quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Memória & Vida: Aventuras de Adelinha 2 - E dá-lhe rabo de galo..

A autora e personagem central dessas aventuras é Adélia Portes, mineira de Uberlândia, que morou em Araguari até os dez anos e depois se mudou para São Paulo. A menina que cresceu e se tornou esposa, mãe, artista plástica, avó e bisavó, hoje, curte a família, as plantas e o canto coral. Ah... e adora escrever, vez ou outra, seus contos e crônicas. O conto de hoje:  

E dá-lhe rabo de galo.
Irmã caçula de 16 irmãos, Adelinha  vivia feliz com os irmãos mais velhos e o pai, nas franjas da zona urbana de Araguari, no triângulo mineiro. Com o irmão Aírton e  uma ou outra colega de escola, a menina corria daqui e dali e, vez por outra, praticava outra de suas travessuras.
Certo dia, a garota e uma das coleguinhas descobriram que o pai da amiga era apreciador contumaz de certa bebida chamada de “rabo de galo”; toda noite ele colocava a bebida no copo e ficava admirando-a antes de ingerir o gole e dizia: - isso sim, é que é bom!
E aí, a curiosidade matou o gato! 
Um belo dia, as garotas resolveram experimentar o que seria aquele tal néctar dos deuses. Planejaram tudo direitinho: compraram uma garrafa de aguardente, uma garrafa de vermute e esconderam as bebidas embaixo de uma árvore imensa, no quintal da casa da irmã com quem estava...
E, finalmente, resolveram fazer a tal degustação. Gole vai, gole vem, acabaram bebendo toda a mistura – as duas garrafas!!! 
Adelinha jura que só se lembra do primeiro gole. E então, de acordar em uma cama de hospital com o médico dizendo:
– Que farra perigosa, hein? Depois de quase entrar em coma alcoólica, essa garota está fora de perigo! Justo ela, que parecia tão quietinha... Olha o mau exemplo, dona Adelinha!!!
Tsc, tsc, tsc... aventuras de Adelinha...
 

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Língua & Literatura: Ainda falando de nuvens

Outro dia, enquanto zapeava com o controle remoto da TV, parei em um programa do Canal Brasil sobre Rubem Braga (1913–1990). Já estava no fim e alguém lia uma crônica do escritor sobre as nuvens vagabundas... Fiquei intrigada e fui atrás.  
 Trata-se de um filme de André Weller, chamado Olho as Nuvens Vagabundas, filmado na cobertura do apartamento do escritor, em Ipanema, com vista para a orla carioca. O filme, eleito um dos dez melhores documentários da 37ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo (2013) na categoria Novos Diretores, apresenta depoimentos de amigos, admiradores e frequentadores da cobertura, o lugar preferido do cronista capixaba. Zuenir Ventura, Ziraldo e Ana Maria Machado, entre outros, deram seus depoimentos e leram crônicas do escritor. 
Foto: Anita Di Marco, ago.2015 
Referências:

domingo, 6 de setembro de 2015

Arte & Cultura: Frida Khalo vem aí.

  
Capa da Revista Vogue, México, novembro 2012. Frida estampa pela primeira vez a capa de uma revista de moda, quase 60 anos após sua morte, em imagem feita pelo fotógrafo Nickolas Muray. 


Setembro chegou e, a partir do dia 27, traz mais uma mostra para ninguém botar defeito: “Frida Kahlo e as mulheres surrealistas no México”, sobre a pintora mexicana Magdalena Carmen Frieda Kahlo y Calderón, conhecida como Frida Kahlo (1907-1954) e outras artistas mexicanas. Frida foi símbolo da força e independência feminina, já que apesar dos muitos problemas de saúde, dramas e percalços de sua vida, continuava ativa e exuberante, trabalhando sua dor através da arte e sem sucumbir ao padrão de beleza exigido pela época.  
Onde: Instituto Tomie Othake, em São Paulo.

Referência:

sábado, 5 de setembro de 2015

Paisagem construída | Vamos dar nome aos bois?

