quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Memória & Vida: Saudade, palavra doce... Será?

 
A foto acima é das últimas fotos dele que tirei, no Horto Florestal em SP. Pascoal e seus inseparáveis acessórios: boné e bengala  

Agosto me traz à lembrança a morte de pessoa querida e muito importante na minha formação: meu pai, Sr. Pascoal, ou Pasquale, como muitos o chamavam...italiano, carcamano, calabrês...
Dizem que sou parecida com ele, sobretudo em meus momentos de impulsividade (aquele que não tiver esses momentos levante a mão [!!!], ou está mentindo). Quando tenho meus rompantes e arroubos impulsivos, meus filhos, carinhosamente, me chamam de Pascoalzinho... Em parte, acho que têm razão e fico envergonhada desses momentos... Juro que estou trabalhando nisso.
Mas, além dessa herança, ele me passou muitas coisas que ficaram firmemente gravadas em mim, como noções de ética, integridade e honestidade; de lealdade e amor à família e ao trabalho. Acho que trago tudo isso em mim. Logo depois que ele se foi, escrevi esse texto para meus familiares. Acho bastante atual e republico aqui, por ocasião do sétimo ano de seu falecimento.                       

* * * * * 
A morte nos ajuda a redimensionar nosso olhar sobre a vida, seus valores e acontecimentos, enxergando e valorizando o que de fato interessa, procurando viver com mais sabedoria, discernimento e compaixão; sobretudo porque, no caso do pai, é a grande célula familiar que começa a se romper. Sabemos ser inevitável, mas nem por isso é menos doloroso. Devemos ter em mente as boas lembranças, deixar que a saudade seja companheira suave a nos fazer sorrir e, assim, trazer a pessoa que partiu para perto do coração. Mas sem revolta.  
Dói, é verdade e é natural, mas não precisamos sofrer com isso. Cada um faz o que tem que fazer, nós também. E a hora da partida chega para todos. Na escola da vida, há um momento em que temos que passar de ano ou mudar de fase, queiramos ou não; é inevitável e independe de nossa vontade.
O que depende de nós é fazermos nosso melhor sempre, a cada dia, em cada atividade, olhando para o outro como olharíamos para nós mesmos; agindo em conformidade com nossa origem divina comum... Agindo assim, não há razão para temer a morte. 
A saudade vem, é fato, mas temos as boas lembranças e a herança que carregamos desde sempre – meu jeito meio bravinho e radical é herança dele, minha retidão e senso de justiça também, o vestir a camisa a todo custo, idem; enfim, cada um recebeu parte maior ou menor dessa herança, temos é que honrá-la. Como disse, a dor da perda é inevitável, o sofrimento não.
Acho que a música Epitáfio vem bem a calhar: aplicar o que sabemos hoje, para não nos lamentarmos depois. Só acho que não é o acaso não vai nos proteger; nossas atitudes é que irão nos proteger e preparar-nos para quando chegar nossa hora.
Anita Di Marco (Em 02 setembro 2008)
Epitáfio (Titãs)
Composição: Sérgio Britto

Devia ter amado mais, ter chorado mais, ter visto o sol nascer...
Devia ter arriscado mais e até errado mais
Ter feito o que eu queria fazer...
Queria ter aceitado as pessoas como elas são
Cada um sabe a alegria e a dor que traz no coração...
O acaso vai me proteger enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger enquanto eu andar...

Devia ter complicado menos, trabalhado menos, ter visto o sol se pôr
Devia ter me importado menos com problemas pequenos
Ter morrido de amor...
Queria ter aceitado a vida como ela é
A cada um cabe alegrias e a tristeza que vier...
O acaso vai me proteger enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger enquanto eu andar...(2x)
Devia ter complicado menos, trabalhado menos, ter visto o sol se pôr...

