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| Adélia Portes. Foto: Anita Di Marco, 2018 |
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| Rio Verde. Adélia Portes, óleo sobre tela. 1995. |
É com grande alegria que comunico, aos amigos, que o nome da artista plástica Adélia Portes (Di Marco) virou verbete da Enciclopédia Itaú Cultural. Depois da análise do currículo, das obras e dos documentos referentes ao trabalho da artista, seu nome foi incluído em uma das mais conceituadas enciclopédias virtuais de hoje. Para nós, filhos, familiares e amigos, além de imenso orgulho, é uma satisfação única ver esse reconhecimento em vida. Ao escrever este texto, porém, não quis fazer algo apenas laudatório e busquei palavras que pudessem definir a Adélia que conheço há décadas, não só como artista plástica, mas como mãe, esposa, avó, bisavó, amiga e mulher.
Disponibilidade é uma delas. Para quem precisar, a hora que precisar e do que precisar. Adélia está sempre pronta a ajudar, sugerir ou apenas ouvir.
Generosidade, irmã gêmea da disponibilidade. No olhar, no falar, no ouvir, nas atitudes e no perdão aos que a magoam.
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| Hibiscos. Adélia Portes. Foto: Anita Di Marco |
Alegria é sua outra marca registrada. No dia a dia, no esforço, no trabalho, no lazer, no compartilhar e, admiravelmente, até na dor.
Presença ativa. Incansável, ela não permite que o termo "cansaço" faça parte de seu vocabulário; e deveria, ao menos ocasionalmente. Mas não! Às vezes, quem a conhece percebe a fadiga no olhar e nos gestos. Porém, ela nunca demonstra, está sempre presente e jamais deixa de participar de alguma atividade por cansaço, algo que, definitivamente, também é ruim, já que, por vezes, ela não respeita os próprios limites. Mas, pergunto: isso é só dela ou de todos nós?
Doçura pode fechar esta breve descrição. Mesmo ao chamar a atenção de alguém (filho, neto, amigo), quando desabafa ou dá bronca, ela jamais perde a doçura, a gentileza na fala e no olhar. A lista é grande, mas paramos por aqui.
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| Natureza morta com melões. Foto: Anita Di Marco. |
Quando éramos crianças, como jovem mãe que era, brincava, jogava, ensinava, ria e se divertia com os filhos, sobrinhos e amiguinhos. Naquele tempo, não tínhamos carro e, diariamente, ela ia toda feliz levar e buscar as crianças na escola, a pé ou de ônibus. Naquela época, naquele reino tão, tão distante, pegávamos o ônibus elétrico nº 43 da Companhia Municipal de Transporte Coletivo (CMTC). Tudo era motivo para se divertir: ônibus cheio ou vazio, espera longa ou curta, material escolar pesado ou leve... Tudo era uma festa! E tem mais, depois de nos deixar na escola, ela se virava do avesso para conseguir trabalhar, fazer trabalhos voluntários e cursos profissionalizantes: enfermagem do lar, bolos de festa, bijuterias, colares, bordados finos...
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| Itália. Óleo sobre Tela. Foto: Anita Di Marco |
Depois,
com os filhos já mais independentes, percebeu que poderia seguir seus
sonhos, estudar e aprender sempre e cada vez - estudar, tocar
violão, tirar carteira de motorista, cantar em corais e pintar. Ah! Como
ela se realizava ao cantar e ao pintar... Pintava com tinta acrílica ou a óleo, desenhava com lápis preto ou pastel, fazia esculturas em papel machê, entalhava madeira para criar belas cenas... Como poemas pintados, suas obras expressavam emoções, sentimentos, o amor à família, à natureza e ao patrimônio histórico. Logo vieram as participações em praças, feiras, salões e, com isso, medalhas e menções.
Que orgulho e felicidade ver algum reconhecimento pela sua arte. Não financeiro, claro, porque arte não paga as contas no nosso país, mas dá prazer e realização, por algum tempo. Maior alegria ainda tivemos quando o nome dela virou verbete de enciclopédia cultural, pelo fato de tal reconhecimento ter sido feito em vida, como registro perene de uma linda história...
Uma palavra agora a todos que são filhos e filhas (em última instância, todos nós): respeitem, reconheçam, incentivem e valorizem os talentos de seus pais, porque, tenham certeza, eles abriram mão de muita coisa por vocês. Além disso, mais do que tudo, agradeçam a eles por lhes darem o maior presente de todos: a própria vida! Namastê, do fundo do coração, Adélia Portes Di Marco...
Namastê, mãe querida!
Referências:
https://enciclopedia.itaucultural.org.br/
https://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa22156/adelia-portes