Sempre li, estudei (e acredito até hoje) que a história oficial tem lado e conta a história de quem quer e como quer; em geral, a dos vencedores, daqueles que satisfazem uma certa narrativa do momento. A título de explicação, neste post falo apenas de autoria de obras produzidas, sem a menor intenção de elogiar ou homenagear o personagem retratado. Muito pelo contrário.
 
Estátua de Fernão Dias, na BR 381. Foto: Anita Di Marco
Enfim, além de Borba Gato, cuja estátua é referência no bairro paulista de Santo Amaro, em São Paulo (Ver Paisagem urbana: Borba Gato), outro bandeirante estudado, mas também não devidamente criticado e contextualizado nos bancos escolares, é o sogro de Borba Gato: Fernão Dias Paes Leme (1608-1681), conhecido como ‘o caçador de esmeraldas’, aquele que saiu à caça de determinada pedra preciosa de cor verde e voltou com outra, crente que tinha achado o seu tesouro. Também paulista, o bandeirante possuía muitas propriedades, explorava terras paulistas e mineiras, e escravizava índios, muitos índios. Partindo de São Paulo em meados do século XVI, comandou a bandeira em busca das tais pedrinhas verdes, aos 66 anos e acabou encontrando turmalinas, no Vale do Jequitinhonha, Minas Gerais, acreditando que fossem as sonhadas esmeraldas. Morreu de malária, na volta para a cidade natal. Há uma estátua sua na rodovia BR 381, Fernão Dias, no trevo de acesso à cidade de Pouso Alegre, Sul de Minas. Antes da duplicação, era impossível não notar a presença da estátua, de uns 20 metros de altura. Hoje, com a rodovia duplicada, ela parece menor.  De qualquer forma, ela me remete à estátua de Borba Gato, em São Paulo, talvez pela proximidade estética, de material e estilo. Mas, por mais que procurasse, não encontrei dados sobre o autor da estátua.
 
E aqui vai uma conversa que sempre tenho com meus botões: Por que não dar o devido crédito aos autores, produtores e/ou tradutores de obras literárias ou de arte (livros,
artigos, ensaios, pinturas, esculturas, fotografias, textos em blogs, poemas)? Muitas vezes, mostram-se imagens ou mencionam-se obras, sem a menor menção a seus autores (ou tradutores, no caso de livros). Quem lê na sua língua ou vê essas obras deve imaginar que tudo surgiu do nada, brotou do chão, como passe de mágica e sem esforço de ninguém.   
 
Então, resolvi propor, de forma leve e sem nenhuma intenção de ineditismo, a campanha Vamos dar nome aos bois. Vários colegas já a propuseram, sob outra roupagem. Concordam? Daqui por diante, quando vocês virem um livro traduzido, sem nome do tradutor; uma obra de arte cuja autoria não foi mencionada; uma foto bonita, um poema, um artigo na internet, lembrem-se de que alguém escreveu, traduziu, criou, pintou, esculpiu, bateu a foto. As coisas sempre acontecem por esforço de alguém ou de alguns. Sempre. Vamos dar nome aos bois, por favor! 
 
Referências: 
http://www.sohistoria.com.br/biografias/fernaodias/ 
http://www.e-biografias.net/fernao_dias/
http://educacao.uol.com.br/biografias/fernao-dias-paes-leme.jhtm

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Arte & Cultura: Espaços e exposições


