 |
Goiás, GO. Foto: Anita Di Marco
|
.JPG) |
Aveiro, Portugal. Anita Di Marco
|
Quando se fala em paisagens, naturais ou construídas,
fala-se em natureza, em arquitetura e urbanismo, em engenharia, em técnica, em espaços. Fala-se em elementos que povoam nosso cotidiano
desde a época dos primeiros assentamentos humanos: apoio, abrigo ou conexão; praças, edificações, conjuntos, pontes, estradas, urbanismo, cidade. Fala-se de presente e futuro, mas
também de passado, já que é inevitável associar lembranças e memórias aos lugares por onde
passamos e circulamos, às edificações e espaços onde nascemos, brincamos, crescemos, trabalhamos.
 |
Parque, Caxambu.Foto: Anita Di Marco
|
 |
Piso drenante. Divulgação
|
Em suma, o cenário urbano, conformado pelas edificações e pelo o espaço, público ou não, entre elas, é o que emoldura a vida cotidiana. Memórias, fatos e lembranças, no mais das vezes, estão associados a algum lugar, mas nem sempre tal associação é consciente. Vivemos como se flutuássemos, sem perceber o mundo físico e real à nossa volta, sem perceber nosso papel e nossa responsabilidade nesse cenário. Porém, é aí que
espaço, tempo e ação se misturam.
 |
Varginha. Foto: Anita Di Marco
|
 |
São Paulo. Foto: Divulgação
|
Criamos e somos corresponsáveis não só pelas nossas
casas, mas também pelos espaços onde circulamos, pelas cidades onde vivemos. A forma de tratar nossa casa importa, logo, a forma de tratar nossa cidade importa. Importa o modo como vemos, agimos e lidamos com esse palco da vida cotidiana. Essa forma de agir gera consequências para nós, para nossa saúde física, emocional e mental. Cuidar da nossa casa é tarefa individual, mas cuidar da nossa cidade é tarefa coletiva. Você trata sua cidade como sua casa maior,
como uma sala de estar coletiva, um refúgio, um cenário onde você pode desempenhar, a contento, seus diversos papeis ou como território de
ninguém?
 |
Arquitetura Hostil. Divulgação
|
 |
Ciclovia, São Paulo. Divulgação
|
É preciso reaprender a arte de ver, identificar, nomear, mudar e cuidar desse organismo vivo que é a cidade. Podemos mudar cada uma delas para o bem comum. Se cada um cuidasse bem de sua cidade, se a encontrasse sem lixo, sem vandalismo, sem insegurança, sem exclusão... Uma beleza!
 |
Cuidados. Foto: Divulgação
|
Cada cidade é especial e alguns sortudos conseguem
ter mais de uma – o lugar onde nasceram, o lugar onde moram, estudam e/ou
trabalham. Esse qualificativo “especial” só é alcançado graças ao olhar amoroso de quem vê a cidade como sua e se vê como corresponsável --- seja morador, estudante ou visitante esporádico. Convido-o, então, caro leitor, a olhar para sua cidade - construções, ruas, espaços livres, horizontes -- com outro olhar, um olhar de curiosidade, de
interesse, respeito, amorosidade e, sobretudo, cuidado. Convido-o a “saber
ver”, a reaprender a olhar e a cuidar, porque o futuro as aguarda. Nós não estaremos aqui, mas nossos descendentes, sim!