 
Vídeo: Titãs - Epitáfio (Clipe Oficial) - Publicado em 3  jun  2012. 
https://www.youtube.com/watch?v=YOJiYy1jgRE - 

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Paisagem & Arte Urbana: Borba Gato

 http://www.saopauloantiga.com.br/borba-gato
Obras de arte em logradouros públicos são maneiras de apropriação do espaço urbano. Independentemente do tipo - obras de arte, estátuas, bustos, instalações, grafites etc. - são referenciais importantes que caracterizam e identificam logradouros. Podem ter valor afetivo para uma dada comunidade, podem ser fruto do trabalho de ancestrais, ou ainda resultado de determinada técnica construtiva. O fato é que se transformam em cartões postais de uma cidade e, goste-se deles ou não, eles são o que são: referenciais urbanos. Quem não conhece um dos cartões postais de Santo Amaro, na capital paulista? A imensa estátua de Manuel Borba Gato (1649-1718) paulista, bandeirante e genro de Fernão Dias Paes (ver aqui). 
 
Com certeza, a estátua não passa despercebida com suas 20 toneladas de peso e 13 m de altura, contando o pedestal de quase dois metros. Inaugurada em 1963, na confluência das avenidas Adolfo Pinheiro e Santo Amaro, a obra do artista Júlio Guerra (1912-2001)  levou seis anos para ser construída pelo artista e quatro ajudantes e foi fruto de concurso público para homenagear o quarto centenário do então município de Santo Amaro, na época autônomo. O artista usou trilhos de bondes para montar a estrutura de concreto e a revestiu com pedras coloridas de basalto e mármore, criando assim um enorme mosaico tridimensional. Em pé, a figura porta roupas e chapéu do século XVII, um enorme trabuco apoiado no chão e o olhar perdido no horizonte.
 
A "estátua" já mereceu os mais variados qualificativos: imponente, brega, marcante, sem graça, de mau gosto, desnecessária, infame, politicamente incorreta etc... De qualquer forma, alheia às críticas, a estátua continua a exercer seu papel de referencial urbano e (controverso) cartão-postal da cidade de São Paulo. 

Referências:
 
http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/cultura/patrimonio_historico/adote_obra/index.php?p=4520%20target=blank 

sábado, 22 de agosto de 2015

Línguas & Literatura: Guerreiros da Esperança

Livros são joias preciosas que preenchem o tempo ocioso, ampliam o conhecimento, exercitam o pensamento crítico e refinam os sentimentos. Minha filhota tem um dom especial para garimpar livros tocantes e verdadeiros. Um dos que li, recentemente, é Guerreiros da Esperança, presente dela. Baseado em fatos reais e mostrando a força que reside no grupo, o livro narra os sonhos infantis para alcançar um futuro melhor;  sonhos ameaçados pelo presente - o quase inevitável fechamento da distante escola de aldeia que representa sua única saída para aquele futuro. A consciência do poder da educação, o respeito pelo outro e o valor da amizade pontuam este volume terno, sensível e que aquece o coração e a esperança.    
Livro de estreia do autor indonésio Andrea Hirata, Guerreiros da esperança quebrou recorde de vendas em seu país, onde se passa a ação, e contribuiu para o desenvolvimento da literatura local. O cenário - a ilha de Belitung, na Indonésia, rica em recursos naturais e com imensos contrastes sociais - é descrito e visto pelos olhos de um dos personagens da história, Ikal, garoto pobre que sonha em estudar e enfrenta desafios cotidianos para isso. Ikal e seus companheiros do grupo Laskar Pelangi, os Guerreiros do Arco-Íris, pedalam longos trechos em estradas barrentas para ir à escola, estudam, vivem aventuras e desafios, descobrem sentimentos novos, conquistam vitórias, crescem, sofrem e riem juntos e, ao mesmo tempo, tentam evitar o fechamento da escola da aldeia, símbolo de esperança e porta de entrada para outro mundo, diferente daquele que seus pais poderiam lhes dar.   
Para garantir aos alunos o direito inalienável à educação, a professora e quase menina Bu Mus e o incansável diretor Pak Harfan lutam como quixotes contra os dragões reais da burocracia e dos interesses econômicos. Juntos, professora, diretor e alunos tentam manter vivos os valores da educação e da amizade. Juntos percorrem um caminho duro, intenso e sofrido.  
Não deixem de ler. Um presente ao coração e à fé no poder da vontade.  
ObraGuerreiros da Esperança, de Andrea Hirata. Tradução: Regina Lyra. São Paulo: Ed.Arqueiro,2012     
 
Referências

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Vida & Cultura: Gafes internacionais...