Exposições e os espaços que as recebem estão intrinsecamente ligados. O resultado desse diálogo se revela em mostras únicas, diferentes, mais ou menos ousadas, mais ou menos surpreendentes, a depender da expografia escolhida e possível. Expografia, aliás, está diretamente relacionada à ambientação, ao que se propõe no espaço que recebe a mostra, às fontes (tipo e tamanho) a serem empregados nos textos, à cor das paredes, ao tipo, cor e dimensões dos suportes para os textos ou objetos, à iluminação, à cenografia geral, enfim... Tudo aquilo que concretiza o pensamento dos curadores.
Evidentemente, o orçamento disponível influi, e muito, em tudo isso. Mas, a nosso ver, o espaço é o grande receptáculo da materialidade dessa ideia e com criatividade, boa vontade e empenho são possíveis resultados de qualidade, ainda que sem o orçamento necessário para megaexposições.  
Foi o caso da exposição Oneyda Alvarenga & EU: seu tempo, sua busca, sua obra, mostra inaugural do Projeto |Nômades – Circuito de Exposições Ela, Ele & EU, desenvolvido por Vanessa CTREis, artista visual e fotógrafa e Anita Di Marco, arquiteta e tradutora. Montada inicialmente na Unifal – Universidade Federal de Alfenas, campus Varginha, em amplo espaço aberto em frente à biblioteca da universidade, embora com os mesmos suportes, a exposição teve um tipo de resultado final. 
Desde o final de agosto, na UNIFENAS, Unidade Imaculada, em Varginha, a mostra parece ter adquirido nova roupagem em função do local– saguão de entrada do edifício, pontuado pela forma circular do espaço, pela iluminação zenital difusa e pelo verde das plantas. Seguem algumas fotos dos dois locais.  
Unifenas, Varginha- Unidade Imaculada

Fotos: Anita Di Marco


 
 
Fotos: Vanessa CTREis

Unifal - Varginha 
  

       
 
Fotos: Anita Di Marco 

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Reflexão: Transformação


 Se minha prática religiosa, minhas preces e minha meditação não conseguem mudar meu modo de ser, de olhar e de agir com o outro, de nada adiantam.
– Swami Kuvalayananda (1883-1966)    

E ainda Yogananda, Sri Yukteswar, Martin Luther King, Gandhi, Mandela, Hermógenes, Madre Tereza e tantos outros diziam a mesma coisa, ainda que com palavras diferentes. 
Se na vida cotidiana você é incapaz de olhar o outro como olharia para si mesmo, 
Se não consegue sentir a dor do outro, 
Se não há coerência entre discurso e ação, 
Se você se esconde por trás de uma máscara adaptável às situações e vê apenas seu interesse próprio...
Se você não é inteiro e se não aplica os ensinamentos na sua relação com os outros, em todas as situações da vida diária...
Então, de nada adianta ir à aula de yoga, à igreja, ao templo, à excursão espiritual, ao monastério ou ao seu lugar de culto, seja ele qual for... porque sem prática, a teoria é só teoria; sua ação é vã e seu agir tem outro nome: autoengano consentido.   

  

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Vida, Yoga & Espiritualidade: Preconceitos para todos os gostos

Preconceitos existem aos montes e para todos os gostos. Vemos isso todos os dias, nas mais variadas situações e lugares. Evidentemente, podemos negar, justificar, disfarçar, fingir que não é conosco, virar a cabeça, tossir etc. Mas no fim do dia, é nítido e patente que os preconceitos abundam na nossa sociedade, nas mais diversas áreas e grupos sociais, no ambiente de trabalho, na escola, na comunidade familiar, no bairro, na igreja, no trabalho, no hospital, nas ruas, na estrutura urbana e, principalmente, em nossos corações e mentes.  
A TV Mundo Maior fez uma ótima reportagem (talvez longa para os padrões das redes sociais, uma hora (!?!) alertando para a existência dos preconceitos e como eles afetam e excluem os chamados ‘diferentes de nós’. Psicólogos, advogados, jornalistas, ativistas e palestrantes espíritas falam dos preconceitos e seus efeitos nocivos na sociedade e na evolução do nosso mundo e do homem.
Todos deveriam assistir. Embora não sendo privilégio de nenhuma religião, preconceitos afetam, igualmente, os princípios basilares de qualquer religião. Imperdível e excelente ocasião para repensarmos nossos pensamentos, discursos e atitudes.  
Mundo Maior Repórter “Marcas do Preconceito”- 1:02.Publicado em 13 jun 2015 -  https://www.youtube.com/watch?v=00BVmF4YTIk 

