Ecos da vida: ecos urbanos, linguísticos, culturais e imateriais em um espaço plural e simples, como eu.
segunda-feira, 27 de abril de 2015
Vida & Literatura: Escrevendo sobre a dor da perda
Terça-feira, 28 de julho, será lançado um livro corajoso, de
alguém que sofreu, enfrentou e quis compartilhar sua dor e busca de explicações com
aqueles que passam pelo mesmo trauma, a perda de um filho. O livro é da querida amiga e professora
universitária Ione Maria Ramos Paiva e a apresentação é minha, já que acompanhei o longo e sofrido processo de elaboração do livro e da dor. A renda obtida com a venda será
destinada a duas entidades: Mães Sem nome, grupo de mães que perderam
seus filhos e buscam reaprender a viver, e a Associação dos Defensores de
Animais de Varginha:
Leiam a bela resenha do professor Francisco Romanelli e, se
puderem, compartilhem.
A
MAIOR DAS PERDAS: O APRENDIZADO PELA DOR
Partindo de experiência
própria, daquela que representa a maior de todas as dores da vida, a perda de
um filho jovem, Ione Paiva, a autora de A maior das perdas, honestamente,
desnuda sua alma revendo as dores, os mecanismos psicológicos alterados, as
arestas sociais e os muitos traumas, que dilaceram e estilhaçam a vida do
pseudossobrevivente. Ao partilhar sua dor, a autora não só se submete a um
processo catártico de entendimento do contexto da fatalidade, como, também, se
irmana com outros pais desafortunados, flagelados por dor equivalente. Para se
situar em meio ao caos em que a vida se transforma e reorganizar os seus cacos
em uma sequência lógica que, se não aplaca a dor, pelo menos a faz melhor
compreendida, é que a obra perpassa por um rico filão de estudos no campo da
filosofia, da psicologia, das religiões, da sociologia, da filosofia esotérica
e das ciências ditas paralelas (como astrologia, mediunidade e espiritualismo).
Observe-se, no entanto,
que a obra não é um libelo de desabafo, nem se trata de um manual de auto
ajuda, muito menos veicula mensagens panfletárias em prol desta ou daquela
filosofia religiosa ou de vida, mas, um sério estudo com leque abrangente de
tema, no final das contas, o definitivo entorno da existência dos pais que
sobrevivem à perda do filho e com o qual eles terão de lidar por todo o tempo
do resto de suas próprias existências.
Organizando logicamente
experiência tão absolutamente fora de lógica, a autora dá sentido orgânico à
sua obra estruturando-a, por seus dezoito capítulos, na análise básica de
quatro temas centrais: sua própria experiência, dor e consequências; a
compaixão pela dor alheia dos que, como ela, foram submetidos a experiências
idênticas; o sentido da morte e da perda em pensamentos religiosos e
filosóficos e, por fim, a busca de um sentido na transcendência da vida
existencial. Ao narrar sua perda, o faz sem pieguismos, mas, com a honestidade da
mãe que é amputada da parte mais doída de seu ser, o filho, mas que busca
tornar o mundo físico e espiritual, após trauma de tal magnitude, em algo
inteligível e possível de se viver. Optou pelo profundo estudo e pela farta pesquisa,
ao invés de imergir em auto comiseração. A magnitude absoluta da dor já fora
atingida e, como ela própria diz, o livro não pode impingir-lhe maiores
sofrimentos, porque isso já não seria mais possível. Daí sua opção pelo estudo
sério sobre um tema que se esconde sob tabus, incompreensões, rejeições e
impossibilidades de definição científica.
Ao compungir-se com a
dor alheia pretende “mostrar aos outros pais que não estamos sozinhos nesta
caminhada pesada da vida; que muitas vezes, no auge de nosso desespero ansiamos
ouvir, tanto quanto ansiamos contar nossas histórias, bem como as histórias de
nossos filhos queridos, tão caras para nós”. E uma das mais úteis formas de
partilhar a dor para, junto com experiências similares, cada um melhor suportar
a sua própria, é a imersão no estudo do tema, buscando o sentido da existência,
das rupturas e das perdas, caminho que o livro se propõe a oferecer para a
comunhão dessas almas e mentes atormentadas e irmanadas no grande sofrimento.