Dia desses, lendo o site Bored Panda (ainda intrigada com o coitadinho), topei com uma postagem sobre 18 erros que turistas cometem ao viajar para outros países. Parece óbvio para mim que, antes de qualquer viagem, o ideal é montar um caderninho de informações sobre o lugar a ser visitado, história, cultura, arquitetos, patrimônio histórico, grandes artistas, principais hábitos alimentares, festividades, o que visitar, como, quando, etc. 
Ao menos, é o que faço e acho que todo viajante deveria fazer antes de embarcar. Assim, a gente aprende algo antes de ir, já vai saboreando a visita e se previne contra possíveis gafes culturais, certo? 
Mas, voltando à postagem, o site trazia exemplos bem interessantes, por exemplo: Você sabia que dar gorjetas no Japão é considerado ofensivo? Eu não... 
Confira as gafes na imagem abaixo; pratique seu inglês e prepare-se para uma viagem sem surpresas desagradáveis.  
Referências

domingo, 16 de agosto de 2015

Reflexão: Querer e ser.

Temos que ser a transformação que queremos ver no mundo. 
- M.Ghandhi (1869-1948)

 
Imagem: http://www.agnt.org/64-days   

O pior cego é aquele que não quer ver; o pior surdo é o que não quer ouvir. Em tempos de hostilidades e intolerâncias, de ofensas desmedidas e insultos tortos; de mentiras consentidas e meias verdades, de hipocrisia e acusações; em tempos sem memória e sem utopias, de acomodação individualista, de divórcio da realidade e do bem comum, em tempos de conceitos embaraçados e confusão acatada sem um pensar crítico, este texto está cada vez mais atual. 
Ser o que se quer do outro. Fazer o que se quer que o outro nos faça. Simples, assim. É fazer sua ação corresponder ao que você fala e sua fala corresponder àquilo que você sente e pensa, porque agir é concretizar em ato aquilo que está no coração. Isso é coerência. 
É o que Mohandas Karamchand Gandhi, mais conhecido por Mahatma (grande alma), pregava. Aliás, Gandhi possuía dois livros de cabeceira, Novo Testamento e o Bhagavad Gita. Ele dizia que, se todas as bibliotecas do mundo fossem destruídas em um incêndio e restasse apenas o Sermão da Montanha, o mais completo guia para a evolução espiritual da humanidade, nada teria sido perdido. 
Assino embaixo e procuro praticar essa coerência, a cada dia.  

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Línguas & Literatura: A Casa das palavras

Na casa das palavras, sonhou Helena Villagra, chegavam os poetas. As palavras, guardadas em velhos frascos de cristal, esperavam pelos poetas e se ofereciam, loucas de vontade de ser escolhidas: elas rogavam aos poetas que as olhassem, as cheirassem, as tocassem, as provassem.
Os poetas abriam os frascos, provavam palavras com o dedo e então lambiam os lábios ou fechavam a cara. Os poetas andavam em busca de palavras que não conheciam e também buscavam palavras que conheciam e tinham perdido.  Na casa das palavras havia uma mesa das cores. Em grandes travessas as cores eram oferecidas e cada poeta se servia da cor que estava precisando: amarelo-limão ou amarelo-sol, azul do mar ou de fumaça, vermelho-lacre, vermelho-sangue, vermelho-vinho... 

- Eduardo  Galeano (1940-2015). O livro dos abraços, 9a.ed. Porto Alegre: L&PM, 2005.
 
Imagem: http://www.portuguesgratis.com.br/formacao-de-palavras/ 

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Arte & Cultura: Expo de Oneyda Alvarenga em Varginha

Agora que a Prefeitura de São Paulo comemora os 80 anos de sua biblioteca pública,  decidimos também homenagear a varginhense que foi aluna, amiga e organizadora da obra de Mário de Andrade, através da Biblioteca Municipal. Não deixem de ver as comemorações dos 80 anos de criação da Biblioteca Oneyda Alvarenga no Centro Cultural São Paulo e aqui em Varginha.
O objetivo é recuperar, divulgar e repercutir o trabalho e obra de personagens-chave da cultura varginhense e/ou mineira, já que muitas vezes, essa obra atinge repercussão estadual e até nacional, mas, por motivos vários, é subvalorizada em sua própria terra natal. Propõe-se ainda um questionamento ao visitante acerca de sua própria linha de tempo.
A mostra foi inaugurada esta semana, no campus Varginha da UNIFAL- Universidade Federal de Alfenas e dia 24 será aberta no campus Imaculada da UNIFENAS.  