domingo, 30 de agosto de 2015

Memória & Vida: Oliver Sacks agora vive na memória

Em março desse ano, publiquei o texto Sobre a iminência da morte e fiz referência a um artigo do neurocientista Oliver Sacks e sua reação ao saber que era portador de um câncer terminal. Leiam o artigo no blog e a carta dele. Hoje, domingo, 30 de agosto de 2015, ele faleceu  e a frase abaixo reflete sua aventura no mundo: "Acima de tudo, fui um ser com sentidos, um animal pensante, neste maravilhoso planeta e isso, em si, foi um enorme privilégio e uma aventura”. 
Ver a notícia da morte no El País:Morre Oliver Sacks, explorador da mente e a tolerância.  

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Línguas & Poesia: Quintana, nuvem e vento

Poetas são capazes de expressar o que carregamos na alma e, muitas vezes, só percebemos depois; ou expressam o que jamais pensamos que diríamos, mas quando lemos seus poemas, algo se agita em nós.  


Como assim? Será que pensei alto ou será que alguém leu meus pensamentos? Ou os pensamentos são todos iguais? Será que todos vêm de uma só fonte, de onde absorvemos os nossos? E aí costumo dizer: Uau! Bem no between! Truco! Batata! Acertou em cheio e outras invencionices minhas, ou anitices!
 
Poetas, compositores, artistas são seres que vão além, escutam o inaudível e enxergam o invisível.   
Canção de nuvem e vento 
Mário Quintana (1906-1994)

Medo da nuvem
Medo Medo
Medo da nuvem que vai crescendo
Que vai se abrindo
Que não se sabe
O que vai saindo
Medo da nuvem
Nuvem Nuvem

Medo do vento
Medo Medo
Medo do vento que vai ventando
Que vai falando
Que não se sabe
O que vai dizendo
Medo do vento
Vento Vento

Medo do gesto
Mudo
Medo da fala
Surda
Que vai movendo
Que vai dizendo
Que não se sabe...
Que bem se sabe
Que tudo é nuvem que tudo é vento
Nuvem e vento
Vento Vento! 
  
Fotos: Anita Di Marco
Referências:

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Memória & Vida: Saudade, palavra doce... Será?

 
A foto acima é das últimas fotos dele que tirei, no Horto Florestal em SP. Pascoal e seus inseparáveis acessórios: boné e bengala  

Agosto me traz à lembrança a morte de pessoa querida e muito importante na minha formação: meu pai, Sr. Pascoal, ou Pasquale, como muitos o chamavam...italiano, carcamano, calabrês...
Dizem que sou parecida com ele, sobretudo em meus momentos de impulsividade (aquele que não tiver esses momentos levante a mão [!!!], ou está mentindo). Quando tenho meus rompantes e arroubos impulsivos, meus filhos, carinhosamente, me chamam de Pascoalzinho... Em parte, acho que têm razão e fico envergonhada desses momentos... Juro que estou trabalhando nisso.
Mas, além dessa herança, ele me passou muitas coisas que ficaram firmemente gravadas em mim, como noções de ética, integridade e honestidade; de lealdade e amor à família e ao trabalho. Acho que trago tudo isso em mim. Logo depois que ele se foi, escrevi esse texto para meus familiares. Acho bastante atual e republico aqui, por ocasião do sétimo ano de seu falecimento.                       