O livro, no entanto,
não é de interesse restrito àqueles que partilham a experiência de perda de
filhos. A estes, dá amparo, ombro, carinho e tentativa de entendimento. Para
além dessa comunhão, o livro é universal ao encarar como a mente humana,
através de seus mecanismos ferramentais como a filosofia, a psicologia, a
religião, a arte e outros estudos paralelos, problematiza a ruptura e a perda.
A morte é o destino de tudo aquilo que vive. Se o raciocínio humano não
consegue se satisfazer com a tentativa de explicar a vida, muito menor êxito
obtém na possibilidade de entender e aceitar a morte. E apresenta, por fim, as
diversas hipóteses de como as religiões, os movimentos espirituais e as
filosofias esotéricas buscam a transcendência da vida individual. Muitas se
direcionam aos caminhos da fé – a morte é um propósito divino para o início de
uma nova trajetória da alma, assim como o ditam seus cânones dogmáticos.
Outros, no entanto, encontram respostas em experiências espirituais pessoais e
alheias, tidas como verdades – visões, experiências de quase morte, contatos
espirituais, lembranças e êxtases. A autora mostra as opções mais
frequentemente encontradas e as técnicas de experimentação regularmente
adotadas, como aquelas das tradições orientais, inclusive a meditação.
A autora, Ione Maria
Ramos de Paiva, não é uma pesquisadora estreante. Ao contrário, professora
universitária, Mestre em Engenharia de Produção, Mídia e Conhecimento, com
ênfase em Psicologia das Organizações, autora de dois livros, escritora
acadêmica, é pesquisadora nas áreas de filosofia, esoterismo, religião e
ciências paralelas (notadamente Astrologia, Parapsicologia e Rosacrucianismo),
pesquisas essas que foram aprimoradas e incrementadas face à desdita da perda
filial, quando sentiu necessidades de encontrar algum entendimento sobre o fenômeno
da morte. Daí advém a rica fonte de informação que A maior das perdas traz. A despeito da profunda pesquisa, esse é um
livro escrito de maneira coloquial, com ágil leitura e compreensão, alheio aos
chavões academicistas e se reveste de forte caráter de essencialidade. Aqueles
que querem se situar na vida precisam refletir sobre a morte. É a imersão nessa
reflexão necessária e humana que é a proposta do livro.
LANÇAMENTO
DE LIVRO
PAIVA, Ione Maria
Ramos de. A maior das perdas. Rio de
Janeiro: Barra Livros, 2015. 98p. Data:
Dia 28 de abril DE 2015, terça-feira, às 20h30min.
Local: sede da Academia Varginhense de
Letras, Artes e Ciências (AVLAC) - Sala da Torre da Estação Ferroviária, Praça
Matheus Tavares, nº. 121, Centro- Varginha
[*] Mestre
em Letras, membro da Academia Varginhense de Letras Artes e Ciências (AVLAC).
domingo, 26 de abril de 2015
Grupo de estudos sobre yoga
No Blog Yoga Clássico - Patanjali - http://recantodaserenidade.blogspot.com.br/ - vocês encontram os horários para nossas aulas de yoga. Além disso, toda última quarta-feira do mês realizamos um encontro no nosso Espaço DHARMA/ Recanto da Serenidade para estudar um pouco mais sobre a teoria do yoga e ciências afins. No primeiro encontro, realizado no dia 25 de março, a professora Anita abordou o tema Fundamentos do Yoga, um apanhado geral dessa ciência do bem viver, onde surgiu, as diferentes escolas e práticas, etc. O próximo encontro será na quarta-feira, dia 29 de abril com o tema O código de ética do yoga, segundo Patanjali em seu compêndio Yoga Sutras. Anote na agenda.
quinta-feira, 23 de abril de 2015
Paisagem Construída: Sonho realizado...em Chicago
Congressos, seminários, simpósios, encontros
são sempre ocasiões especiais para profissionais e pesquisadores de qualquer
área. Além dos debates e discussões com colegas do mundo todo; além de
ratificar, questionar ou ampliar o conhecimento em suas respectivas áreas; além
da ampliação da rede de relacionamentos, de visitar novas cidades e vivenciar
novas culturas, essas viagens podem significar a transformação de sonhos em
realidade.
