sexta-feira, 8 de maio de 2020

Ecos Literários | Autoria de Chapéu Violeta

Nesta publicação e neste mês de maio, a minha homenagem a todas as mulheres, pois embora nem todas sejam mães, todas são filhas, tias, sobrinhas, irmãs, professoras... Feliz Dia das Mães para todas nós!
Nada surge do acaso e como mágica. Tudo é produto de trabalho, empenho, esforço de alguém. Assim, pesquisar a verdadeira autoria de textos, poemas e frases sempre foi uma constante na minha escrita. Descobrir o que realmente importa também, embora, para muitos, pareça ser a tônica apenas do momento atual. Descobrir o que vale a pena ser valorizado, o que é real, o que permanece. Descobrir como se preparar para o que virá, também. Muitas vezes, descobrimos tarde o que é precioso.

 Erma Louis Bombeck 
É sobre esse tema o poema abaixo que já apareceu com outros títulos (como Chapéu de Flor) e atribuído a outros autores, como Mário Quintana. O poema, na verdade, é da estadunidense Erma Louise Bombeck (1927-1996), hábil em descrever com fina ironia a vida e os hábitos das famílias de classe média dos subúrbios americanos. De meados dos anos 1960 ao início dos anos 90, seus textos semanais eram sucesso em inúmeros jornais e revistas do país. Escreveu vários livros, além da série de TV "Maggie" (1981). Após uma mastectomia feita em 1992, teve problemas renais, fez diálise e acabou falecendo após um transplante. Abaixo, o poema em inglês e português.

The Purple Hat 
 
Age 3: She looks at herself and sees a Queen.
Age 8: She looks at herself and sees Cinderella.
Age 15: She looks at herself and sees an Ugly Sister (Mum I can’t go to school looking like this!)
Age 20: She looks at herself and sees “too fat/too thin, too short/too tall, too straight/too curly”- but decides she’s going out anyway.
Age 30: She looks at herself and sees “too fat/too thin, too short/too tall, too straight/too curly” – but decides she doesn’t have time to fix it, so she’s going out anyway.
Age 40: She looks at herself, sees “clean” and goes out anyway.
Age 50: She looks at herself and sees “I am” and goes wherever she wants to go.
Age 60: She looks at herself and reminds herself of all the people who can’t even see themselves in the mirror anymore. Goes out and conquers the world.
Age 70: She looks at herself & sees wisdom, laughter, ability; she goes out and enjoys life.
Age 80: Doesn’t bother to look. Just puts on a purple hat and goes out to have fun with the world.
Maybe we should all grab that purple hat earlier. 
 
Adélia Portes, minha mãe.
Esta semana recebi o texto de minha mãe, 87 anos, que trabalhou, tocou, pintou, cantou, plantou, brincou, cuidou de nós e colocou seu chapéu violeta, cinza, preto, branco, de palha... Colocou todos os que quis (e ainda coloca), a tempo de aproveitar a vida, de valorizar o que realmente importa e de nos ensinar como fazer isso. Abaixo, a tradução que recebi, atribuída a Mário Quintana:
 
Chapéu de Flor
 
Aos 3 anos: Ela olha pra si mesma e vê uma rainha.
Aos 8 anos: Olha para si e vê Cinderela.
Aos 15 anos: Olha e vê uma horrorosa freira. (Mãe, não posso ir para escola desse jeito).
Aos 20 anos: Olha pra si mesma e se vê muito gorda/muito magra, muito alta/muito baixa, cabelo muito liso/muito encaracolado, mas decide que vai sair, de qualquer forma.  
Aos 30 anos: Olha pra si mesma e se vê muito gorda/muito magra, muito alta/muito baixa, cabelo muito liso/muito encaracolado, mas decide que agora não tem tempo pra consertar; então vai sair assim mesmo.
Aos 40 anos: Olha pra si mesma e se vê “limpa” e sai mesmo assim.
Alegria pelas coisas simples da vida.
Aos 50 anos: Olha pra si mesma e se vê como é. Sai e vai pra onde bem entender.
Aos 60 anos: Ela se olha e lembra das pessoas que não podem mais se olhar no espelho. Sai de casa e conquista o mundo.
Aos 70 anos: Olha pra si mesma e vê sabedoria, risos, habilidades. Sai para o mundo e aproveita a vida.
Aos 80 anos: Não se incomoda mais em se olhar; simplesmente põe um chapéu de flor e vai se divertir com o mundo.
Talvez devêssemos pôr aquele chapéu violeta mais cedo!