* * * * * 
A morte nos ajuda a redimensionar nosso olhar sobre a vida, seus valores e acontecimentos, enxergando e valorizando o que de fato interessa, procurando viver com mais sabedoria, discernimento e compaixão; sobretudo porque, no caso do pai, é a grande célula familiar que começa a se romper. Sabemos ser inevitável, mas nem por isso é menos doloroso. Devemos ter em mente as boas lembranças, deixar que a saudade seja companheira suave a nos fazer sorrir e, assim, trazer a pessoa que partiu para perto do coração. Mas sem revolta.  
Dói, é verdade e é natural, mas não precisamos sofrer com isso. Cada um faz o que tem que fazer, nós também. E a hora da partida chega para todos. Na escola da vida, há um momento em que temos que passar de ano ou mudar de fase, queiramos ou não; é inevitável e independe de nossa vontade.
O que depende de nós é fazermos nosso melhor sempre, a cada dia, em cada atividade, olhando para o outro como olharíamos para nós mesmos; agindo em conformidade com nossa origem divina comum... Agindo assim, não há razão para temer a morte. 
A saudade vem, é fato, mas temos as boas lembranças e a herança que carregamos desde sempre – meu jeito meio bravinho e radical é herança dele, minha retidão e senso de justiça também, o vestir a camisa a todo custo, idem; enfim, cada um recebeu parte maior ou menor dessa herança, temos é que honrá-la. Como disse, a dor da perda é inevitável, o sofrimento não.
Acho que a música Epitáfio vem bem a calhar: aplicar o que sabemos hoje, para não nos lamentarmos depois. Só acho que não é o acaso não vai nos proteger; nossas atitudes é que irão nos proteger e preparar-nos para quando chegar nossa hora.
Anita Di Marco (Em 02 setembro 2008)
♦ Epitáfio (Titãs)
Composição: Sérgio Britto

Devia ter amado mais, ter chorado mais, ter visto o sol nascer...
Devia ter arriscado mais e até errado mais
Ter feito o que eu queria fazer...
Queria ter aceitado as pessoas como elas são
Cada um sabe a alegria e a dor que traz no coração...
O acaso vai me proteger enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger enquanto eu andar...

Devia ter complicado menos, trabalhado menos, ter visto o sol se pôr
Devia ter me importado menos com problemas pequenos
Ter morrido de amor...
Queria ter aceitado a vida como ela é
A cada um cabe alegrias e a tristeza que vier...
O acaso vai me proteger enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger enquanto eu andar...(2x)
Devia ter complicado menos, trabalhado menos, ter visto o sol se pôr...

 
Vídeo: Titãs - Epitáfio (Clipe Oficial) - Publicado em 3  jun  2012. 
https://www.youtube.com/watch?v=YOJiYy1jgRE - 

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Paisagem & Arte Urbana: Borba Gato

 http://www.saopauloantiga.com.br/borba-gato
Obras de arte em logradouros públicos são maneiras de apropriação do espaço urbano. Independentemente do tipo - obras de arte, estátuas, bustos, instalações, grafites etc. - são referenciais importantes que caracterizam e identificam logradouros. Podem ter valor afetivo para uma dada comunidade, podem ser fruto do trabalho de ancestrais, ou ainda resultado de determinada técnica construtiva. O fato é que se transformam em cartões postais de uma cidade e, goste-se deles ou não, eles são o que são: referenciais urbanos. Quem não conhece um dos cartões postais de Santo Amaro, na capital paulista? A imensa estátua de Manuel Borba Gato (1649-1718) paulista, bandeirante e genro de Fernão Dias Paes (ver aqui). 
 
Com certeza, a estátua não passa despercebida com suas 20 toneladas de peso e 13 m de altura, contando o pedestal de quase dois metros. Inaugurada em 1963, na confluência das avenidas Adolfo Pinheiro e Santo Amaro, a obra do artista Júlio Guerra (1912-2001)  levou seis anos para ser construída pelo artista e quatro ajudantes e foi fruto de concurso público para homenagear o quarto centenário do então município de Santo Amaro, na época autônomo. O artista usou trilhos de bondes para montar a estrutura de concreto e a revestiu com pedras coloridas de basalto e mármore, criando assim um enorme mosaico tridimensional. Em pé, a figura porta roupas e chapéu do século XVII, um enorme trabuco apoiado no chão e o olhar perdido no horizonte.
 
A "estátua" já mereceu os mais variados qualificativos: imponente, brega, marcante, sem graça, de mau gosto, desnecessária, infame, politicamente incorreta etc... De qualquer forma, alheia às críticas, a estátua continua a exercer seu papel de referencial urbano e (controverso) cartão-postal da cidade de São Paulo. 