Assim aconteceu comigo, algumas vezes.
Assim aconteceu agora, mais uma vez, com a
amiga Ruth Verde Zein, participante da Conferência
da Sociedade dos Historiadores de Arquitetura, em Chicago, no último final
de semana. Ruth foi uma das 183 selecionadas dentre as quase 800
inscrições de trabalhos provenientes de 52 países. Dirigiu a mesa Brutalismo nas Américas: Conexões
Norte-Sul, com o
arquiteto gaúcho Carlos Eduardo Dias Comas. O encontro visava celebrar o
68º aniversário da Sociedade e seu objetivo de estimular a compreensão e
apreciação da história da arquitetura e sua inserção na vida contemporânea,
tanto para pesquisadores da arquitetura, como para nós, meros cidadãos e
habitantes urbanos, vivendo cotidianamente a arquitetura e as cidades.
Chicago, por sua vez, é um local especial
para estudantes de arquitetura do mundo todo. Especial para arquitetos.
Especialíssima para pesquisadores, pela longa lista de nomes de arquitetos de
vanguarda que construíram obras que são verdadeiros ícones da arquitetura
moderna. Nada se compara à sensação e ao prazer de estar frente a frente, de
entrar, de sentir e vivenciar essas obras especiais. Sonho realizado. Privilégio
merecido e conquistado...
Vista de Chicago, com as torres de apartamentos na Lake Shore Drive, 1951, do mesmo arquiteto, junto ao lago de Chicago. Foto: Ruth V.Zein, 2015.
RVZein e o arquiteto, historiador e crítico de arquitetura Kenneth Frampton, professor da Faculdade de Arquitetura da Universidade de Columbia, depois de visitarem a exposição Latina America in Construction, no MoMA-NY.
quarta-feira, 22 de abril de 2015
Celebrando um aniversário
Em meio às atividades
do dia, quase ia me esquecendo de celebrar um aniversário.
Uma jovem senhora de
55 anos, capaz de atrair amor e desprezo, admiração profunda e ácidas críticas,
encantamento e também despeito. Mas não em igual medida: a admiração, a
surpresa sempre é maior. De qualquer forma, quem a conhece não fica
indiferente.
Uma jovem senhora
concebida por dois homens maravilhosos que, com sua competência e visão, conseguiram
transformá-la em um símbolo de união e grandeza e na joia maior de sua missão
conjunta.
Feliz aniversário,
Brasília (1960-2015)!
Fotos: Anita Di Marco, julho 2014
Vista da Catedral
Vitrais da Caixa Econômica Federal
Vista das torres do Congresso Nacional
Vista da Esplanada
Memorial JK
Vista da Torrre de TV em direção à Praça dos Três Poderes
Ao longo do Instituto Central de Ciências - ICC - Universidade de Brasília- UnB
Torre Digital
Mastro da Bandeira Nacional e Memorial Tancredo Neves
segunda-feira, 20 de abril de 2015
Reflexão: O mar [ou A função da Arte]
Diego não conhecia o mar. O pai, Santiago Kovadloff, levou-o para que descobrisse o mar. Viajaram para o Sul. Ele, o mar, estava do outro lado das dunas altas, esperando.
Quando o menino e o pai enfim alcançaram aquelas alturas de areia, depois de muito caminhar, o mar estava na frente de seus olhos.
E foi tanta a imensidão do mar, e tanto seu fulgor, que o menino ficou mudo de beleza. E quando finalmente conseguiu falar, tremendo, gaguejando, pediu ao pai: — Me ajuda a olhar!
- Eduardo Galeano (1940-2015), O Livro dos
Abraços.