    
Exposição: Oneyda Alvarenga & Eu - Seu tempo, sua busca, sua obra. 
Realização: Projeto Nômades: Circuito Cultural e Exposições Ela, Ele & Eu 
Quando e Onde:
UNIFAL ---- De 11 a 23 de agosto 2015.   
UNIFENAS – De 24 de agosto a 05 de setembro de 2015. Abertura às 20h30min.
Concepção, Curadoria e Realização: Anita Di Marco & Vanessa CTReis
Pesquisa: José Roberto Sales
Colaboração: Francisco Antonio Romanelli
Chancela: Academia Varginhense de Letras, Artes e Ciências – AVLAC.  
PatrocínioUNIFAL- Universidade Federal de Alfenas
                    UNIFENAS- Universidade José do Rosário Vellano
                    P.J. Prado – Corretora de Café

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Arte & Cultura: Mais chorinho...

Ultimamente, tenho trabalhado ao som de chorinho, cada vez mais. Os sons do cavaquinho acariciam meus ouvidos, me trazem ânimo, alegria e me dão asas... Impossível ficar triste ou desanimada com essas belezas. Tenho vários preferidos: Brasileirinho, Tico-tico no fubá, Naquela mesa, Delicado/atrevido de Waldir Azevedo (1923-1980); Odeon de Ernesto Nazareth (1863-1934); Assanhado de Jacob do Bandolim (1918-1969), entre tantos outros, mas dessa vez trouxe Waldir Azevedo com Brasileirinho, composição de 1949. Apreciem! 

Vídeo: Enviado em 25 de jun de 2011 https://www.youtube.com/watch?v=uIccry2wHs8

sábado, 8 de agosto de 2015

Paisagem Construída: Arte Urbana - mural em madeira

Arte urbana é um tema bastante amplo. Outro trabalho interessante de arte urbana é o da criação de murais com outros materiais, além de tinta, como o do belga Stefaan De Croock que montou um belo mural com peças de madeira descartadas como portas ou partes de mobiliário.    

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Paisagem Construída: Arte Urbana


Milhares de coletes na instalação do artista chinês Ai Weiwei. Berlim
Foto: Oliver Lang /Cortesia konzerthaus Berlim.
Coletes salva-vidas são o mote da instalação-denúncia do artista contemporâneo, cineasta, arquiteto e ativista chinês Ai Weiwei (1957), que reuniu 14.000 desses coletes da ilha de Lesbos, na Grécia, onde milhares de refugiados aportaram após a dura travessia por mar. Objetivando chamar a atenção para essa crise humanitária, representou, através dos salva-vidas, as incontáveis vidas alteradas. Seu instagram também traz centenas de fotos e vídeos dos refugiados, em busca de asilo. 

Instalação de Ai Weiwei em sala de concertos alemã.
 Foto: Oliver Lang / Cortesia konzerthaus Berlim.
O artista envolveu os seis pilares da entrada principal da sala de concertos Konzerthaus, em Berlim, com os coletes de cor laranja. Cada um foi amarrado ao outro e depois fixado nas colunas; cada um representa a vida de alguém, homem, mulher ou criança, cuja chegada em Lesbos é apenas o começo de uma nova e difícil fase. A instalação foi realizada em fevereiro 2015.   
Ai foi também consultor artístico do escritório suíço dos arquitetos Herzog & De Meuron, para o projeto do Ninho de Pássaro, o estádio de Pequim para os Jogos Olímpicos de 2008. 
https://www.artsy.net/artist/ai-weiwei  

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Vida & Yoga: Meditação em um minuto