Referências:
 
http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/cultura/patrimonio_historico/adote_obra/index.php?p=4520%20target=blank 

sábado, 22 de agosto de 2015

Línguas & Literatura: Guerreiros da Esperança

Livros são joias preciosas que preenchem o tempo ocioso, ampliam o conhecimento, exercitam o pensamento crítico e refinam os sentimentos. Minha filhota tem um dom especial para garimpar livros tocantes e verdadeiros. Um dos que li, recentemente, é Guerreiros da Esperança, presente dela. Baseado em fatos reais e mostrando a força que reside no grupo, o livro narra os sonhos infantis para alcançar um futuro melhor;  sonhos ameaçados pelo presente - o quase inevitável fechamento da distante escola de aldeia que representa sua única saída para aquele futuro. A consciência do poder da educação, o respeito pelo outro e o valor da amizade pontuam este volume terno, sensível e que aquece o coração e a esperança.    
Livro de estreia do autor indonésio Andrea Hirata, Guerreiros da esperança quebrou recorde de vendas em seu país, onde se passa a ação, e contribuiu para o desenvolvimento da literatura local. O cenário - a ilha de Belitung, na Indonésia, rica em recursos naturais e com imensos contrastes sociais - é descrito e visto pelos olhos de um dos personagens da história, Ikal, garoto pobre que sonha em estudar e enfrenta desafios cotidianos para isso. Ikal e seus companheiros do grupo Laskar Pelangi, os Guerreiros do Arco-Íris, pedalam longos trechos em estradas barrentas para ir à escola, estudam, vivem aventuras e desafios, descobrem sentimentos novos, conquistam vitórias, crescem, sofrem e riem juntos e, ao mesmo tempo, tentam evitar o fechamento da escola da aldeia, símbolo de esperança e porta de entrada para outro mundo, diferente daquele que seus pais poderiam lhes dar.   
Para garantir aos alunos o direito inalienável à educação, a professora e quase menina Bu Mus e o incansável diretor Pak Harfan lutam como quixotes contra os dragões reais da burocracia e dos interesses econômicos. Juntos, professora, diretor e alunos tentam manter vivos os valores da educação e da amizade. Juntos percorrem um caminho duro, intenso e sofrido.  
Não deixem de ler. Um presente ao coração e à fé no poder da vontade.  
Obra: Guerreiros da Esperança, de Andrea Hirata. Tradução: Regina Lyra. São Paulo: Ed.Arqueiro,2012     
 
Referências: 

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Vida & Cultura: Gafes internacionais...

Dia desses, lendo o site Bored Panda (ainda intrigada com o coitadinho), topei com uma postagem sobre 18 erros que turistas cometem ao viajar para outros países. Parece óbvio para mim que, antes de qualquer viagem, o ideal é montar um caderninho de informações sobre o lugar a ser visitado, história, cultura, arquitetos, patrimônio histórico, grandes artistas, principais hábitos alimentares, festividades, o que visitar, como, quando, etc. 
Ao menos, é o que faço e acho que todo viajante deveria fazer antes de embarcar. Assim, a gente aprende algo antes de ir, já vai saboreando a visita e se previne contra possíveis gafes culturais, certo? 
Mas, voltando à postagem, o site trazia exemplos bem interessantes, por exemplo: Você sabia que dar gorjetas no Japão é considerado ofensivo? Eu não... 
Confira as gafes na imagem abaixo; pratique seu inglês e prepare-se para uma viagem sem surpresas desagradáveis.  
Referências: 

domingo, 16 de agosto de 2015

Reflexão: Querer e ser.