Extraído de sua obra 'O livro dos abraços', traduzido por Eric Nepomuceno, editado pela LPM Editores: 1991. Um
livro delicado e sensível que traz uma série de histórias curtas e
envolventes com a visão por vezes crítica, por vezes lírica do autor, sobre emoções, valores, arte, política e muito mais.
sábado, 18 de abril de 2015
Vida & Yoga: Por que praticar Yoga?
Talvez você tenha se interessado pela prática
do yoga, porque ouviu dizer que faz bem ao corpo, à mente, relaxa, alivia as
tensões e o estresse. Tudo bem, o motivo não importa. O importante é perceber
que yoga vai além, muito além de tudo isso. Yoga tem como sustentação um sistema filosófico
coeso e abrangente. Yoga é um sistema transformador, porque trabalha todas as
dimensões do ser humano, a partir de um um trabalho sobre si mesmo, através de
um treinamento de atitudes e um código de ética, que deve vir sempre antes da
técnica. Isso é o que distingue esse sistema de uma aula comum de
ginástica.
A prática requer autodisciplina,
persistência, compromisso consigo mesmo e respeito aos limites. Yoga não tem a
ver com competição e excessos; não tem a ver com acrobacia e arrogância. Yoga tem a ver com tranquilidade em vez de
agitação; com concessão e respeito em vez de violência; com conforto em vez de
dor; com concentração em vez de dispersão; com humildade em vez de soberba; com
estado de presença em vez de alienação.
Ao trabalhar tudo isso, você
estará entrando no campo do yoga.
Cartaz do I Encontro de Yoga na USP. Foto: Anita Di Marco
sexta-feira, 17 de abril de 2015
Paisagem, Arte & Cultura: Arquitetura brasileira no MoMA
Arquitetura
brasileira e latino-americana novamente em destaque no Museu de Arte Moderna - MoMA de Nova
Iorque. Sessenta anos depois da histórica Latin American Architecture since 1945, um levantamento da arquitetura moderna produzida na região naquele período [e
com bastante atraso tendo em vista a qualidade e quantidade de nossa
arquitetura], o MoMa repete o tema com a exposição Latin-America in Construction 1955-1980, em cartaz até 19 de julho, cobrindo o período de 1955 até o
início dos anos 1980.
Arquiteto e professor
da Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal do Rio Grande do Sul –
UFRGS e um dos organizadores da mostra, Carlos Eduardo Dias Comas fala do interesse
renovado por nossa arquitetura, a partir dos anos 1990, depois do período de “esquecimento” pós-Brasília e elogia a qualidade documental da mostra
atual, com variados originais da época – desenhos de arquitetos, fotos,
projetos, cartas, filmes e documentários. Acompanham a exposição um catálogo e uma
antologia dos textos originais, edição conjunta de Barry Bergdoll, Carlos Eduardo Dias
Comas, Jorge Francisco Liernur e Patricio del Real.
Na inauguração, inúmeros colegas, dentre eles, Carlos Eduardo Dias Comas, Lizete Rubano, arquiteta e professora da Universidade Presbiteriana Mackenzie e o arquiteto Hector Vigliecca que apresentou o projeto Bulevar Artigas.
Na inauguração, inúmeros colegas, dentre eles, Carlos Eduardo Dias Comas, Lizete Rubano, arquiteta e professora da Universidade Presbiteriana Mackenzie e o arquiteto Hector Vigliecca que apresentou o projeto Bulevar Artigas.
Foto: Capa do livro, da página do MoMA
Vídeo com entrevista de Comas sobre a exposição.