Por mais que tenhamos ouvido e lido sobre os benefícios da meditação, nada se assemelha à prática. Não se aprende meditação por leitura, assim como não se consegue ter uma experiência do yoga sem praticá-lo. Por isso quando alguém me pede para assistir a uma aula de yoga, eu respondo que não pode. Simplesmente não pode! Se quiser fazer aula, tudo bem; mas assistir, nunca. Porque só a prática é que lhe dará uma noção (pequena) do que é o yoga e de seus benefícios. O mesmo se dá com a meditação.  
Comece com um distanciamento dos sentidos (pratyahara) e passe à concentração (dharana). Meditação (dhyana) implica estar presente (como o yoga e como a própria vida), observando, sem se deixar influenciar e/ou perturbar e/ou distrair por pensamentos, ruídos ou lembranças, até perder a noção do tempo, até integrar-se e dissolver-se nessa percepção (samadhi).
Estar presente e inteiro, no momento da prática, no momento da ação, no momento da meditação. Estar onde você está. Sentir os batimentos cardíacos, sentir e perceber cada fase da respiração: inspiração (puraka), pulmões cheios (khumbaka), expiração (rechaka) e pulmões vazios (bahia khumbaka). Quase sentir uma não-vontade de respirar...
Sentir os movimentos da mente, perceber os pensamentos que, com certeza surgirão, mas deixando que eles passem, como nuvens, sem se perturbar ou se apegar a eles. Apenas ser. 
Ouvir os ruídos, mas sem fixar neles sua atenção, sem se perturbar. Afinal, o mundo seguirá existindo apesar de você e de sua meditação. Desligue-se disso tudo e apenas pratique o ser.
Parece difícil, mas não é. Por isso achei esse vídeo bastante didático que compartilho aqui e vai propor um minuto de meditação.
 
Meditação em um instante, legendado (One Moment Meditation, with pt-BR subtitles)-https://www.youtube.com/watch?v=IPrOlrYHsoQ 

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Reflexão: Meditação e tranquilidade...

Se a água barrenta ficar quieta por algum tempo, o barro se depositará no fundo e a água se tornará clara. Na meditação, quando o barro de seus pensamentos inquietos começa a depositar-se, o poder de Deus começa a refletir-se nas águas claras de sua consciência.  
- Paramahansa Yogananda (1893-1952)   

Foto: Anita Di Marco, Maceió. Julho, 2013. 

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Arte & Cultura: Bailarina brasileira recebe prêmio Príncipe Claus

Criado pela Fundação Príncipe Claus da Holanda, o Prêmio Príncipe Claus é destinado a pessoas que fazem da cultura um projeto de  vida. A cada ano, são premiados onze representantes da área cultural na África, América Latina, Ásia e Caribe, que “realizam um trabalho de qualidade excepcional e grande impacto social, em regiões em desenvolvimento”. Em 2014, um dos prêmios coube à coreógrafa e bailarina brasileira Lia Rodrigues, irmã da arquiteta Cecília Rodrigues dos Santos.
Especialistas do mundo todo são convidados para indicar candidatos e , depois, um comitê avalia as sugestões. Dez prêmios são entregues por Embaixadores da Holanda aos laureados em seus respectivos países.
Em 2014, o Prêmio Principal foi concedido a Abel Rodriguez, artista, fitólogo e ancião em uma comunidade colombiana. No mesmo ano, a dançarina e coreógrafa brasileira Lia Rodrigues foi contemplada  com um dos dez Prêmios Príncipe Claus. Na vanguarda da dança contemporânea no Brasil, criando coreografias ousadas e impressionantes do ponto de vista técnico, ela abriu sua Companhia de Dança numa favela do Rio de Janeiro, onde também dirige a Escola de Dança da Maré, que gera experiências novas e cria oportunidades dentro da comunidade. A premiação será no Centro de Artes da Maré, no próximo dia 8 de agosto.

Parabéns Lia, pelo excepcional e admirável trabalho e por mais esta vitória.   
 
Lia Rodrigues 
Fonte: http://www.conectedance.com.br/quem-faz-a-diferenca/lia-rodrigues-arte-aliada-a-desenvolvimento-humano/ 

 
Centro de Artes da Maré
Fonte: http://mapadecultura.rj.gov.br/manchete/escola-livre-de-danca-da-mare   
Referência:
http://brasil.nlembaixada.org/noticias/2014/09/premio-principe-claus.html 

domingo, 2 de agosto de 2015

Paisagens: Lavandas, lavandas e mais lavandas...