Referências:
https://www.facebook.com/pg/World-Without-Borders-181611941884682/notes/?ref=page_internal 
https://www.facebook.com/terceiraidadeconectada/posts/1482837191780731/ 

sexta-feira, 1 de maio de 2020

Ecos Humanos | Utopia e autoestima


Lugares imaginários sempre existiram na mente dos escritores, poetas e artistas. A "Pasárgada" de Manuel Bandeira é real na imaginação de quantos entenderam o pensamento de seu autor. O mesmo acontece com "Utopia", a ilha de Thomas Morus. Porém, nosso mundo é o que é, com suas mazelas e encantos e, no mais das vezes, traduzindo uma intensa distopia. Fugir da realidade não adianta, não nos enriquece como seres humanos, não nos fortalece e tampouco nos acalma. É aqui que temos que crescer e ajudar a crescer, fazendo a nossa parte, porque o ser humano não nasceu para ser sozinho. Somos seres gregários e, parafraseando o lúcido Carlito Maia, não precisamos de muita coisa, só precisamos uns dos outros. Um mundo solidário é um mundo melhor, por isso, é preciso, desde sempre, fortalecer o caráter, a resiliência, a autoestima e a solidariedade. 

Educar as crianças para terem uma boa autoestima é fundamental já que isso influencia todas as fases da vida. Autoestima implica conhecer-se, aceitar-se, reconhecer e corrigir os próprios erros e procurar colocar-se  no lugar do outro... Pressupõe também comemorar as pequenas vitórias alcançadas, porque sem autoconhecimento honesto, sem percepção e enfrentamento do erro, não há progresso, só estagnação.
Pais e a escola são fundamentais nesse processo. A primeira (e vital) comunidade da criança é a família. É aí que ela começa a aprender a gostar de si mesma. Depois, a família ampliada, a escola, crucial no processo de aprendizagem e socialização; depois o grupo de adolescentes que tem forte impacto na vida do jovem, o que não é ruim desde que a estrutura familiar dele seja firme e sólida. Com o tempo, vêm as novas relações sociais e profissionais, mas nada supera o peso da ação familiar na primeira infância e da escola. Ambas podem e devem fazer a criança acreditar que, se tiver as oportunidades para se desenvolver, ela pode ser e alcançar o que quiser. Porém, não se trata de meritocracia e, sim, de oportunidades iguais para todos. O aprendizado se dá com fracassos e sucessos, mas é preciso respeitar o tempo individual de cada um. Com boa autoestima, o indivíduo sabe que vai chegar lá, que é um projeto em andamento, como diz o filósofo Mário Sérgio Cortella em seu livro “Não nascemos prontos".

http://mundodapsi.com/afinal-o-que-e-autoestima/
Por isso, é importante que, desde cedo, a criança aprenda a voltar-se para dentro para descobrir o que carrega no coração. Orientá-la nesse caminho é crucial, porque é preciso treino e persistência para descobrir a verdade íntima e a autoestima. Uma das formas é o yoga para crianças, que proporciona aos pequenos um tempo necessário para se perceber, observar a respiração, os sons e os sentimentos. Um tempo para se ver. Através de historinhas, fábulas e movimentos, as crianças aprendem virtudes e valores  éticos para uma convivência harmoniosa e saudável em sociedade. Assim, pouco a pouco, ela aprende a parar, perceber-se e perceber o outro, com respeito e empatia (ler Yoga para crianças).


Insanidade é  continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes”.
- Albert Einstein 

Assim, aos poucos, a criança vai se descobrindo, aprendendo a confiar em si, desenvolvendo a autoestima, crescendo e ocupando espaços, sem medo e sem antagonismos. Então, o milagre acontece. O indivíduo que aprende a se relacionar consigo mesmo  com compaixão, respeito e amor, é capaz de ver o outro da mesma forma. É mais compassivo e flexível, compreendendo que cada um é expressão única e insubstituível do sagrado. Como se o sagrado estivesse estilhaçado em mil pedaços e cada um segurasse um fragmento. Basta acessá-lo, porque, como dizem os textos sagrados das várias tradições, não somos sozinhos e não crescemos sozinhos. Estamos todos interligados como os fios de um grande e único tecido. SOMOS UM!

Referências:
https://cmcmceducacao.blogs.sapo.pt/pensamento-de-paulo-freire-10-2597
https://www.infoescola.com/psicologia/auto-estima/