Em tempo, o arquiteto Hector Vigliecca lançará, no próximo dia 23, o livro O Terceiro Território - Habitação Coletiva e a Cidade, no Museu da Casa Brasileira, em São Paulo. Estaremos lá.
quinta-feira, 16 de abril de 2015
Paisagem, Arte & Cultura: Colorindo as cidades
Amantes das cidades, da paisagem urbana, da arte, dos desenhos e dos livros de colorir têm um motivo a mais para se divertir. Armados de seus lápis de cor, tintas e canetinhas, adultos e crianças (por que não?) poderão fazer uma viagem colorida ao redor do mundo. Quem disse que a gente não aprende desenhando, colorindo, olhando e viajando? Os adultos redescobrem seu lado lúdico, se divertem e voltam aos tempos de criança. As crianças idem. Brincando, elas aprender a
ver, observar, expandir horizontes e, principalmente, respeitar as diferenças culturais
desde cedo. Tudo isso com o incrível livro de colorir para adultos (sim!), do
artista e ilustrador canadense Steve McDonald: "Fantastic Cities: A Coloring Book
of Amazing Places Real and Imagined”, com ilustrações de vistas aéreas
reais e imaginárias de 60 cidades ao redor do mundo, distribuídas em 48
páginas.
Referências e Imagens:
Romullo Baratto. ""Fantastic Cities": um livro de colorir com ilustrações de cidades ao redor do mundo" 14 Apr 2015. ArchDaily Brasil. Acessado 15 Abr 2015 - http://www.archdaily.com.br/br/765384/fantastic-cities-um-livro-de-colorir-com-ilustracoes-de-cidades-ao-redor-do-mundo
Página do ilustrador: https://www.facebook.com/artbysteve
quarta-feira, 15 de abril de 2015
Reflexão: Utopia
A utopia está no horizonte. Eu sei que nunca a alcançarei. Se eu avançar
dez passos, ela se distanciará dez passos. Quanto mais eu a buscar, menos a
encontrarei: ela se distancia à medida que eu me aproximo. E, ora, para que
serve a utopia? A utopia serve para isso, para caminhar.
- Frase geralmente atribuída a Eduardo Galeano (1940-2015), mas segundo o jornalista Alex Solnik, da Revista Brasileiros, foi dita pelo amigo e diretor de cinema argentino, Fernando Birri, quando ambos respondiam a perguntas após palestra na universidade de Cartagena das Índias, Colômbia. Um aluno perguntou ao amigo o que era a utopia e Galeano relata, com admiração, a resposta do amigo.
- Frase geralmente atribuída a Eduardo Galeano (1940-2015), mas segundo o jornalista Alex Solnik, da Revista Brasileiros, foi dita pelo amigo e diretor de cinema argentino, Fernando Birri, quando ambos respondiam a perguntas após palestra na universidade de Cartagena das Índias, Colômbia. Um aluno perguntou ao amigo o que era a utopia e Galeano relata, com admiração, a resposta do amigo.
Um dos grandes escritores
latino-americanos, Eduardo Galeano foi, nesse dia 13 de abril, tema
de muitas reportagens, matérias, artigos na grande mídia, mais ou menos dizendo
a mesma coisa, repetindo frases, ditados, citações e até fotos. A que mais gostei é de Alex Solnik, no link abaixo:
“Hoje, em Montevidéu, Eduardo Galeano deixou de caminhar. Mas a
utopia, da qual se alimentou e que alimentou e alimentará seus leitores não
morrerá jamais.”
Faço coro a Solnik. As boas pessoas,
as boas obras, as boas palavras, os bons sentimentos e corações não morrem; ficam
encantados, como dizia Guimarães Rosa. Tomara que o grande movimento da mídia
agora, por ocasião de sua morte, desperte o interesse das novas gerações em
seus escritos. Uma seleção de alguns deles está no blog de Altamiro
Borges, dentre outros (sim, sou leitora assídua e crítica de bons blogs).
Para mim, além de autor de seu livro mais conhecido ‘As Veias Abertas da América Latina’, escrito quando o escritor ainda era jovem – 31 anos – e que abriu a cabeça de muita gente da minha geração, Eduardo Galeano será sempre um personagem carismático, corajoso, comprometido com a justiça e a verdade, sensível e lúcido, tremendamente lúcido, um buscador constante da tão falada utopia.