Já falei de Cunha, estância climática situada no Vale do Paraíba, em São Paulo,  e seu O Lavandário em  O espetáculo das lavandas em Cunha, portanto programe-se para fazer uma visita à cidade e conhecer o local; a visita pode ser virtual, em primeiro lugar, mas, depois, tenho certeza de que você vai querer conhecer, cheirar, tocar e fotografar. É de encher os olhos e a alma... Em Cunha, você pode ver paisagens assim, o ano todo... As fotos acima foram tiradas em janeiro de 2015. Talvez mais claras, mas tão lindas quanto as do link abaixo (Bored Panda), do qual sou fã... 
 
 
 
 
Não... Não me perguntem, não sei por que o coitadinho do urso panda está entediado. Cá entre nós, confesso que isso também me intriga...  Mas, voltando, sempre que abro o site, vou rolando a barra e encontro meios divertidos de ler, praticar inglês e descobrir coisas, digamos, inusitadas e diferentes, além de fotos lindíssimas.    
Fotos: Anita Di Marco, Cunha. jan 2015

terça-feira, 28 de julho de 2015

Paisagem: Orquídeas e bromélias

Tenho dois amigos gaúchos, tranquilos, risonhos, e muito queridos: Pedro e Lígia Holderbaum, ambos arquitetos simpaticíssimos e muito, muito competentes. Eu os conheci em Varginha, logo que cheguei à cidade. Em uma das saídas para conhecê-la, gostei de algumas casas e pensei comigo: - Têm todo o jeitão de terem sido projetadas por arquitetos, e dos bons!
Aliás, isso é verdade e muito interessante. Com a prática, dependendo de sua formação, quando você bate o olho, dá para saber se o projeto é ou não de arquiteto e mais ainda, dá para saber que tipo de arquiteto ele é! Ou até quem ele é!
Bom, voltando... Descobri que as casas, de fato, haviam sido projetadas por um casal de arquitetos e fui descobrir quem eram os dois. Por pouco tempo, mantivemos contato real; agora, o contato é, basicamente, virtual (pena!), porque eles logo se mudaram para Joinville. Egoisticamente, fiquei triste por mim (tenho certeza de que você conhece a sensação, não?), mas feliz por eles. E truco! O tempo mostrou que eles estavam certos.
Fizeram alguns trabalhos como arquitetos, como paisagistas, organizaram algumas edições da Festa das Flores de Joinville e, em pouco tempo, montaram a sua própria flora, a Flora Holderbaum, fundada em 1994. 
Desde então, com a competência e habilidade que sempre mostraram em seus projetos, lidam com orquídeas e bromélias. Produzem e melhoram espécies brasileiras como a Cattleya intermedia, a Laelia purpurata e a Cattleya labiata em especial, assim como na criação de híbridos de Cattleya.  E enviam para todo o Brasil.
No site, você também descobre os cuidados com suas orquídeas e bromélias. Aproveite. 
Fiz esse post para matar a saudade dos meus amigos Lígia e Pedro.


Referências: 
http://floraholderbaum.com/  

Arte, Cultura & Memória: Folclore Brasileiro

 Imagem: http://www.aprovincia.com.br/conversa-de-pescador/folclore/ 
Em junho, já falei da riqueza de nossas tradições culturais e de nosso folclore,  quando me referi às festas juninas, no post Yes, nós temos festas juninas!  Além do Dia dos Pais, em agosto comemora-se o Dia do Folclore, no dia 22, data criada pelo governo brasileiro em 1965 para homenagear nossa rica cultura popular. O termo vem do inglês antigo e significa "povo" (folk) + "cultura, conhecimento" (lore). Segundo o dicionário Houaiss, folclore é:   
- conjunto de costumes, lendas, provérbios, manifestações artísticas em geral, preservado, através da tradição oral, por um povo ou grupo populacional; cultura popular, populário. 