Temos que ser a transformação que queremos ver no mundo. 
- M.Ghandhi (1869-1948)

 
Imagem: http://www.agnt.org/64-days   

O pior cego é aquele que não quer ver; o pior surdo é o que não quer ouvir. Em tempos de hostilidades e intolerâncias, de ofensas desmedidas e insultos tortos; de mentiras consentidas e meias verdades, de hipocrisia e acusações; em tempos sem memória e sem utopias, de acomodação individualista, de divórcio da realidade e do bem comum, em tempos de conceitos embaraçados e confusão acatada sem um pensar crítico, este texto está cada vez mais atual. 
Ser o que se quer do outro. Fazer o que se quer que o outro nos faça. Simples, assim. É fazer sua ação corresponder ao que você fala e sua fala corresponder àquilo que você sente e pensa, porque agir é concretizar em ato aquilo que está no coração. Isso é coerência. 
É o que Mohandas Karamchand Gandhi, mais conhecido por Mahatma (grande alma), pregava. Aliás, Gandhi possuía dois livros de cabeceira, o Novo Testamento e o Bhagavad Gita. Ele dizia que, se todas as bibliotecas do mundo fossem destruídas em um incêndio e restasse apenas o Sermão da Montanha, o mais completo guia para a evolução espiritual da humanidade, nada teria sido perdido. 
Assino embaixo e procuro praticar essa coerência, a cada dia.  

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Línguas & Literatura: A Casa das palavras

Na casa das palavras, sonhou Helena Villagra, chegavam os poetas. As palavras, guardadas em velhos frascos de cristal, esperavam pelos poetas e se ofereciam, loucas de vontade de ser escolhidas: elas rogavam aos poetas que as olhassem, as cheirassem, as tocassem, as provassem.
Os poetas abriam os frascos, provavam palavras com o dedo e então lambiam os lábios ou fechavam a cara. Os poetas andavam em busca de palavras que não conheciam e também buscavam palavras que conheciam e tinham perdido.  Na casa das palavras havia uma mesa das cores. Em grandes travessas as cores eram oferecidas e cada poeta se servia da cor que estava precisando: amarelo-limão ou amarelo-sol, azul do mar ou de fumaça, vermelho-lacre, vermelho-sangue, vermelho-vinho... 

- Eduardo  Galeano (1940-2015). O livro dos abraços, 9a.ed. Porto Alegre: L&PM, 2005.
 
Imagem: http://www.portuguesgratis.com.br/formacao-de-palavras/ 

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Arte & Cultura: Expo de Oneyda Alvarenga em Varginha

Agora que a Prefeitura de São Paulo comemora os 80 anos de sua biblioteca pública,  decidimos também homenagear a varginhense que foi aluna, amiga e organizadora da obra de Mário de Andrade, através da Biblioteca Municipal. Não deixem de ver as comemorações dos 80 anos de criação da Biblioteca Oneyda Alvarenga no Centro Cultural São Paulo e aqui em Varginha.
O objetivo é recuperar, divulgar e repercutir o trabalho e obra de personagens-chave da cultura varginhense e/ou mineira, já que muitas vezes, essa obra atinge repercussão estadual e até nacional, mas, por motivos vários, é subvalorizada em sua própria terra natal. Propõe-se ainda um questionamento ao visitante acerca de sua própria linha de tempo.
A mostra foi inaugurada esta semana, no campus Varginha da UNIFAL- Universidade Federal de Alfenas e dia 24 será aberta no campus Imaculada da UNIFENAS.  


    
Exposição: Oneyda Alvarenga & Eu - Seu tempo, sua busca, sua obra. 
Realização: Projeto Nômades: Circuito Cultural e Exposições Ela, Ele & Eu 
Quando e Onde:
UNIFAL ---- De 11 a 23 de agosto 2015.   
UNIFENAS – De 24 de agosto a 05 de setembro de 2015. Abertura às 20h30min.
Concepção, Curadoria e Realização: Anita Di Marco & Vanessa CTReis
Pesquisa: José Roberto Sales
Colaboração: Francisco Antonio Romanelli
Chancela: Academia Varginhense de Letras, Artes e Ciências – AVLAC.  
Patrocínio: UNIFAL- Universidade Federal de Alfenas
                    UNIFENAS- Universidade José do Rosário Vellano
                    P.J. Prado – Corretora de Café