Para mim, além de autor de seu livro mais conhecido ‘As Veias Abertas da América Latina’, escrito quando o escritor ainda era jovem – 31 anos – e que abriu a cabeça de muita gente da minha geração, Eduardo Galeano será sempre um personagem carismático, corajoso, comprometido com a justiça e a verdade, sensível e lúcido, tremendamente lúcido, um buscador constante da tão falada utopia.
Seguem dois vídeos
que mostram um pouco o pensamento, o caráter e o coração desse homem.
2-https://www.youtube.com/watch?v=w8rOUoc_xKc - Eduardo Galeano • Sangue Latino. Entrevista ao o jornalista e tradutor Eric Nepomuceno. Programa do Canal Brasil, gravado em 2009. O jornalista e escrito
uruguaio, Eduardo Galeano fala
sobre a cidade de Montevidéu, onde vive e também sobre a morte de seu cachorro.
Direção: Felipe Nepumuceno.
segunda-feira, 13 de abril de 2015
Vida & Ioga: Eu Maior
Nosso amigo Phanuel Rabello, professor de ioga e tai chi
chuan, postou em seu blog o link para o filme EU MAIOR, que
propõe reflexões profundas sobre autoconhecimento e busca da felicidade.
Diferentes profissionais de diversas áreas, líderes
espirituais, intelectuais, artistas, esportistas - são entrevistados e
compartilham experiências de vida que ampliaram suas percepções de si e do
mundo. A iniciativa é da Associação Dobem, ONG cuja missão é disseminar conhecimento voltado para um desenvolvimento
humano integral. Os realizadores são: Fernando Schultz, Paulo
Schultz, André Melman e o também professor de ioga,
Marco Schultz. Nossa gratidão a eles.
Em especial, um vídeo da
entrevista do professor Mário Sérgio Cortella, filósofo e doutor em Educação pela
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, onde é professor titular e da
Pós-Graduação em Educação. Foi secretário municipal de Educação de São Paulo
(1991-1992). Autor, entre outros livros, de “A Escola e o Conhecimento”, “Não
Espere Pelo Epitáfio: Provocações Filosóficas”, “Não Nascemos Prontos!”, Qual é
a tua obra e “O que a Vida me Ensinou – Viver em Paz para morrer em Paz”.
Que o filme possa atingir o
maior número de pessoas; que nos faça refletir e precipitar nossa transformação
em seres humanos cada vez mais humanos, compassivos, acolhedores, gratos à vida
e dispostos a servir.
domingo, 12 de abril de 2015
Paisagens naturais e construídas: Aguinhas ou Lambari?
Circuito das Águas em Minas Gerais: Cambuquira, Lambari,
Caxambu e São Lourenço são cidades deliciosas. Você escolhe suas preferidas, mas casos especiais de Lambari e sua gente, aquela cidade do famoso cassino do lago, com a chancela de quem viveu lá e tem muitas histórias para contar, aparecem no site http://www.guimaguinhas.prosaeverso.net/ , do
amigo Guima, ou Antônio Carlos Guimarães (que assina a série
MEMÓRIAS DE AGUINHAS, com o pseudônimo
Antônio Lobo Guimarães). Amigo estudioso, disciplinado e generoso professor, o pesquisador nato Guima nos traz histórias e crônicas familiares
e da cidade de Aguinhas, onde nasceu.
Traz também informações sobre gramática, ortografia, além de valiosos estudos
sobre a Doutrina Espírita. Vale passar por lá.
Página: http://www.guimaguinhas.prosaeverso.net/
Página: http://www.guimaguinhas.prosaeverso.net/
Foto do Cassino: http://pt.wikipedia.org/wiki/Lambari_(Minas_Gerais)
quinta-feira, 9 de abril de 2015
Linguagem & Vida: Ainda sobre a forma de olhar
Ainda
falando sobre a forma de olhar, maldade e preconceito estão nos olhos de quem
vê. Minha linda filha me enviou esse vídeo da ONG francesa Noémi Association. Em sua missão de despertar um novo olhar
sobre o potencial dos que sofrem de alguma deficiência, a ONG produziu um vídeo para
mostrar a reação de adultos e crianças diante de pessoas com algum tipo de
necessidades especiais. Na experiência feita, pais e filhos são
convidados a ver um vídeo com pessoas fazendo caretas e, em seguida, imitar as
caretas feitas na tela. A reação no final é surpreendente.