Abrangente, o termo engloba tudo que identifica um povo e o caracteriza: literatura, teatro, dança, música, comida, artesanato, mitos, simpatias, brincadeiras, lendas, jogos, festas, ditos populares, superstições, parlendas, trava-línguas, etc. Fruto do imenso cadinho cultural que é o Brasil, nosso folclore tem a contribuição de diversos povos e lugares - índios, portugueses, outros europeus e africanos. Dessa mistura toda, nasceu a colorida colcha de retalhos formada por uma infinidade de pequenos pedaços diferentes em padrões, cores e dimensões. Um verdadeiro patchwork, ou colcha de retalhos. É fundamental, portanto, conhecer, estudar, cultivar e divulgar nossas tradições e costumes, como forma de manter vivas nossas raízes e nosso patrimônio cultural intangível.
Então, se você...evita passar debaixo de uma escada, morre de medo de gato preto, gosta das histórias contadas na roça, coloca um ramo de arruda atrás da orelha para espantar mau olhado, usa uma figa ou uma ferradura atrás da porta para dar sorte, bate três vezes na madeira para evitar que algo ruim lhe aconteça, usa sal grosso na água na entrada da casa para se proteger da inveja, coloca uma vassoura atrás da porta para despachar uma visita chata, gosta de festa junina, de pular fogueira, de soltar fogos e de fazer simpatias, dá três pulinhos para encontrar algo que perdeu, usa fitinha do Bonfim, gosta de brincar e cantar cantigas de roda, sabe as brincadeiras de trava-línguas... 
Enfim, se faz tudo isso e mais centenas de outras coisas, como fumar cigarro de palha, brincar de bumba-meu-boi, da malhação do Judas, Folias de Reis, congadas, procissões várias, carnaval... Saiba que tudo isso tem suas mais genuínas raízes em nosso folclore. Tenho certeza de que, quando criança, todo mundo já ouviu falar de alguns desses mitos, lendas e personagens:
- Saci Pererê: menino negro de uma perna só que, com o cachimbo e um gorro vermelho, vive voando em seu redemoinho, provocando rajadas de vento, fazendo travessuras, mas também ajudando a proteger a mãe-natureza;
- Iara ou mãe-d’água: metade mulher e metade peixe que, com seu canto atraente, atrai e encantar os homens até levá-los para o fundo do rio;
- Boto: jovem atraente que seduz  mulheres, leva-as para a beira de um rio, deixa-as grávidas e, antes da madrugada, mergulha de novo e se transforma em um boto cor de rosa;
- Curupira ou Caapora: de cabelos compridos e os pés virados para trás, também protege as matas e os animais silvestres;  
- Boitatá ou fogo-que-corre: cobra de fogo que protege as matas, florestas e os animais silvestres;
- Cuca: figura de uma velha que tem cabeça de jacaré, voz assustadora e persegue crianças desobedientes;  
- Mula sem Cabeça: mulher que, como castigo após ter tido um caso com um padre, é transformada numa mula sem cabeça que galopa e salta sem parar, nas noites de quinta para sexta-feira;
- Lobisomem: homem que, após ter sobrevivido ao ataque de um lobo, transforma-se em lobo nas noites de lua cheia. E por aí vai...
Mas folclore é coisa muito séria e, quando se fala em folclore brasileiro, não se pode esquecer de figuras ímpares, como Monteiro Lobato (1882-1948), Mário de Andrade (1893-1945) e Câmara Cascudo (1898-1986), motivo para outro post.  

Referências:

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Línguas & Literatura: Mário, Oneyda e Varginha

Em março último, fiz um comentário sobre o livro À Outra Margem, do psicólogo, pesquisador e historiador José Roberto Sales, atual presidente da Academia Varginhense de Letras, Artes e Ciências – AVLAC (Línguas, Literatura & Tradução: À Outra Margem). 


 
Capa de À outra margem, 1ª edição

Agora, em segunda edição, o livro vem enriquecido por análise do autor / pesquisador sobre a troca de correspondência entre Mário de Andrade (1893-1945), mentor intelectual e depois amigo, e Oneyda Alvarenga (1911-1984), pupila, depois amiga e herdeira cultural do mentor. O autor analisa as cartas e destaca as observações feitas à cidade de Varginha, também sua terra natal, no cenário das cartas trocadas entre 1932 e 1940, mas também apresenta a cidade com os dados da época, conforme publicação de então, contrapondo, em alguns momentos, as opiniões de Oneyda sobre o caráter provinciano da cidade.


