro saiu daquela posição de quase limbo em que se encontrava e deu lugar a um equipamento cultural vibrante e integrado no coração da Pauliceia.     

Referências:
A origem de Datas e Festas, de Marcelo Duarte.Panda Books
Imagens: Catraca Livre  

terça-feira, 26 de maio de 2015

Línguas & Poesia: Poeminha do Contra

Todos estes que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão...
Eu passarinho!
(Prosa e Verso, 1978)

―Mario Quintana (1906 - 1994)  

Mário de Miranda Quintana foi poeta, tradutor e jornalista brasileiro. E que poeta! Um dos meus preferidos, um dos que admiro, um dos que carrego sempre na cabeça e no coração. 


 
Amanhecer em dia frio do outono, Varginha-MG. 
Foto: Blog Plural