Video: THE EYES OF A CHILD // Noémi Association
Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=WB9UvjnYO90
Publicado
em 2 de dez de 2014: The Noemi association wants to change
the way society looks at people with multiple disabilities. Its mission? To
improve their daily lives. The association wants us to look at these people in
a positive way and to respect their dignity, while bringing them joy and
happiness. To find out more: www.noemi.asso.fr
quarta-feira, 8 de abril de 2015
Paisagem construída: Prêmio Tardio
Prêmio máximo da arquitetura mundial, o Prêmio Pritzker 2015 foi concedido a Frei Otto, arquiteto alemão de Stuttgart,
que foi informado sobre o resultado pouco antes de falecer, no dia 09 de março último. A
divulgação pública do seu nome ocorreu um dia após a morte do
arquiteto... Considerado o principal expoente da arquitetura de membranas e
tensoestruturas, sua obra mais conhecida é o conjunto de edifícios que
abrigaram os Jogos Olímpicos de Munique (1972).
Dois arquitetos brasileiros já receberam o prêmio: Oscar Niemeyer (1988) e Paulo Mendes da Rocha (2006). Entretanto, um terceiro nome seria, sem dúvida, candidatíssimo: João Filgueiras Lima (1932-2014), mais conhecido como Lelé, com uma imensa obra em contribuição à arte e técnica da arquitetura; uma vida inteira dedicada à criação de soluções práticas, simples, funcionais e de baixo custo. Defensor de novas tecnologias na profissão e no ensino de arquitetura e professor-fundador da faculdade de arquitetura da UnB – Universidade de Brasília, Lelé projetou e construiu todos os hospitais da Rede Sarah Kubitschek para tratamento de disfunções do aparelho locomotor, além de inúmeras outras obras em argamassa armada, também criação sua, como as passarelas de pedestres de Salvador. Não chegou a ganhar o Pritzker, mas ganhou outras medalhas significativas. Mas, acho que faltou o tal prêmio, como sinônimo de reconhecimento da comunidade internacional.
Uma pena um prêmio tão tardio... Ambos, Lelé e Otto, já tinham uma carreira sólida e respeitada há anos. Reconhecimento e apreço da comunidade internacional, sob a forma de um medalha ou galardão, não deveriam levar tanto tempo para serem conferidas. Afinal, qualquer obra deve ser reconhecida em vida. A esse respeito, a amiga, arquiteta e professora Ruth Verde Zein e eu fizemos um artigo intitulado Alegrias Póstumas a ser brevemente publicado na Revista Summa+. A conferir.
Dois arquitetos brasileiros já receberam o prêmio: Oscar Niemeyer (1988) e Paulo Mendes da Rocha (2006). Entretanto, um terceiro nome seria, sem dúvida, candidatíssimo: João Filgueiras Lima (1932-2014), mais conhecido como Lelé, com uma imensa obra em contribuição à arte e técnica da arquitetura; uma vida inteira dedicada à criação de soluções práticas, simples, funcionais e de baixo custo. Defensor de novas tecnologias na profissão e no ensino de arquitetura e professor-fundador da faculdade de arquitetura da UnB – Universidade de Brasília, Lelé projetou e construiu todos os hospitais da Rede Sarah Kubitschek para tratamento de disfunções do aparelho locomotor, além de inúmeras outras obras em argamassa armada, também criação sua, como as passarelas de pedestres de Salvador. Não chegou a ganhar o Pritzker, mas ganhou outras medalhas significativas. Mas, acho que faltou o tal prêmio, como sinônimo de reconhecimento da comunidade internacional.