 
Capa da 2ª edição, baseada no quadro de José Fernando Campos, outro acadêmico da AVLAC

Cuidadoso, minucioso e perspicaz, o autor identifica o período histórico, as entrelinhas, os neologismos e vocabulário próprio de ambos e, mais importante, localiza e expõe ao leitor uma Oneyda sensível e tímida, determinada e corajosa, humilde e agradecida ao mestre durante sua busca profissional e pessoal, busca essa que teve início ao deixar Varginha e partir, corajosamente, para o mundo novo representado por São Paulo, em uma longa viagem de trem de 14 horas, à época... Mostra também um Mário de Andrade que discutia, ponderava, aconselhava, mas também se espelhava em Oneyda, que a incentivava e acreditava nela bem mais do que ela própria.  
A segunda edição de À Outra Margem será lançada em agosto, em data a ser definida, mas no dia 30 de julho na Academia Varginhense de Letras, Artes e Ciências, na Sala da Torre da Estação Ferroviária de Varginha, haverá outro evento com a presença e palestra de Valquíria Maroti Carozze, pesquisadora com formação em Biblioteconomia e Documentação pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo - ECA-USP, Mestre em Filosofia pelo Instituto de Estudos Brasileiros – IEB-USP e especialista em Oneyda Alvarenga. Na ocasião, Carozze também lança seu livro “Oneyda Alvarenga: da poesia ao mosaico das audições” (São Paulo: Alameda, 2014. 450p.). A pesquisadora fez o texto de apresentação da segunda edição do livro de José Roberto Sales. 


 
Convite lançamento livro de Valquíria Carozze

Como se isso não bastasse para homenagear a ilustre personagem, pretende-se realizar uma exposição, com concepção e curadoria de Vanessa CTReis e eu, sobre a vida da folclorista, musicista, musicóloga e pesquisadora. 
Aos moradores da terra natal de Oneyda Alvarenga, caberá aproveitar essa fartura de eventos e  informações sobre a trajetória da varginhense iniciada ao deixar sua cidade natal para estudar piano com Mário de Andrade, pontuada pela amizade e respeito mútuo e coroada pela construção paulatina e sólida de seu saber sobre folclore, música e etnografia, materializada na organização do acervo musical e de folclore da Discoteca Pública Municipal de são Paulo, hoje localizada no Centro Cultural São Paulo e denominada  Discoteca Municipal Oneyda Alvarenga. Oneyda foi a primeira diretora da instituição e permaneceu no cargo de 1935, ano de sua criação, a 1968, quando se aposentou. 
Em sua terra natal, no entanto, 'Oneidíssima', como às vezes Mário de Andrade a tratava, talvez mereça maior divulgação para ser mais conhecida e reconhecida. O trabalho de José Roberto Sales permite que a cidade olhe com outros olhos para a filha ilustre que emprestou seu nome a logradouros e instituições públicas em Varginha e São Paulo, além de ser autora de diversas publicações e trabalhos na área.

É fundamental mostrar, às novas gerações, o passado, as tradições, as conquistas do país, sobretudo com aqueles personagens da terra natal. Mas não se trata de bairrismo e sim de apontar a grande contribuição dessa personalidade na vida cultural brasileira. Trata-se de destacar e apreciar aquilo que temos e que, muitas vezes, não é devidamente valorizado, sobretudo quando se trata de uma figura feminina. Infelizmente, muitas mulheres ainda são invisíveis aos olhos de muitos. 
Quatro momentos que têm Oneyda Alvarenga como tema, quatro tributos: dois livros, uma palestra e uma exposição; quatro privilégios para a população local. Só a ela cabe aproveitar esses momentos e mergulhar no universo magnífico de construção do conhecimento e de sua própria cultura.
Parabéns aos pesquisadores e autores, José Roberto e Valquíria pelo empenho e seriedade de suas pesquisas; parabéns aos organizadores, parceiros e patrocinadores da exposição.
Oxalá, o nome de Oneyda Alvarenga seja sempre lembrado e reverenciado junto com o grande Mário de Andrade, não só no Brasil, mas também e, sobretudo, na sua própria terra natal - Varginha, sul de Minas Gerais.