Uma pena um prêmio tão tardio... Ambos, Lelé e Otto, já tinham uma carreira sólida e respeitada há anos. Reconhecimento e apreço da comunidade internacional, sob a forma de um medalha ou galardão, não deveriam levar tanto tempo para serem conferidas. Afinal, qualquer obra deve ser reconhecida em vida. A esse respeito, a amiga, arquiteta e professora Ruth Verde Zein e eu fizemos um artigo intitulado Alegrias Póstumas a ser brevemente publicado na Revista Summa+. A conferir.
Imagens:
Frei
Otto e Estádio Olímpico de Munique: http://www.archdaily.com/511689/happy-birthday-frei-otto/
e http://www.archdaily.com.br/br/01-34759/estadio-olimpico-de-munique-frei-otto-e-gunther-behnisch
Lelé
e demais fotos: Anita Di Marco (2008)
Fotos: Frei Otto e Cobertura para o Estádio dos Jogos Olímpicos de Munique, 1972.

Fotos: Lelé; Passarela em Salvador: Hospital da Rede Sarah ao fundo e Centro de Tecnologia - CTRS; e bondinho que transporta pacientes do nível mais baixo para o mais alto do hospital, Salvador. Anita Di Marco , 2008.
Reflexão: Educação
Educação é a
capacidade de promover mudanças na mente; não na mente dos outros e, sim, na
própria mente. Por que sempre queremos mudar os outros, menos a nós
mesmos?
- J.Krishnamurti (1895-1986)
domingo, 5 de abril de 2015
Arte & Cultura: Uma vez chorinho, sempre chorinho
Chorinhos fazem parte da minha vida. Desde a infância, pela
influência dos pais, depois na juventude e, finalmente, já casada e com filhos
pequenos, o chorinho era música frequente em casa, mas essa é outra história.
Anos depois, reencontrei um amigo do curso científico, que hoje é também lutier,
viciado em chorinho e membro de um grupo de choro. Essa também é outra
história. Depois eu conto.
Mas, que música linda e sonora é essa que me acompanha há tanto
tempo? E há pouco tempo, descobri outros aficionados do chorinho: mineiro de Poços de Caldas,
jornalista e comentarista de primeira e apreciador da boa música e do choro, em
particular, em seu Jornal virtual GGN (http://jornalggn.com.br/luisnassif /), além das
notícias em geral, o ponderado e sensível Nassif nos brinda com verdadeiras pérolas
musicais, dentre elas alguns vídeos de Altamiro Carrilho (1924-2012). O brilhante
flautista e compositor carioca foi quem despertou em mim o amor por essa música
deliciosa e seus instrumentos. Apreciem.
Vídeo: Altamiro Carrilho - http://jornalggn.com.br/noticia/rio-antigo-altamiro-carrilho
Vídeos: Altamiro Carrilho – Urubu Malandro https://www.youtube.com/watch?v=Io9DCvCb8aU
Video: Altamiro
Carrilho | Pedacinhos do Ceu/Delicado/Brasileirinho (Waldir Azevedo) | Instr.
SESC Brasil - https://www.youtube.com/watch?v=KNji33Fc3bQ
quarta-feira, 1 de abril de 2015
Paisagem construída: Arquitetura, lugar e memória...
Tais perguntas remetem a
edifícios, cidades, a paisagens construídas. O cenário urbano, conformado pelo
espaço público e pelas construções, é o que emoldura a vida cotidiana.
Memórias, lembranças e fatos estão vinculados a algum lugar, mas nem sempre,
essa associação é consciente. Vivemos como se flutuássemos, como se não
percebêssemos o mundo físico e real à nossa volta.
Toda cidade é especial e alguns
sortudos conseguem ter mais de uma. O qualificativo “especial” é conseguido pelo
olhar amoroso e cuidadoso, seja do morador ou do visitante. Convido-os, então,
a olhar para nossas cidades, construções, ruas e espaços com outro olhar,um olhar de
curiosidade, interesse, respeito e, sobretudo, cuidado. Assim, criaremos
cidades melhores para nós e nossos filhos. Afinal, a cidade é também nossa casa.
FOTOS: Minhas cidades
especiais: São Paulo, Roma, Londres, Varginha. (Fotos: Blog
Plural).
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